Brasil

42 moradores de Campina Grande (PB) são atacados com seringa em festa

Exames preliminares constataram que nas seringas havia sangue diluído em soro fisiológico

Otávio Augusto
postado em 19/06/2018 21:46
Ilustração com seringa pingando líquido -  (foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press)
Ilustração com seringa pingando líquido - (foto: Rafael Ohana/CB/D.A Press)
Ilustração com seringa pingando líquido

Médicos, policiais e moradores de Campina Grande, na Paraíba, estão intrigados com ataques a seringas. Desde a semana passada, ao menos 42 pessoas precisaram receber atendimento hospitalar após perfurações do tipo. A Polícia Civil do estado investiga o caso como lesão corporal leve. A preocupação é que não se sabe que as seringas estão com algum tipo de material contaminado com vírus de doenças infectocontagiosas. As agressões ocorreram na mais tradicional festa junina do país e num bloco de rua.

A Polícia Civil da Paraíba recolheu quatro seringas e um bisturi. Exames preliminares constataram que nas seringas havia sangue diluído em soro fisiológico. Novos testes serão realizados para averiguar se o sangue é humano ou de animais. Nestas seringas, não há indícios de contaminação por vírus de doenças contagiosas. Após uma semana dos primeiros casos registrados, a polícia não identificou nenhum suspeito. Imagens das câmeras de segurança do local da festa e de onde as seringas foram encontradas e serão averiguadas para tentar identificar agressores.

O delegado Henry Fábio Ribeiro, chefe da investigação, adiantou ao Correio que até esta sexta-feira (22/6) o laudo definitivo será divulgado pelo Instituto de Perícia Científica. "Metade das vítimas já foram ouvidas. Apenas três pessoas registraram boletim de ocorrência. Elas estão com medo de ter o nome relacionado à doenças infectocontagiosas. Duas pessoas viram a agulha as outras só perceberam o ferimento. A investigação está estágio avançado", destaca.

O Hospital de Emergência e Trauma Dom Luiz Gonzaga Fernandes recebeu as vítimas do ataque. A faixa etária oscila de 17 a 50 anos, e há mais homens feridos do que mulheres. As lesões foram feitas, em sua maioria, nas mãos ou nas costas. Segundo o diretor da unidade médica, Geraldo Medeiros, a maioria dos pacientes só percebeu o ferimento muito tempo após o ataque. "O protocolo do serviço de infectologia é que sejam feitos exames de sífilis, aids e hepatite B. Posteriormente, essas pessoas fazem o tratamento de 28 dias contra o HIV e a se vacinarem contra hepatite B", conta.

Alexandre Naime Barbosa, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica que as vítimas devem procurar auxílio médico até 72 anos após o ataque. "Pode levar até um mês para a pessoa descartar totalmente que não foi infectada. Por isso, elas terão que ficar em acompanhamento médico", acrescenta. Para ele, o alerta é que nunca aconteceu um ataque em escala tão grande no país. "Isso pode se caracterizar como transmissão intencional de doenças como nunca vimos antes", pondera.

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