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Correio Braziliense

Dezesseis anos após sua morte, Renato Russo ainda influencia jovens do DF

O cantor ainda invade o imaginário dos brasilienses e exerce influência sobre as novas gerações, que ratificam o título de maior poeta do rock nacional

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postado em 21/04/2013 07:00 / atualizado em 19/04/2013 15:40

Diego Ponce de Leon

Arquivo pessoal

A prisão de Renato Russo após a primeira apresentação da Legião Urbana, em Pato de Minas (MG), é um dos capítulos do rock nacional mais conhecidos. Os policiais da cidade mineira não gostaram do discurso inflamado do líder da banda, nem de alguns versos de Música urbana (“Os PMs armados e as tropas de choque vomitam música urbana”). Na mesma cela, os companheiros da Plebe Rude, que se apresentaram no mesmo evento. Em uma época de ditadura (o ano era 1982), Renato não se deixou abater. Esbravejou argumentos de liberdade de expressão e em nada ajudou as circunstâncias. Por sorte, acabaram liberados. Essa é a história como foi contada, inúmeras vezes.

Poucos sabem, porém, que aquela experiência não era inédita. Renato já havia sido preso ao menos outras duas vezes, na cidade onde ele se tornaria um dos maiores ícones da música brasileira. “Ele já tinha ido para a cadeia em uma Festa dos Estados, por desordem ou coisa do tipo, mas me lembro dele sendo preso e enviado a uma delegacia do Lago Sul. Foi pego com cheirinho de loló. Nem se aborreceu. Passou a noite cantando blues para os policiais”. Assim lembra Zé Renato Martins, um dos melhores amigos de Renato, que ainda era Manfredini naqueles dias, mas já profetizava: “Vou fazer muito sucesso e criar uma grande banda de rock”.

Os dois se conheceram em alguma das farras que tomavam conta da Colina — alojamento dos professores da UnB e reduto dos artistas da cidade. Conversaram sobre astrologia — um dos temas favoritos do músico — e acabaram amigos. Passaram a escutar música juntos — “não somente rock, mas MPB também, como Milton e Chico —, frequentar o Gilbertinho e protagonizar algumas animadas confusões nos históricos acampamentos que reuniam a turma da época.

Andava por ali a estudante Ana Cristina Ferreira, amiga de Renato Russo desde os tempos do Marista. Carioca como ele — Renato chegou em Brasília em 1973, após uma temporada em Nova York—, a empatia foi imediata. Logo, tornaram-se inseparáveis: “Nós gostávamos de andar, mas também de ficar no quarto dele conversando e escutando música. Íamos ao cinema, a lojas de disco, ao (Concerto) Cabeças, ao Beirute”, lembra Ana.

A proximidade criou, inclusive, certa suspeita. A mãe de Renato desconfiava da porta fechada quando Ana estava por lá e mandava a filha Carmem intervir. A lembrança do episódio sempre desperta risos na amiga, que prefere preservar na memória outras tantas histórias: “Fizemos algumas coisas muito malucas, que é melhor deixar guardadas”.

O músico e o aluno
Renato e Ana se conheciam há um ano, quando ele montou a primeira banda, Aborto Elétrico. Causada por divergências entre Renato e Fê e uma baqueta voadora, a dissolução do grupo resultaria na formação da Legião Urbana e do Capital Inicial.

A composição clássica da Legião remonta à amizade com Zé Renato Martins, que, sem querer, contribuiu para o nascimento do grupo. “Apresentei Marcelo Bonfá à galera punk de Brasília e o levei a um show do Aborto. Foi quando ele assistiu ao Renato pela primeira vez”. Hoje diretor de televisão, Zé Renato lembra o lado humano do companheiro e prefere enxergá-lo por inteiro. “Um gênio. Daqueles que conhecemos apenas uma vez na vida. Mas era um garoto complexo, cheio de virtudes e dificuldades.”

Não faltaram oportunidades e vontade para que a professora Maria Coeli entendesse o tímido estudante que frequentava suas aulas de teatro no curso de comunicação do Ceub. “Era muito interessado. Entendia tudo de cinema”, ressalta. A relação transgredia a sala de aula e invadia o apartamento da professora: “Ele até passou um Natal comigo”. Nem a fama os afastou. Mesmo com o sucesso da Legião, Renato nunca deixou de procurar Coeli. A mala sempre vinha repleta de lembranças. O maior presente, porém, apareceu quase sem querer. “Tivemos uma longa conversa sobre a relação dos pais com os filhos. Falei do meu descontentamento. Sugeri que escrevesse sobre o assunto. Sobre pais e filhos”. O resto é história.

Na telona

Dois filmes sobre a obra de Renato Russo estreiam no mês que vem

Somos tão jovens
Biografia que mostra a fase antes da Legião Urbana de Renato Russo
Estreia: 3 de maio
Direção: Antônio Carlos da Fontoura
Elenco: Thiago Mendonça (Renato Russo), Bruno Torres (Fê Lemos), Nicolau Villa-Lobos (Dado Villa-Lobos), Conrado Godoy (Marcelo Bonfá), Ibsem Perucci (Dinho)

Confira o trailer



Faroeste caboclo
Baseado na música homônima escrita pelo cantor em sua época de Trovador Solitário
Estreia: 30 de maio
Direção: René Sampaio
Elenco: Ísis Valverde (Maria Lúcia), Fabrício Boliveira (Santo Cristo), Felipe Adib (Jeremias), Antonio Calloni (policial corrupto), César Troncoso (Pablo)

Confira o trailer

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