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| Quando quita um carro, a advogada Ana Flávia compra outro novo: "O crédito farto permite isso" |
Haja rua para tanto carro. Dados obtidos com exclusividade pelo Correio reforçam que a volta do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não arrefeceu a venda de veículos novos no Distrito Federal. Nos primeiros 10 meses do ano, 96.295 automóveis deixaram os pátios das concessionárias, segundo o balanço mais recente do sindicato do setor. Equivale dizer que um carro foi vendido a cada quatro minutos e meio — isso se as lojas funcionassem 24 horas, de segunda a segunda.
Em 2009, 113.686 veículos novos ganharam as vias da capital federal. A frota atual, segundo o Departamento de Trânsito (Detran), ultrapassa 1,2 milhão. Em ritmo frenético, as concessionárias devem comemorar ao fim deste ano o melhor desempenho da história. Serão pelo menos mais 17 mil carros rodando em Brasília até dezembro, caso se confirmem as previsões do setor. A ordem é bater recordes nos próximos dois meses.
No mês passado, o total de unidades comercializadas chegou a 10.414. Houve um recuo de 2,6% na comparação com setembro e de 7,2% em relação a outubro passado. Mesmo assim, as vendas contribuíram para que o acumulado do ano registre, até aqui, um avanço de 0,8% ante o mesmo período do ano passado. A tendência, sustenta o presidente do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos Autorizados do DF (Sincodiv-DF), Ricardo Lima, é que os números de 2010 superem os de 2009.
Tradicionalmente, muita gente pensa em trocar de carro no fim do ano. E com o 13º salário na conta, fica mais fácil tomar a decisão. “Mesmo tendo como referência um ano extraordinário como 2009, por conta do IPI reduzido, provavelmente vamos vender mais este ano”, comenta Lima, antes de lembrar que o consumo de veículos no Brasil só não é maior do que na China, nos Estados Unidos e no Japão. “E em 2011, não restam dúvidas, vamos continuar crescendo”, acredita.
O bom momento da economia brasileira, associado ao crédito em abundância e às facilidades de pagamento, deixa eufóricos vendedores e clientes. Em meia hora — ou antes disso — o cadastro é aprovado e o interessado pode levar para casa um veículo parcelado em até seis anos, sem nada de entrada. “As montadoras estão oferecendo bonificações agressivas. Ninguém no mercado está disposto a perder venda”, comenta Estenio Costa, gerente da Bravesa, concessionária da Volkswagen.
BrindesDesde janeiro, 10 novas lojas de veículos abriram as portas no DF: já são 83 no total. A cada ano, mais marcas expandem seus negócios na capital do país, apostando no potencial de compra do brasiliense. Em média, 75% dos carros vendidos em Brasília são financiados. As taxas de juros do mercado têm variado entre 0,99% e 1,70%. Os brindes — emplacamento, IPVA, conjunto de tapetes, som, frisos — viraram itens obrigatórios na negociação. “Se não oferecer nada, o cliente não leva”, conta Costa.
A advogada Ana Flávia Almeida, 31 anos, levou um Voyage ontem, com brindes inclusos. Será o segundo carro financiado da família. “É assim: quando termina de pagar um, compro outro. O crédito farto permite isso”, avalia ela, que conseguiu diminuir o valor inicial do carro em R$ 3 mil, após pesquisar preço em três concessionárias.
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Depois de perder o carro em um acidente, André Di Macedo adquiriu um zero, financiado em 36 parcelas: "É muito fácil comprar carro hoje" |
O produtor de eventos André Di Macedo, 28 anos, também está rodando na cidade de carro novo. Ele bateu o antigo, que teve perda total. Depois do susto, ao fazer as contas com o seguro, optou por comprar um 0km. “É muito fácil comprar carro hoje. Parcelei em 36 vezes e o valor cabe no meu orçamento”, diz Macedo. Especialistas em educação financeira costumam lembrar que os gastos com veículo não se resumem ao financiamento. Acumulam-se despesas com seguro, IPVA, revisão e manutenção, combustível, estacionamento.
Antes de chegar ao fim do ano em clima de festa, as concessionárias passaram por momentos de indefinição ao longo de 2010. Com a volta do IPI, em abril, o movimento nas lojas diminuiu, como era de se esperar. Ninguém arriscava dizer como seria o desempenho no segundo semestre. “O que vemos hoje é uma certa estabilização, porque ainda estamos retomando as vendas. A expectativa maior é, de fato, com novembro e dezembro”, pondera Alexandre Sena, gerente da Jorlan, da General Motors.
ProjeçãoDe acordo com levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgado no fim do mês passado, o montante injetado na economia local com o 13º salário em 2010 será de R$ 4,15 bilhões, um volume 24% superior ante 2009. Cerca de 1,4 milhão de trabalhadores serão beneficiados.
DesoneraçãoCom a crise econômica mundial no fim de 2008, o governo federal decidiu reduzir o IPI para estimular a venda de carros novos. A desoneração deveria ter acabado em dezembro passado, mas foi prorrogada até março deste ano com a intenção de manter o mercado aquecido. Montadoras pressionam o governo para que a redução seja definitiva para modelos flex.
