Capital federal é berço de jazzistas conhecidos internacionalmente

Além de exportar talentos, a cidade se esforça para manter programação própria com os músicos locais

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS
Preencha todos os campos.

postado em 21/04/2013 07:00 / atualizado em 19/04/2013 15:40

Marianna Rios /

Tina Coelho/Esp. CB/D.A Press

A boemia do jazz pisou cedo na capital federal, ainda na década de 1970, em boa parte influenciada pela presença das embaixadas. A melodia malandra originada no início do século 20, em Nova Orleans, nos Estados Unidos, já tinha casas noturnas consagradas na segunda década de Brasília. Tendinha foi uma das pioneiras. O bar, que funcionava no Hotel Nacional, além de tocar MPB para os primeiros turistas da cidade, tinha vocação para o jazz.

Foi nesse ambiente que o pianista Renato Vasconcellos começou sua trajetória. Mineiro de Caratinga, ele chegou à capital em 1974 e ainda garoto assistia às apresentações no Tendinha. “Ia lá para ver os músicos, principalmente o Rogério Resende, fundador da Casa do Piano, que tocava e eu o admirava na época”, conta Renato, sobre a primeira lembrança do começo da carreira.

Outro lugar destinado ao jazz nos primeiros anos de Brasília era o Green Dolphin, no Conjunto Nacional. O ambiente fazia referência a um navio, com direito a escotilhas e garçons vestidos de marinheiros, e motivou Renato, que, à época com 17 anos, não perdia as apresentações do irmão Ricardo no contrabaixo e da pianista Elenice Maranesi. “O Green Dolphin era uma das grandes inspirações para mim, era um grande clube de jazz”, recorda-se.

Em 1976, o pianista deu início aos shows de jazz no Café Odara, na 405 Sul, com o quarteto Chakras. A casa noturna tinha a ambiciosa meta de manter 11 músicos tocando das 19h às 3h. “Éramos conhecidos como os borrachinhas porque a gente esticava as músicas por 10 minutos, improvisando no espírito do jazz.”

Nos anos 1980, dois grupos polarizaram o ritmo na cidade: Artimanha (formado por Rênio Quintas, Toninho Maya, Adriano Giffoni, Alves Boca e Widor Santiago, o ‘Piriquito’) e Instrumental e tal (com músicos das famílias Ernest Dias e Vasconcellos). “Nessa época, gravamos minha composição Suíte Brasília”, em 1999, considerada uma das três mais importantes músicas compostas em tributo à capital.

Mestre em jazz pela universidade de Louisville-Kentucky, nos Estados Unidos, Renato destaca que Brasília é um celeiro de talentos. “O curso de verão da Escola de Música de Brasília tem incentivado e trazido músicos de altíssimo calibre daqui e de fora. E a UnB faz intercâmbio com estudantes de jazz norte-americanos. Esses garotos têm vindo para ensinar jazz e aprender a música brasileira”, elogia.

Época de ouro


Os anos dourados do jazz em Brasília começaram em 1978, com os festivais da Casa Thomas Jefferson. Sempre no Centro de Convenções, os concertos lançaram grandes nomes da música instrumental. O ápice veio em 1983, quando o saxofonista texano Billy Harper — considerado o sucessor de John Coltrane — desembarcou na cidade para três dias de apresentações. “Os festivais mostraram os talentos expoentes da cidade e inspiraram os músicos locais, que tiveram contato com artistas internacionais e se tornaram grandes nomes”, avalia Luiz Carlos Costa, produtor sociocultural da Thomas Jefferson.

O contrabaixista Oswaldo Amorim também representa essa geração de jazzistas. Ainda no Rio de Janeiro, com 15 anos, conheceu o disco Time Out, de David Brubeck. “Aquilo ali abriu minha cabeça para uma nova vertente que eu não conhecia”, revela. Quando chegou a Brasília, em 1990, Oswaldo foi estudar contrabaixo acústico e, em pouco tempo, começou a tocar em grupos da cidade.

Depois de uma temporada no exterior para fazer mestrado em jazz, Oswaldo voltou para a cidade no começo dos anos 2000. Ele seguiu com apresentações em casas segmentadas, como o Churchill, no Brasil 21, e o Schlob, na 309 Norte, até esbarrar na curta duração dos espaços para shows de jazz. “Infelizmente, o empresariado de Brasília não tem essa visão de formar um público e investir nesse estilo. É o lugar das embaixadas, tem gente do mundo inteiro e tem público”, critica.

Apostas

O atual cenário de jazz na noite brasiliense mistura a novidade com o que já está consagrado. Uma nova geração de músicos faz nome e ajuda a popularizar o ritmo. Cantora profissional desde 2007, a pernambucana Camilla Inês já havia morado em Brasília, mas em 2009 veio para ficar, quando decidiu produzir o segundo CD, Jazzmine, lançado em 2011. Atualmente, ela faz shows de divulgação do trabalho solo. “Brasília tem público. O problema é que as casas logo acabam, ou por problemas acústicos ou sonoros com a vizinhança”, explica Camilla.


Integrante do Som Trio, além de parceiro profissional e pessoal de Camilla, o baterista Misael Barros chegou à cidade há pouco mais de dois anos. “Me surpreendi em ter uma nova geração na cidade, garotos de 15, 16 anos, fazendo música de alto nível e com trabalho autoral”, completa Misael.

Membro do grupo, o pianista Serge Frasunkiewicz busca inspiração na história do avô, que tocou piano em Chicago durante 65 anos e chegou a se apresentar com Ella Fitzgerald e Louis Armstrong. “Depois de algumas viagens para Nova York, soube que as possibilidades são infinitas.”


Reprodução


AO SEU GOSTO

Veja onde curtir jazz

Dona Lenha

Terça-feira, a partir de 20h30. Trio de acordeon, guitarra e baixo, além de convidados.
Couvert: R$ 7, opcional
413 Norte – 3349-2323

Pinella

Terça-feira, a partir de 20h. Projeto Hook Up, com quarteto de sax e clarineta, teclado, baixo acústico e bateria.
Couvert: R$ 8, opcional
408 Norte, Bloco B, loja 20 – 3347 8334

Ces’t si bon

Quinta-feira, a partir de 20h30. Checar a programação.
Couvert: R$ 10
213 Norte, Bloco A, loja 13 – 3272-1005

Pobre Juan

Sexta-feira, a partir de 20h30. Mesa para Três.
Couvert: R$ 7, opcional
Shopping Iguatemi – SHIN, CA4, loja 20 – 3577-5800

Café Antiquário

Sexta-feira e sábado, a partir de 21h. Som Trio e convidados.
Couvert: R$ 10, opcional
Pontão – SHIS, Ql 10, s/n, Lt 1/33 – 3248-7755

Genaro Jazz Café

Sexta-feira e sábado, a partir de 21h. Checar programação com o local.
Couvert: R$ 8, opcional
114 Norte, Bloco A – 3273-1525

Carpe Diem

Sábado, a partir de 21h. Projeto Carpe Diem Sounds.
Entrada franca.
104 Sul, Bloco D – 3325-5301

Churchill Lounge Bar

Shows com músicos convidados, a partir de 21h. Checar data e programação
Couvert: R$ 14, de segunda a quinta-feira, opcional
Meliá Brasil 21 – SHS, Quadra 6, Lote 1, Conjunto A –
3218-5555

Brasília Jazz Club

Serviço contratado com músicos de jazz.
www.brasiliajazzclub.com
9290-8730 e 9662-4114

Tags:
Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.