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Usuários passam horas na fila para colocar créditos no Fácil DFTrans prometeu abrir, na próxima semana, novos postos de abastecimento

Naira Trindade

Publicação: 04/02/2011 08:00 Atualização:

Fila na agência da Fácil no Setor Comercial Sul, no início da tarde de ontem: recarga começa a ser normalizada (Edilson Rodrigues/CB/D.A Press )
Fila na agência da Fácil no Setor Comercial Sul, no início da tarde de ontem: recarga começa a ser normalizada
A peregrinação em longas filas para validar a recarga do cartão Fácil Brasília Transporte Integrado — direito garantido por lei — continua hoje para mais de160 mil estudantes. A desorganização no atendimento e o desencontro de informações transformaram um procedimento simples em horas de tormento. Pais e alunos permaneceram toda a manhã e no início da tarde nas filas, sob chuva eventual e sol forte. Ontem, a Fácil efetuou 3,1 mil recargas, creditando cerca de R$120 mil.

No posto do Setor Comercial Sul (SCS), o atendimento ao público começou com meia hora de atraso. Um problema técnico com o sistema de internet impossibilitou a abertura das portas ao meio-dia, como estava previsto nos cinco postos: Samambaia, Gama, Sobradinho, Taguatinga e SCS. Nesse último, senhas foram distribuídas para os estudantes que aguardaram na fila. Até as 12h, pelo menos 400 pessoas esperavam sem saber se conseguiriam ser atendidas.

A estudante de direito Anne Thalita Alves Nunes, 19 anos, não resistiu ao sol quente. “Senti um grande mal- estar. Precisei deixar a fila, sentar-me à sombra e tomar remédio para melhorar. Meia hora depois, consegui voltar à fila”, disse, frustrada com o descaso da empresa. À espera desde as 7h, a cabeleireira Adriana Braz, 34 anos, voltou para casa, em São Sebastião, sem cadastrar a filha Mariane Magalhães, 16, no sistema de bilhetagem gratuita. “Saí de casa às 5h para garantir a inscrição dela no sistema, mas não adiantou. Eles não vão fazer novos cadastros, só recarregar”, lamentou.

Atendimento
A mudança no procedimento da Fácil começou este ano com a aprovação da Lei nº 4.494.  A partir de agora, a inscrição de novos alunos no sistema deve ser feita por um órgão público. Para atender a nova demanda, o Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans) prometeu abrir, na próxima segunda-feira, 23 postos improvisados em regionais de ensino e administrações. “Os estudantes não vão ficar desamparados”, garantiu Marco Antônio Campanella, diretor do DFTrans.

A corrida aos postos da Fácil começou ontem, após o governo liberar R$ 3 milhões emergenciais para garantir o acesso gratuito aos transportes . “Com as alterações no sistema de cobrança da tarifa, os R$ 3 milhões equivalem a R$ 9 milhões”, explicou Júlio César Antunes, coordenador do serviço de atendimento ao cliente da Fácil Brasília Transporte Integrado. O artigo 2º da nova lei determina que a gratuidade concedida será custeada pelo Distrito Federal em apenas um terço. Os outros dois terços serão bancados pelo Sistema de Transporte Público Coletivo do Distrito Federal ou pelo Metrô — ou seja, pelas empresas —, sem aumento de tarifa.

O consultor técnico José de Maria Sousa Silva, 40anos, teme que sua filha sofra algum tipo de constrangimento ao usar o benefício na roleta do coletivo. “O cartão dela foi abastecido apenas com R$ 54. Deveria conter R$ 162. Eles vão cobrar R$ 3 ou R$ 1 quando ela passar na catraca?”, questiona. “Os sistemas de cobrança já estão adequados a cobrar dos estudantes nas linhas cadastradas apenas um terço da passagem, ou seja, R$1”, esclareceu Antunes.

Caso a passagem seja cobrada integralmente, o estudante deve procurar os postos de atendimento para reverter a situação. A expectativa de atendimento para hoje é de pelo menos 7 mil usuários. O número é superior ao primeiro dia porque a recepção ocorrerá das 8h às 17h. Excepcionalmente amanhã e domingo, os cinco postos abrirão às portas das 9h às 18h para fazer recargas.

O povo fala
O que você acha do atendimento da Fácil?

Izabella Deusdará,
15 anos, estudante, moradora de São Sebastião
“O sistema é demorado e sempre tem filas. Todos os anos a cena se repete. Falta agilidade. Deveriam disponibilizar mais postos para descentralizar o atendimento e não termos que nos sujeitar a este constrangimento.”

José Lucas da Costa,
48 anos, cobrador, morador de São Sebastião

“Prometeram que fariam a recarga pela internet, mas até agora não começaram. O sistema deveria ser informatizado. Não dá mais para enfrentar filas e mais filas debaixo de chuva e sol quente.”

Isaura Pereira Alves,
39 anos, diarista, moradora de São Sebastião

“A desinformação pelos próprios funcionários da empresa impressiona. A cada hora dizem uma coisa, passam uma informação diferente. Deveriam tomar as precauções antes de começar o ano letivo para não prejudicar os alunos.”

Paula de Souza,
17 anos, estudante, moradora da Asa Sul

“A metodologia da empresa ainda é muito brucrocrática. Essa sistemática faz com que as pessoas vivam esse descaso de ter que enfrentar sol e chuva. O passe livre é um direito garantido em lei, por isso deveria ser mais organizado.”
Tags: celular

Esta matéria tem: (2) comentários

Autor: jose caubi magalhaes
É,..vAI CONTINUAR A MESMA COISA, SAI GOVERNO ENTRA GOVERNO, E A FACIL,A RAPOSA ESPERTA CONTINUA TOMANDO CONTA DO POLEIRO. É LAMENTAVEL,O DESCASO PARA COM AS PESSOAS,EXISTE LEI MAIS NIMGUEN A RESPEITA,CADE O DIREITO DO CIDADAO,VOU DIZER ÉSTA FACIL,É MUITO É DIFICIL. VAMOS DENUNCIAR O DESCASO AO MP | Denuncie |

Autor: paulo silva
Quando é que vai aparecer alguém sério para acabar com essa palhaçada que se repete todos os meses nessa pseudo-empresa de nome "fácil". Ministério Público por favor intervenha e obrigue a empresa e o governo e tratarem o cidadão com respeito, pelo menos. | Denuncie |

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