Mariana Flores
postado em 22/01/2010 08:26
O mercado de trabalho de Brasília não passou tão ileso pela crise econômica como se previa. O saldo de empregos formais criados no ano passado foi positivo em 17.422 vagas, mas o volume foi inferior ao de 2008, quando 26.245 pessoas conseguiram um posto com carteira de trabalho assinada, segundo números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. A redução de 33% foi similar à verificada na média nacional, apesar de Brasília ter tido uma queda dos salários(1), ao contrário do que aconteceu na maioria do país. A desaceleração foi acentuada em dezembro de 2008. No último mês do ano foram fechados 4.751 postos de trabalho no Distrito Federal. Desde 1999, sugiram 178,8 mil vagas formais na capital do país.A perda de ritmo ocorreu principalmente no setor de serviços. O segmento criou 4.635 empregos no ano passado. Em 2008, foram 17.608. Muitos profissionais podem estar sendo contratados de outras formas que não seja com carteira de trabalho assinada. Mas a desaceleração também pode ser consequência do aumento do salário mínimo, o que inibe algumas contratações, segundo o economista Adolfo Sachsida, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB). ;O aumento do salário mínimo pode inibir algumas contratações de profissionais que têm o piso salarial preso ao mínimo. Mas, em 2010, mesmo com o aumento do mínimo, esse movimento não deve se repetir, já que a previsão é de que a economia tenha um desempenho muito bom. Deve ser um bom ano para a criação de emprego.;
Bom desempenho
Os setores que mais empregaram em 2009 foram o comércio e a construção civil. Dois em cada três trabalhadores foram contratados por empresas das duas áreas. Ao todo, foram empregados 5.459 brasilienses e 6.167, em cada um deles. Esses resultados superam os de 2008 ; 2.945, no comércio e 3.022, na construção civil. O bom desempenho nos dois setores puxou a oferta de postos de trabalho, de acordo com Sachsida.
A vendedora Crhistianne Carvalho Sousa, 27 anos, pegou carona no bom desempenho do varejo. Em novembro, ela foi contratada como temporária em uma loja de sapatos infantis. Este mês, soube que será efetivada no quadro da rede. Uma boa notícia para quem, depois de 13 anos de experiência, passou cinco meses dependendo do seguro-desemprego e da ajuda do pai para sustentar a casa em que mora com o filho em Planaltina. ;Foi um período difícil, até consegui fazer algumas entrevistas, mas a disputa pelas vagas estava muito concorrida;, conta.
O giro dos trabalhadores no mercado de trabalho do Distrito Federal foi intenso. O saldo de 17.422 vagas foi provocado pela demissão de 268.501 pessoas e pela contratação de outras 285.923. No setor de serviços, por exemplo, 149.853 brasilienses foram admitidos, mas outros 145.218 perderam o emprego. Na administração pública, 835 pessoas tomaram posse e outras 580 se desligaram. O saldo ficou positivo em 255 servidores.
1 - Renda menor no DF
O rendimento médio do brasiliense caiu 2,15% no ano passado, segundo o Ministério do Trabalho. A remuneração média caiu de R$ 835,77 para R$ 817,79. Na média Brasil a renda aumentou, em média, 5,24%. O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, atribuiu a queda na capital federal à substituição de terceirizados promovida pelo governo federal ao longo do ano.
Mercado em 2009
Evolução por ano:
1999 - 1.514
2000 - 15.301
2001 - 11.569
2002 - 17.117
2003 - 8.411
2004 - 26.194
2005 - 25.356
2006 - 13.374
2007 - 16.364
2008 - 26.245
2009 - 17.422
Vagas em 2009
Indústria extrativa mineral - 53
Indústria de transformação - 973
Serviço industrial de utilidade pública - -151
Construção civil - 6.167
Comércio - 5.459
Serviços - 4.635
Administração pública - 255
Agropecuária - 31
Outros ;
Total - 17.422
Os setores industriais que mais empregaram:
Produtos minerais não metais
Metalúrgica
Mecânica
Materiais elétricos e de comunicação
Materiais de transporte
Madeira e mobiliário
Papel, papelão e editorial
Borracha, fumo e couros
Química, produtos farmacêuticos e veterinários
Têxtil e vestuário
Calçados
Produtos alimentícios e bebidas
O varejo é campeão:
Comércio varejista - 4.528
Comércio atacadista - 931
Prestadoras de serviços:
Instituições financeiras - 160
Condomínios, administradoras de imóveis - -5.639
Transporte e comunicação - 86
Alojamento e alimentação - 5.859
Médicos e odontológos - 3.325
Ensino - 844
Fonte: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.