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Correio Braziliense

Origem do samba brasiliense passa pela criação de escolas de samba no DF

Patrimônio Cultural e Imaterial do Distrito Federal desde 2009, a Aruc coleciona títulos e histórias. Com 51 anos, 48 desfiles e 31 títulos, ela é a única agremiação no Brasil a ser octacampeã

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postado em 21/04/2013 07:00 / atualizado em 19/04/2013 16:18

Ed Alves/CB/D.A Press

Afirmar a data exata dos primeiros acordes de um cavaquinho em Brasília é tão polêmico quanto o debate se o samba nasceu na Bahia ou no Rio de Janeiro. Porém o 21 de outubro de 1961 pode ser um bom começo para entender como a cidade ganhou o ritmo e o suingue, hoje, essencialmente cariocas. Naquela data, um grupo de moradores, em sua maioria funcionários públicos transferidos da capital fluminense, reuniu-se na casa do então militar Paulo Costa para criar eventos de esporte e música. Os encontros aumentaram, o grupo cresceu e se transformou em uma das principais escolas de samba do Distrito Federal, a Associação Recreativa Cultural Unidos do Cruzeiro (Aruc).

Patrimônio Cultural e Imaterial do Distrito Federal desde 2009, a Aruc coleciona títulos e histórias. Com 51 anos, 48 desfiles e 31 títulos, ela é a única agremiação no Brasil a ser octacampeã, superando até a madrinha Portela, que ganhou sete vezes na década de 1940. Entre os episódios mais curiosos está o caso de amor entre o presidente Paulo Costa e a porta-bandeira conhecida como Maria Pé-Grande. “Ele se apaixonou por uma mulher da escola de samba rival, Alvorada em Ritmo, e os integrantes da Aruc ficaram revoltados. Foi uma comoção geral”, lembra Hélio dos Santos, presidente licenciado. Para viver o romance, Paulo saiu da agremiação e a paixão shakespeariana virou um samba de terreiro, que diz: “No Cruzeiro deu-se um caso tão medonho/Que pra mim parece um sonho/Não pensava haver/Por que, por que, por que/Muita gente se gloreia/Se o Cruzeiro morrer”.

Nos anos seguintes, a folia brasiliense obteve reforços. Em 1969, surgiu a Acadêmicos da Asa Norte, que teve o início muito parecido com o da Aruc: um grupo de cariocas movidos pela saudade do Rio. Nove anos depois, o carnaval ganhou o tom crítico com a chegada do Pacotão. O bloco — uma irônica homenagem ao Pacote de Abril, lançado pelo general Geisel, em 1977 — sai aos domingos e às terças, sempre na contramão da W3 Norte-Sul.

Clube de bambas

Mas nem só de carnaval vive o samba. Ainda na década de 1970, Brasília ganhou o Clube do Samba, projeto idealizado pelo portelense Carlos Elias. Durante três anos, às segundas-feiras do Teatro Galpão (508 Sul) foram embaladas por partidos-altos e sambas-canções de artistas da cidade. De lá para cá, outros grupos surgiram, como Coisa Nossa, Amor Maior, Marangalha e Toque de Salto, consolidando a extensa lista de talentos brasilienses que não para de crescer”.

Fundado em 2006, a partir de um encontro de amigos, o Adora-Roda faz parte da nova geração de sambistas de Brasília. Breno Alves (voz e pandeiro) tocava em uma banda de samba e pagode com Kadu Nascimento (voz, tantã e caixa) quando entrou no Clube do Choro e se aproximou das músicas de Cartola e Nelson Cavaquinho. “Queríamos fazer uma roda de samba no chão, em que todos pudessem participar, aí surgiu o Adora-Roda, que era só um evento no início”, conta Breno. A banda está com o primeiro disco pronto, o lançamento deve acontecer até julho.

» Participação especial

Breno Alves lembra de um episódio inesquecível com Monarco. “No fim de um show tocamos Corri pra ver. Ele ia embora, quando voltou e colocou o chapéu dele na minha cabeça. Foi emocionante. Ali, ficamos mais próximos. Pedi uma música para registrar no disco do Adora-Roda e ele sugeriu a gravação de O felizardo”, recorda Breno.
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