Cidades

Mais um preso é investigado no caso Villela

Guilherme Goulart
postado em 06/10/2009 08:19
A polícia mantém detido um segundo homem suspeito de envolvimento no triplo homicídio ocorrido na 113 Sul. A versão foi dada pela mulher do até então único preso desde o início das investigações dos assassinatos de José Guilherme Villela, Maria Carvalho Mendes Villela e da principal empregada da família, Francisca Nascimento da Silva. Ela voltou a prestar depoimento na tarde de ontem na 1; Delegacia de Polícia, na Asa Sul, e descreveu ao Correio o segundo rapaz (cuja inicial do nome é A.) como um homem de ;aparência marcante e balaiage no cabelo;. Identificou-o como amigo de D. ; inicial do nome do marido dela ; e estaria com ele no dia do crime, 28 de agosto. ;Até onde eu sei, D. é suspeito de ter dirigido o carro naquele dia e o A., de ter dado as facadas;, afirmou a mulher, que pediu para não ser identificada.

[SAIBAMAIS]Além das prisões, a polícia tem indícios de que D. possui algum tipo de ligação com um ex-funcionário dos Villela. O nome dele acabou descoberto pelos investigadores depois da análise de todas as ligações telefônicas feitas e recebidas pela torre de celular localizada nas proximidades da 113 Sul em 28 de agosto. Pendências com a Justiça e a polícia fizeram com que os policiais suspeitassem da participação de D. no triplo homicídio. Os investigadores estão à caça de provas contra os dois acusados.

A mulher de D., no entanto, negou que o marido seja um matador de aluguel. O suspeito disse a ela que foi ao Plano Piloto no dia do crime para resolver problemas no Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), relacionados a um carro que venderia. A mulher também afirmou que ele trabalha com compra e venda de veículos e não costumava ir ao Plano Piloto. ;Fui criada no Cruzeiro e, às vezes, ia até lá com o D. Quando passávamos pela Feira dos Importados, ele me perguntava se aqui era o Plano Piloto;, lembrou. No dia da prisão, a polícia apreendeu também um Astra furtado em posse de D. Por isso, mantém-no preso. ;Eu nunca soube que o carro era roubado. Eu mesma já andei com ele na rua várias vezes. Se soubesse, não teria me arriscado;, garantiu.

De acordo com a mulher, o marido tem passagem pela polícia por assassinato. O crime teria sido cometido em Santa Terezinha, na Paraíba, cidade natal de D. e de A. Ele teria levado um carro à tal cidade para vendê-lo. Mas, chegando lá, um policial militar apreendeu o veículo, que, segundo ela, estava em condições regulares. ;Na versão de D., o PM quis uma propina de R$ 2 mil para liberar o carro. Eles brigaram e depois de 10 dias o policial apareceu morto. Mesmo jurando que não foi ele quem matou o homem, D. cumpriu quatro anos de prisão na Paraíba. Ele nega o tempo todo ser pistoleiro;, contou a mulher.

;Sangue quente;
D. e a companheira dele, que é servidora pública e tem por volta de 30 anos, vivem juntos há um ano e meio no Riacho Fundo. O filho dela também mora com o casal. Ela descreveu o marido como um homem de sangue quente, mas incapaz de machucá-la ou ameaçá-la. ;Ele é um típico nordestino, esquentado, mas não é nada fora do normal. É difícil conhecer a mente humana, mas meu marido nega o envolvimento nesse crime e eu acredito nele. A polícia não sabe para onde ir na investigação e está atirando para todos os lados;, disse. Preocupada, ela tentava entregar o almoço de D., antes do depoimento. Acreditava que o marido ainda estava na 1; DP e não no Departamento de Polícia Especializada (DPE).

Dias antes de ser preso, D. estava no Nordeste. A companheira dele contou que o marido viajou para vender um carro. Quando foi surpreendido pelos agentes, na última terça-feira, D. chegava em casa, após passar três dias em um ônibus de volta a Brasília. ;Nós estamos contando as moedinhas para viver. Se ele tivesse recebido dinheiro ou ficado com as joias desse crime, não estaria andando de ônibus e passando necessidade;, defendeu. ;Ele me disse que não seria louco de se envolver em um crime como esse. Que é um pobre coitado e se daria muito mal. É uma loucura o que aconteceu com a minha vida, todos os meus vizinhos no Riacho Fundo já sabem dessa história e está difícil de encará-los. Sou servidora pública, tenho estabilidade e sempre vivi corretamente. Não sei o que pensar;, concluiu.

Depoimentos

Além do depoimento da mulher de um dos suspeitos do triplo homicídio, compareceu à tarde na 1; DP a namorada de Augusto, filho do casal assassinado. Ela entrou pelos fundos da delegacia da Asa Sul e não conversou com a imprensa. A mulher já havia estado na unidade policial na sexta-feira à noite, acompanhada do atual companheiro, mas a delegada-chefe da 1; DP, Martha Vargas, não teve tempo de atendê-la.

A polícia também recebeu ontem as peças do inquérito aberto para apurar as mortes ocorridas na 113 Sul. A papelada tinha sido encaminhada ao Tribunal do Júri de Brasília na última quinta-feira, quando os investigadores do caso pediram prorrogação de 60 dias para concluir o caso. O promotor Maurício Miranda, no entanto, entendeu que 30 dias seriam suficientes para encaminhar as investigações. Há duas hipóteses: crime por encomenda e latrocínio (roubo com morte). A primeira é mais forte que a segunda. Os laudos periciais feitos no imóvel dos Villela e em fragmentos de impressões digitais ainda não ficaram prontos.

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