Cidades

Destaque no hipismo, para-atleta busca classificação para Jogos de 2012

postado em 13/07/2011 08:00

Sérgio se divide entre trabalho e treinos: O servidor público Sérgio Ribeiro de Oliva, 28 anos, enfrentou muitos desafios durante a vida. Nasceu com paralisia cerebral, precisou vencer preconceitos e dificuldades e agora tem mais um desafio. Disputa pela Seleção Brasileira de adestramento paraequestre uma vaga nas Paraolimpíadas de Londres, em 2012. O jovem acabou de voltar da Itália e comemora a vitória na etapa disputada no país europeu e a primeira colocação do Brasil no ranking mundial. Sérgio participou de mais de 80 competições em sete anos e, entre 2005 e 2008, ganhou quatro vezes seguidas o Prêmio Brasil de Hipismo.

Entre 12 de junho e 3 de julho deste ano, ele participou com a equipe brasileira de duas etapas da seletiva para os Jogos Paraolímpicos de 2012. Nessa fase, disputada em Mulhouse, na França, Sérgio conquistou o primeiro lugar na etapa team teste, o terceiro na prova individual championship e o quarto na prova freestyle com música. Em Casorate Sempione, na Itália, ficou em segundo e terceiro lugares nas mesmas provas. Com o resultado obtido, a equipe brasileira está classificada em primeiro lugar no ranking mundial e deu mais um passo para garantir a vaga nos jogos em Londres. Além de Sérgio, fazem parte desse time os para-atletas Elisa Melaranci, Marcos Alves e Vera Lucia Mazzilli.

As estantes na parede de seu quarto estão repletas de troféus. Ele começou a fazer equoterapia em 1989, em função da paralisia cerebral. Em 2002, passou a montar a cavalo. Iniciou a carreira na modalidade salto, mas logo mudou para o adestramento paraequestre. Há sete anos, treina pela Seleção Brasileira. Em 2003, Sérgio participou do PanAmericano, em Mar del Plata, na Argentina, e conquistou o primeiro lugar. Em 2007, tornou-se campeão mundial. Também compôs a equipe brasileira nas Paraolimpíadas de Pequim, em 2008. ;Dessa vez, fiquei em oitavo, mas o Brasil conseguiu duas medalhas de bronze.;

Em outubro, Sérgio encara outro desafio. Embarca para a Holanda, onde participa de mais uma etapa da seleção para os Jogos Paraolímpicos de 2012. A última etapa da seletiva será realizada em dezembro, em Portugal. Apesar do esforço, o servidor público ainda não sabe se conseguirá participar de todas as etapas da competição para garantir uma vaga. O jovem teme que a falta de recursos o atrapalhe na competição. Ele não tem patrocínio e recebe apenas a Bolsa Atleta, programa do governo federal. Sérgio pratica o esporte com cavalos alugados, mas precisa comprar um animal. A cumplicidade entre os dois garante o sucesso nas provas. Para isso, o servidor público organizou uma rifa, com o objetivo de arrecadar dinheiro e garantir a compra de um cavalo.

Dedicação
Além de atleta, Sérgio trabalha duro. De terça a sexta-feira pela manhã, pode ser visto treinando na Hípica de Brasília. À tarde, trabalha no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT). ;Às vezes, treino no fim de semana também, sou muito dedicado ao esporte.; A paralisia cerebral nunca foi um empecilho para o jovem, que sempre se dedicou aos estudos. Sérgio cursou faculdade de direito, passou em mais de um concurso público e fez intercâmbio nos Estados Unidos durante. ;Gosto de sair também, sou baladeiro;, confessou.

Desde criança ele pratica esportes. Já fez futebol, caratê e natação. ;O hipismo surgiu por acaso na minha vida. Era um esporte para me distrair, não imaginei que estaria assim hoje, disputando uma vaga para os jogos olímpicos. As oportunidades foram aparecendo, eu agarrei todas elas e consegui chegar até onde cheguei;, contou, orgulhoso.

Causa da doença

A paralisia cerebral é causada por lesão no tecido do órgão durante o desenvolvimento e pode ocorrer antes, durante ou após o parto da criança. As causas mais comuns são infecções no sistema nervoso, falta de oxigênio e traumas de crânio. A área do cérebro atingida comprometerá alguma função no corpo do indivíduo, como os movimentos de pernas e braços e os sentidos.

As pessoas que têm paralisia cerebral podem apresentar desde falta de coordenação nos movimentos a dificuldades para andar ou para segurar um objeto ou falar. Há vários tipos de paralisia cerebral. Ela pode ser estática, quando a lesão se localiza na área responsável pelos movimentos voluntários dos membros. As pessoas com esse tipo de problema podem desenvolver deformidades articulares, porque o músculo espático não tem crescimento normal.

A paralisia também pode ser com movimentos involuntários, leves ou acentuados e raros durante o primeiro ano de vida da criança. Em casos mais graves, a pessoa apresenta desenvolvimento motor atrasado e dificuldade para falar, andar ou comer. A paralisia atáxica é caracterizada pela falta de equilíbrio. Para evitar a paralisia cerebral é preciso fazer os exames de pré-natal regularmente e ter boa assistência de profissionais da saúde até após o parto.

O diagnóstico pode ser feito por meio de observação da criança, caso ela apresente dificuldade de sucção, pouco tônus muscular, alteração na postura e atraso para firmar a cabeça, por exemplo. O tratamento pode ser feito com estimulação do neurodesenvolvimento, atividades físicas, uso de órteses, cirurgias ortopédicas, entre outros.

Fonte: Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação

Colabore
Sérgio aceita doações e patrocínio. Quem quiser ajudar pode entrar em contato pelos números 8138-8010 (Sérgio), 9955-8377 (Eduardo) e 7817-2508 (Flávio) ou pelo e-mail sergiooliva2000@gmail.com. A rifa custa R$ 15.

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