População do Guará deve aumentar 50% em cinco anos

Criada no fim dos anos 1960 para abrigar servidores e trabalhadores do SIA, cidade a 11km do Plano Piloto atrai investimentos imobiliários, de comércio e de serviços

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postado em 07/02/2011 07:54 / atualizado em 07/02/2011 10:13

Diego Amorim

O Guará mudou de fisionomia na última década. As ruas se alargaram, a cidade ganhou prédios, as residências passaram a dividir espaço com o comércio. Como consequência de tantas mudanças, a economia local deixou de se concentrar na feira que leva o nome da cidade. Chegaram mais bancos, mais supermercados, novos bares e restaurantes e serviços antes só encontrados a 11km dali, no Plano Piloto. O Guará amadureceu sem perder, pelo menos por enquanto, o clima caseiro e aconchegante que lhe diferencia das demais regiões administrativas em franco desenvolvimento.

A expansão econômica está atrelada ao boom imobiliário vivido pela cidade. Arranha-céus de até 27 andares transformaram a paisagem do Guará e atraíram investimentos. As empreiteiras apostam todas as suas fichas nos poucos terrenos ociosos que restam, mesmo contrariando boa parte dos moradores. Os mais antigos temem que o crescimento vertical comprometa de vez a qualidade de vida. Em cinco anos, estima-se que a população da cidade, criada em 1969 para abrigar servidores públicos e funcionários do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), aumente em 60 mil pessoas, o que representará uma expansão populacional de 50%.

Por mais que haja resistência, o dinamismo econômico do Guará não tem mais volta, na avaliação do sócio-diretor da Valorum Consultoria em Gestão Estratégica, Marcos André Melo. “Durante muitos anos, a cidade foi vista como um lugar pacato, onde as empresas não encontravam espaço para avançar. A realidade agora é outra”, comenta. Nos últimos dois anos, os preços de casas e apartamentos dobraram. A valorização dos imóveis mudou o perfil do consumidor. O guaraense pertence a uma classe média cada vez mais sofisticada e exigente.

O padrão dos novos empreendimentos ajuda a ilustrar o aumento da renda da população. Lançamentos de luxo na chamada Avenida Contorno registram uma velocidade de vendas assustadora. Para o consultor em varejo Alexandre Ayres, a tendência é que os setores de comércio e serviços se aperfeiçoem para atender um público em busca de comodidade e qualidade. “O Guará está se consolidando, e isso ainda vai mexer muito com a economia local. Os moradores estão com mais dinheiro. Acabou aquela ideia de uma cidade de classe média baixa”, diz.

A Pão Dourado, uma das principais redes de padarias do Distrito Federal, nasceu no Guará. A primeira das nove lojas espalhadas pelo DF foi inaugurada em 1986, na QE 15. “Até hoje é sucesso de vendas. O poder aquisitivo dos clientes aqui não é o maior, mas mesmo assim temos vendido cada vez mais”, conta o sócio-diretor Tito Lívio Guimarães Rosa. A central de produção da empresa também está instalada no Guará. “Tudo começou aqui”, reforça. A Pão Dourado é responsável pela criação de 650 empregos. Até 2014, a meta é alcançar a marca de 25 lojas.

Tradição
O avanço do comércio de rua não tira o charme nem a tradição da Feira do Guará, por onde passam, em média, 3 mil pessoas por dia. O feirante Oldemar Lopes, 65 anos, chegou ali em 1984. Naquela época, a feira era basicamente o único lugar para se comprar roupa na cidade. “Hoje, tem muita opção, mas preço e qualidade posso garantir que a pessoa encontra aqui”, sustenta. As mais de 700 barracas de vestuário e gastronomia atraem moradores de todo o DF. “E tem muito turista também. Até gente de São Paulo vem aqui”, completa Oldemar.

Também está no Guará o Polo de Modas, que reúne pelo menos 200 empresas de confecção e emprega mais de mil pessoas. As obras do projeto começaram em 2004, mas o lugar só se concretizou dois anos depois. Há três principais grupos de confecção: linha fitness, moda masculina e feminina e uniformes profissionais. Em pequenos e grande galpões, as fábricas produzem peças exportadas para todo o Brasil. Segundo estimativa do Sindicato das Indústrias do Vestuário do DF (Sindiveste-DF), o polo injeta, por ano, cerca de
R$ 10 milhões na economia do DF.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Em um prédio de esquina no Guará II, sem fazer muito alarde, uma empresa de tecnologia ajuda a movimentar a economia da cidade. Os equipamentos médicos fabricados na Micromed são vendidos para hospitais de todo o Brasil, além de países como Argentina, Venezuela, Paraguai, Bolívia e Peru. Os produtos voltados para a área de cardiologia chegam ainda aos Estados Unidos, onde foram usados, inclusive, pela Nasa. “O Guará é um bom lugar para se instalar”, diz o gerente comercial da empresa, Alexandre Raisky. Fundada em 1993, a Micromed tem 70 empregos diretos e gera outros 250 indiretos.

Empresas em busca de evolução

O desenvolvimento econômico do Guará força a profissionalização das empresas, a maioria delas — quase 90% — comandada por moradores da cidade. Ao longo deste ano, a Associação Comercial e Industrial do Guará (Acig) oferecerá cursos gratuitos de capacitação em áreas como técnicas de venda, atendimento ao cliente e conhecimentos básicos de informática. “Queremos banir o amadorismo do nosso comércio”, diz o presidente da entidade, Nilton Soares. “O Guará mudou, deixou ser cidade-dormitório, e o empresariado precisa acompanhar esse avanço”, completa.

A capacitação alcançará o Setor de Oficinas Sul (SOF Sul), que possui um peso significativo na economia do Guará. O espaço abriga cerca de 600 lojas do ramo de reparação de veículos e acessórios. No fim do ano passado, o Correio mostrou como aquela região tem sido alvo da especulação imobiliária. Lotes de 200m² chegam a ser arrematados por R$ 1,5 milhão. A mudança de destinação dos terrenos permitiu a invasão de complexos residenciais de luxo, o que vai aumentar ainda mais a população do Guará e impulsionar o desenvolvimento da cidade nos próximos anos.

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