Distribuidora recua da decisão de repassar gasolina mais cara aos postos

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postado em 19/04/2011 07:00 / atualizado em 19/04/2011 07:12

O céu ficou carregado, mas a tempestade não caiu. O aumento de R$ 0,09 sobre o litro da gasolina vendido no Distrito Federal, que elevaria o custo do derivado do petróleo a uma média de R$ 3,03 na bomba, não ocorreu. A BR Distribuidora chegou a vender o combustível com valor reajustado no sábado, mas, ontem, recuou da decisão e amorteceu o aumento previsto para R$ 0,01, segundo informou o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e de Lubrificantes do DF (Sindicombustíveis-DF). De tão pequena, a nova alta não foi passada aos consumidores. Eles continuarão a abastecer por um preço médio de R$ 2,94.

De acordo com a Federação Nacional do Comércio dos Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), episódio semelhante ocorreu em Minas Gerais. Nos bastidores do mercado, circula a informação de que a Petrobras teria decidido segurar os preços da gasolina tipo C — acrescida de 25% de álcool anidro — até que haja uma oferta maior de cana-de-açúcar no país.

“A safra de cana está começando hoje (ontem) em 80% das usinas. A Petrobras, ela própria dona de usina, pode ter segurado porque sabe que haverá maior oferta. A gente tem declaração de alguns funcionários da BR Distribuidora de que o reajuste sobre o álcool anidro não seria repassado agora. Espero que todos nós possamos nos beneficiar”, afirmou Paulo Miranda Soares, presidente da Fecombustíveis e do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro).

Segundo Soares, a exemplo do que ocorreu no Distrito Federal, os revendedores varejistas mineiros receberam, no fim da semana passada, a notícia de um aumento substancial na gasolina. Alguns chegaram a comprar o derivado do petróleo pelo preço mais alto. De acordo com ele, até ontem, o Minaspetro apurava nos postos se a alta havia permanecido, mas tudo indicava que não.

Nota trocada
Proprietário da maior rede de postos de gasolina do DF — a Gasol, que detém 91 dos 320 existentes — o empresário Antônio Matias afirmou que, em alguns dos estabelecimentos do conglomerado, a BR substituiu as notas fiscais com o valor da gasolina acrescido de R$ 0,09 por outras com o preço mais barato. A troca teria acontecido no início da manhã de ontem. “Hoje (ontem) cedinho, umas 6h30 ou 7h, recolheram as notas do combustível que havia sido vendido sábado. Não vão cobrar, farão a devolução da diferença. Recebemos a notícia por telefone, por volta das 17h de domingo”, disse o empresário.

O Sindicombustíveis-DF disse desconhecer a substituição, mas não descartou que ela tenha ocorrido em algumas empresas. Por meio da assessoria de comunicação, a entidade afirmou que muitos dos postos que compraram combustíveis a custo mais elevado decidiram absorver o impacto para não perder clientes.

O Correio Braziliense teve acesso a uma nota fiscal de aquisição de combustível por um posto local. O estabelecimento comprou gasolina da BR no sábado pelo preço de R$ 2,5842. Estabelecimentos que deixaram para repor os estoques nesta segunda adquiriram o mesmo produto, da mesma distribuidora, por R$ 2,5191. Os donos de postos de combustíveis afirmam que, no início da semana passada, o derivado do petróleo era vendido a eles por R$ 2,5036. Por meio da assessoria de imprensa, a BR Distribuidora informou que não comentaria o assunto.

Somente este ano, a gasolina já aumentou três vezes no DF. Entre fevereiro e março, foi de R$ 2,77 para R$ 2,86. Depois, ainda em março, subiu R$ 0,03 e atingiu R$ 2,89. No último dia 12 , chegou a R$ 2,94. Grande parte da elevação foi puxada pelo álcool, cuja produção diminuiu com a entressafra da cana-de-açúcar.


Lucro
De acordo com os preços atuais do litro da gasolina, a margem de lucro dos revendedores, está, atualmente, em cerca de16,7%. No início da semana passada, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) abriu procedimento para apurar se há lucratividade abusiva por parte dos empresários do setor em Brasília e região. O promotor Paulo Roberto Binicheski, da 1ª Promotoria de Defesa do Consumidor (Prodecon) quer apurar se os estabelecimentos estão auferindo vantagem excessiva às custas dos clientes. Em 2007 e 2004, ações na Justiça restringiram temporariamente a margem de lucro dos postos do DF a 15,87%.
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