Shoppings começam a liberar a entrada de animais de estimação

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postado em 14/07/2011 07:31 / atualizado em 14/07/2011 15:26

Thalita Lins

Iano Andrade/CB/D.A Press

Alguns dos maiores shoppings do Distrito Federal aderiram recentemente à moda de outros estados do Brasil, como São Paulo e Rio de Janeiro, que permitem há algum tempo a entrada de animais no interior dos centros comerciais. Na capital da República, cachorros e gatos já podem ser vistos em pelo menos cinco shoppings. Embora o modismo tenha dado certo em outras cidades, a medida tem causado polêmica entre a população, entidades do setor e administrações dos estabelecimentos comerciais do DF. A Vigilância Sanitária do DF, unidade ligada à Secretaria de Saúde, é categórica: a presença de animais de estimação em locais onde há manipulação e consumo de alimentos é vetada por questão de saúde e higiene. Enquanto é liberada a circulação de animais domésticos nos shoppings, o mesmo não ocorre em bares, restaurantes, padarias, supermercados e praças de alimentação.

Polêmicas à parte, as regras para o convívio desses animais nos shoppings deixam claro que eles só podem circular se estiverem no colo dos donos. Nada de bichos de grande porte: a maioria dos centros comerciais só aceitam a entrada de pequenos e médios. A única exceção é aberta para as pessoas que utilizam cães-guias, que, de acordo com a legislação, podem circular livremente até mesmo nas praças de alimentação (leia O que diz a lei). Em alguns lugares, placas com as normas de convivência são afixadas na entrada. “Mas a lei não deixa claro que a placa deve estar visível”, frisa o auditor de Vigilância Sanitária Gustavo de Lima.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista do DF (Sindivarejista), Antônio Augusto de Carvalho de Moraes, a entrada de qualquer tipo de animal em locais fechados onde há circulação intensa de pessoas prejudica a clientela do local. “Pessoalmente, não sou a favor, por conta do comportamento desses bichos e da higiene e segurança. Alguns chegam a ser agressivos, latem demais e muitas pessoas têm pânico deles. Mas, caso alguma lei que permita a presença deles em espaços fechados entre em vigor, temos que aderir ao que pede a legislação”, afirmou. Por outro lado, a gerente de Marketing de um shopping na Asa Norte, Karine Câmara, acredita que a permissão da entrada de cães aumente o fluxo de clientes nas lojas. “Antes de aderir, fizemos um estudo e vimos que era viável. É um conforto a mais para as pessoas que vêm fazer compras e passear”, avaliou.

Incentivo
A discussão também gira em torno das pessoas que costumam frequentar esses locais. Enquanto algumas não aprovam a novidade, a biomédica Karina Kirschner Lopes, 23 anos, passeou pela primeira vez com o cão da raça lhasa apso para tirar a prova dos nove. Enquanto segurava no colo a cadela Lilica, a jovem percebia os olhares de contestação e aceitação. “Teve gente que nem sabia que podia entrar cachorro. Algumas olharam como se fosse normal a situação, enquanto outras acharam ruim.” Karina é a favor da entrada de pets em ambientes fechados, mas ressalta: “Eu só levo minha cadela para passear em shoppings em último caso, e acho que os bichos devem ser pequenos e mansos”.

Fora do Distrito Federal, a adoção da medida tem dado certo em estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Goiás. Moradora de São Paulo, a brasiliense Jéssica Liana de Carvalho, 23 anos, já está acostumada a se deparar com cachorros durante as compras. Aqui, a estudante de negócios de moda ainda sente que o resultado ainda é pouco visível. “Quando eu venho visitar minha mãe, em Brasília, vejo poucas pessoas andarem com os seus bichinhos nos shoppings. Em São Paulo, é normal a gente encontrar cachorros em bolsas, por exemplo”, disse a jovem.

De acordo com o diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Luís Augusto Ildefonso da Silva, o sucesso deve-se a pelo menos dois fatores. “Atualmente, a presença de cães e gatos tem aumentado na maioria dos lares brasileiros. Isso faz com que aquele animal seja quase um integrante da família. Os pet shops também estão bastante presentes nesses centros de venda. Essas lojas promovem uma economia muito forte no país”, enumerou o executivo.

Guardiães do Tibete
Com pelagem longa, densa e macia, o lhasa apso é considerado um cão inteligente, obediente e uma boa companhia para o dono. Costuma ficar horas deitado e latir pouco, mas é atento a qualquer coisa que lhe pareça fora do normal. Talvez por essa característica, na Antiguidade, o lhasa apso era utilizado para fazer a guarda nos templos religiosos do Tibete. Os monges o preferiam, pois acreditavam ser um animal sagrado.

A critério
De acordo com dados da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), existem, atualmente, 711 shoppings no Brasil e outros 100 previstos para serem abertos até 2012. Daqueles em funcionamento, 379 estão na Região Sudeste e, 51, na capital paulista. A associação não tem dados sobre ocorrências envolvendo animais, mas lembra que não há nenhum dispositivo legal que obrigue os shoppings a aceitarem cachorros, gatos ou papagaios. Pela lei, a manutenção e o ingresso em estabelecimentos públicos ou privados de uso coletivo ficam a critério da direção do lugar. Em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Paraná e no Rio Grande do Sul, há shoppings que permitem aos usuários levar os cães de estimação, desde que respeitem as regras.

O que diz a lei
A Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, assegura à pessoa portadora de deficiência visual usuária de cão-guia o direito de ingressar e permanecer com o animal nos veículos e nos estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo, desde que observadas as condições impostas pelo local. A medida aplica-se a todas as modalidades de transporte interestadual e internacional com origem no território brasileiro. Constitui ato de discriminação, a ser punido com interdição e multa, qualquer tentativa voltada a impedir ou dificultar o gozo desse direito. Serão objeto de regulamento os requisitos mínimos para identificação do cão-guia, a forma de comprovação de treinamento do usuário, o valor da multa e o tempo de interdição impostos à empresa de transporte ou ao estabelecimento público ou privado responsável pela discriminação.

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