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Custo de festas de casamento em Brasília sobe até 40% de um ano para outro

Os arranjos de flores, por exemplo, dobraram de preço nos últimos 12 meses

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postado em 23/01/2011 09:01

Se casar fosse investimento, seria um dos melhores do mundo. Pelo menos para quem promove ou vende serviços para esse tipo de comemoração. Em Brasília, de um ano para o outro, o valor da festa dos noivos sobe de 10% a 40%. Essa valorização dá um baile até sobre os imóveis, que na capital encarecem, em média, entre 15% e 20% ao ano. Mas, como não se trata de uma aplicação, o aumento nunca é bom para os noivos. Principalmente para aqueles que guardam as economias na poupança, que no ano passado rendeu meros 6,9%.

Rafael Ohana/CB/D.A Press
A estudante de direito Anajara Alves dos Santos está com quase tudo pronto para o casamento. Faltam menos de quatro meses para a festa e os serviços estão todos contratados. Eles seguem a mesma qualidade e os padrões escolhidos pela irmã, Aleine Alves Bonfim, há cinco anos. No entanto, há uma grande diferença entre as duas comemorações: R$ 30 mil. Apenas no intervalo entre as duas cerimônias houve um aumento de 75% no custo da festa.

Aleine conta que, mesmo sabendo da valorização, ela preferiria ter poupado mais. “Na época, a minha vontade ainda era de ter gastado menos. Acontece que a gente começa a ver os detalhes e é tudo maravilhoso. Eu não me arrependo, mas hoje teria investido parte desse dinheiro para dar de entrada em uma casa ou em um carro. Até porque a gente nunca agrada a todos. No fim, alguém sempre sai reclamando”, lamenta. A irmã discorda: “Eu acho que vale a pena. É um sonho e só acontece uma vez na vida. Pelo menos é o que todo mundo espera”, brinca Anajara. Segundo a noiva, a parte mais cara do casamento até agora foi a decoração. Entre ornamentar a igreja e o salão foram investidos R$ 25 mil. Preço superior ao buffet para servir 300 convidados.

E são justamente as flores que mais subiram de preço nos últimos anos. Apesar de haver diversas opções de enfeites e estilos, os arranjos estão presentes em quase todos os casamentos. A cerimonialista Lyana Azevedo conta que a maioria das flores vem de Holambra, no interior de São Paulo. As plantas são leiloadas e encarecem de acordo com a demanda. Em maio, por exemplo, conhecido por ser o mês das noivas, o lote é sempre mais caro. “Por isso, em geral, os decoradores trabalham cobrando o teto durante o ano todo, para evitar prejuízos. Se der uma geada na região, simplesmente não tem flor no mercado. Para se ter uma ideia, o preço subiu 100% nos últimos dois anos”, conta.

O cerimonialista César Serra aponta outro motivo para a escalada dos preços: a inflação sobre os alimentos. “O reflexo é automático sobre o nosso trabalho. Faz parte do nosso custo de produção e isso acaba sendo repassado. O filé e o chocolate tiveram um aumento muito grande. Não se faz casamento sem nenhum dos dois”, afirma. Ele conta também que alguns opcionais, como o camarão gigante, subiram tanto que nenhuma empresa poderia absorver a diferença. “Até novembro, o quilo era vendido por R$ 85. Hoje, eu não compro por menos de R$ 130. Sem contar que fechamos o contrato hoje para servir em um ano, por isso o nosso risco é muito grande”, justifica.

Antecipação
Para minimizar a possibilidade de fechar um orçamento defasado, alguns salões de festas projetam o preço do aluguel e comercializam hoje um valor de 2012. No Espaço Cristal Brasília, no Riacho Fundo, a noiva pode evitar o reajuste se fizer o pagamento à vista. “Faltam espaços para alugar na cidade, por isso os reajustes são praticamente anuais. Além disso, a gente sempre faz melhorias no espaço de um ano para o outro. O serviço melhora e o preço aumenta, acompanhando o mercado”, explica a gerente do local, Giovani Tokarski.

Outro custo que pesa no bolso é o registro da cerimônia em fotos. “Disso tudo, a única lembrança que fica é o álbum”, argumenta o fotógrafo Lincon Iff. Embora a gama de profissionais dispostos a realizar o serviço também seja grande na cidade, os preços dificilmente começam por menos de R$ 7 mil. “Em 2007, o meu preço era a metade do que é agora. Ocorre que a tecnologia avança e os produtos vão ficando melhores e mais caros. Um botão da minha máquina custa R$ 1.400, o meu material de trabalho todo é muito caro”, afirma.

O fotógrafo Glenio Dettmar diz que não reajustou o preço nos últimos dois anos para não ficar muito acima do mercado. No entanto, ele afirma que os aumentos anuais são muito comuns e necessários para cobrir a diferença com combustível, equipe, revelação e álbum. “O que tenho feito é oferecer além dos produtos ‘top de linha’, os que são tradicionais e mais baratos. Quem quiser paga pela mudança. Se não for assim, o trabalho não dá lucro.”

Colaborou Diego Amorim



Dicas ajudam a economizar

Antes de quebrar o porquinho, vale a pena seguir as dicas de outras noivas que viveram a experiência. A nutricionista Joana Holanda, que se casou no ano passado, conta que evitou contratar serviço de cerimonial. Com isso, ela economizou de R$ 3 a R$ 12 mil. No buffet, dispensou o camarão, o que representou R$ 5 a menos para cada convidado. Em uma festa para 200 pessoas, são R$ 1 mil a menos. Os reajustes anuais com o aluguel do salão também são evitáveis. Se a festa for programada com antecedência, a economia média é de 10% sobre o valor do espaço.

Do Plano Piloto às regiões do Distrito Federal, o preço pode oscilar entre R$ 2 mil e R$ 9 mil pela noite. A servidora pública Nicole Back Fontenele Melo teve a sorte de ganhar o espaço para a festa na própria igreja. Quem mora em casa também tem a opção de aproveitar o espaço. O dinheiro pode servir para incrementar a decoração, e o quintal fica com ar de salão de festas. Nicole também dividiu a decoração do altar com outra noiva do dia. A estratégia é econômica e bastante conhecida pelos casais. Com a verba menos comprometida, a lista de 200 convidados se transformou em uma festa para 400 pessoas. (JB)
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