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Escola em São Sebastião oferece mais de 40 atividades interdisciplinares

Publicação: 13/05/2011 07:05 Atualização: 13/05/2011 07:29

Ex-brigão, Nataniel é hoje um dos alunos mais atuantes: talentoso, coloriu o muro da escola com grafite e trabalha na mediação de conflitos  (Carlos Moura/CB/D.A Press)
Ex-brigão, Nataniel é hoje um dos alunos mais atuantes: talentoso, coloriu o muro da escola com grafite e trabalha na mediação de conflitos
Em uma sala de aula, os alunos ensaiam jogadas de xadrez. Perto dali, um grupo testa a voz no karaokê de músicas em inglês. Nos fundos da escola, em um viveiro, outra turma aprende a cultivar plantas nativas do cerrado. E as lições se estendem a áreas como fotografia, reciclagem, astronomia, teatro... Além da grade escolar com as disciplinas habituais, como matemática e português, os alunos do Centro Educacional São Francisco (Cesf), situado em São Sebastião, têm acesso a um vasto cardápio de projetos interdisciplinares: são mais de 40.

“Queremos que a aprendizagem seja criativa, prazerosa e lúdica, o que torna a escola mais atrativa”, explica a diretora do Cesf, Leísa Sasso. A maioria dos projetos está inserida na categoria que o Ministério da Educação chama de Parte Diversificada (PD), cujo objetivo é proporcionar experiências escolares variadas e enriquecer o currículo. No Distrito Federal, nenhuma escola da rede pública se empenha tanto em cumprir essa meta quanto o Cesf, que atende a quase três mil alunos, da 8ª série do ensino fundamental ao 3º ano do nível médio. No total, são oferecidas 34 opções de PD. Entre elas, há aulas de mosaico, futsal, caligrafia, confecção de bijouterias e até história do rock. A cada bimestre, os alunos escolhem uma oficina diferente.

Ao chegar à escola, o professor recém-contratado é convidado a desenvolver um projeto. “Perguntamos que atividade ele gosta de fazer além de dar aula. Estimulamos a desenvolver um tema transversal relacionando-o a sua disciplina”, afirma Leísa. O convite foi feito ao professor de sociologia Rafael Barbosa, que ingressou no corpo docente da escola no início deste ano. “Achei que só ia dar uma aula burocrática, mas pude ensinar algo de que gosto muito”, diz Rafael, que escolheu dar lições de fotografia, cujos fundamentos aprendeu ao frequentar aulas da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília. “Os alunos viam a foto como algo banal. Quis exercitar com eles a linguagem visual, a transmissão de uma ideia por meio da imagem”, comenta o professor.

Extraclasse
Nem todos os projetos desenvolvidos pelo Cesf pertencem ao domínio da Parte Diversificada. Alguns deles, que a diretora Leísa classifica como “extraclasse”, são simplesmente iniciativa do colégio. “Nossa proposta estimula a produção. É uma pedagogia de projetos”, define Leísa.

A verba repassada pela Secretaria de Educação (SE) do DF não é suficiente para bancar essas atividades adicionais. Para viabilizá-las, o colégio precisa de parceiros. Um deles é a Embaixada da Holanda, que cedeu R$ 35 mil para a concretização do projeto Liga Verde. Parte do dinheiro foi empregado na construção de um viveiro, onde são cultivadas e reproduzidas mudas de espécies nativas da região. A ideia é que 20% delas sejam usadas na recuperação de uma Área de Proteção Permanente (APP) vizinha à escola. “Queremos incorporar essa área ao terreno da escola”, planeja Leísa.

O Cesf se aliou ao Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do DF (Ibram-DF), que apoiou a realização de oficinas com os alunos e capacitou professores para inserir o tema em suas aulas. O colégio pretende transformar a APP em uma espécie de parque aberto à visitação pública. Para conseguir catalogar a diversidade de espécies, o colégio firmou outra parceria, desta vez com o analista da Embrapa Lenilton de Jesus Miranda. Lenilton é presidente da Associação dos Ilustradores Científicos do Centro-Oeste e, desde o ano passado, está dando aulas como voluntário a uma turma de 10 alunos. O grupo é responsável por coletar, classificar e representar em ilustrações as plantas.

O estudante do 2º ano Nataniel Ferreira, 16 anos, é um dos pupilos mais atuantes. “Temos que entender do que a planta é feita para desenhá-la com fidelidade. O observador tem que identificar a espécie logo que bater o olho na imagem", explica. Nataniel foi um dos alunos que coloriram em grafite o muro da escola que dá para a rua. “Antes de entrar aqui (no CESF), eu era pichador. Agora, sou grafiteiro”, sentencia.

Mediação de conflitos
Nataniel também se destaca em outro projeto extraclasse do Cesf, o de mediação de conflitos, criado em 2009. A iniciativa é uma parceria com o Núcleo de Estudos para a Paz e os Direitos Humanos da UnB, que cedeu um grupo de bolsistas, e com o Instituto Pró-Mediação, organização sem fins lucrativos. O projeto busca capacitar alunos, professores e servidores para resolver desentendimentos que ocorrerem em ambiente escolar.

Entre os estudantes que participaram do curso de mediação, alguns são ex-brigões. O propósito é canalizar para o bem a “liderança negativa” que eles exerciam, nas palavras da diretora Leísa. Nataniel está entre os que davam trabalho. “Eu era meio ignorante, muitos amigos meus tinham medo de mim, de eu bater neles. Agora, sinto que eles gostam da minha presença”, conta o rapaz.

A escola de São Sebastião também funciona aos sábados, quando oferece aulas por meio do projeto Escola Aberta, do MEC. As atividades são abertas ao público, que pode receber lições gratuitas de xadrez, origami, teatro, bijuteria.

Esta matéria tem: (1) comentários

Autor: paulo branco baixo
fica meus parabens a esta escola por pensar tão grande parabens diretora e assim que teremos uma sociedade mais justa com mais amor p vida. | Denuncie |

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