Palavra de especialista
Alto risco de desconforto“Os números revelam a velha ideia do sonho americano, em que cada um corre atrás do seu sonho individual, no caso o carro. Essa tendência moderna de individualização deixou de ser uma boa. Estamos todos parados nos engarrafamentos por esse motivo. Em países da Europa, as pessoas já perceberam isso. Aqui, ainda não. O transporte individual, obviamente, ocupa mais espaço nas ruas. E em Brasília é muito difícil ver algum veículo com mais de dois ocupantes. É preciso mudar o raciocínio de transporte e o padrão do transporte coletivo. As pessoas compram carros porque não confiam no transporte coletivo. Se nada for feito, em menos de 10 anos estaremos numa situação pior que a de São Paulo. E rodízio não será solução, como não foi na capital paulista.”
Flávio Dias, professor do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes da Universidade de Brasília (Ceftru/UnB)
Mercado aquecido
Vendas em 2010Janeiro - 6.753
Fevereiro - 7.569
Março - 12.378
Abril - 10.408
Maio - 8.118
Junho - 8.674
Julho - 10.001
Agosto - 11.287
Setembro - 10.693
Outubro - 10.414
Acumulado do ano (janeiro-outubro)2003 - 32.076
2004 - 37.683
2005 - 41.165
2006 - 52.975
2007 - 69.996
2008 - 81.591
2009 - 95.523
2010 - 96.295
Ranking da preferência (janeiro-outubro)Fiat - 26.266
Volkswagen - 20.903
General Motors - 13.269
Ford - 7.553
Renault - 5.021
Honda - 4.207
Hyundai - 3.583
Toyota - 2.905
Citroën - 2.431
Peugeot - 2.297
Fonte: Sincodiv-DF
Esta matéria tem: (11) comentários
Autor: Douglas Leal
kkk Pego mulher mesmo sem carro. Mas com uma carreta é bem mais fácil (ir e vir, e não pegar {a não ser as marias-gasolina}). Mas andar de baú é mesmo desistimulante, sempre lotados, atrasados, desconfortáveis, lentos. Mas andar de carro tbm é caro, estressante, e o risco alto: batida, roubo, etc. | Denuncie |
Autor: Gleyston Lemes
Acho que o assunto aqui não é qual montadora de carros é melhor ou pior, a questão da matéria é a quantidade de carros que estão sendo colocados nas ruas a cada dia ou mês. Acho que sendo um carro novo, qualquer marca, é melhor do que andar de ônibus. O meu não é FIAT, mas já tive e me atendeu bem. | Denuncie |
Autor: jose barros
aqui nao se pega mulher sem carro, andar de onibus virou sinonimo de ser pé rapado, sem falar que até de moto voce é mais bem visto... carro é status social! trabalho pra isso mesmo | Denuncie |
Autor: jose barros
andar de onibus na chuva, experimente e irá te dar mais vontade ainda de comprar um. agora a Fiat continua liderando com essas porcarias dela, to fora. | Denuncie |
Autor: Guilherme Guilherme
É verdade, o caos no trânsito de Brasília não será em 10 anos, mas 5 ou 3 anos, diante de tantos carros e de tanta concentração de prédios, com poucas vagas, como ocorre aqui em Aguas Claras. Sem um metrô eficiente e sem linhas de ônibus com pouco tempo de espera, o caos virá em breve. | Denuncie |
Autor: Andrea Souza
Pois fizeram uma cidade pro povo andar só de carro, e depois reclamam que as pessoas ficam comprando carros. Transporte público não resolve, pq vc tem que andar mais de 1km pra chegar na parada, ou pegar um ônibus pra ir pra parada certa. Agora agüenta, ou melhora o transporte. | Denuncie |
Autor: Marcio Rocha
Eu já uso a bicicleta para ir ao trabalho. Graças a Deus estou livre do trânsito, que ainda nem é assim "tão" ruim, mas já está cheio de gente doente. E olha que nem moro em um raio de 1km de casa! 8km de casa ao trabalho, e mais uns 15km a noite, pois sempre dá vontade de esticar por aí na volta. | Denuncie |
Autor: Marcos Andrade
Esse negócio de "carona solidária", seria uma opção para quem faz questão de ir de carro. Daqui a pouco vai apareceu um gaiato dizendo que tem que ter rodízio de véiculos. O GDF TEM É QUE CRIAR VERGONHA E DAR TRANSPORTE PÚBLICO DE QUALIDADE, ASSIM AS PESSOAS NATURALMENTE DEIXAM OS CARROS EM CASA. | Denuncie |
Autor: Gustavo Martins
O Flávio está sendo extremamente otimista ao prever o caos prá daqui a 10 anos. Brasília tem os mais lerdos motoristas do País (a maioria admite que não saberia dirigir no Rio ou São Paulo) À vista disso creio que em menos de 3 anos isso aqui vai ficar pior que São Paulo ou Rio fácil, fácil... | Denuncie |
Autor: Paolo Valotto
A Carona solidária seria uma boa ideia. Quatro colegas de trabalho meus moram num raio de 1km e todos vão de carro. Porque? Fomos os cinco num carro só e por pouco não fomos multados pelo DETRAN, que nos tomou meia hora até confirmarmos todos os nomes e local de trabalho. Agora vão todos de carro. | Denuncie |
Autor: Marcos Andrade
É o jeito comprar carro! O tranporte público é uma porcaria mesmo. Nunguém dá jeito nisso. | Denuncie |