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Casal morre afogado em Porto de Galinhas (PE), durante lua de mel

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postado em 05/08/2011 08:03 / atualizado em 05/08/2011 09:00

Ana Pompeu
Joana Perrusi
Maria Júlia Mendonça

Facebook/Reproducao da Internet/D.A Press
O que seria uma viagem inesquecível para o casal em lua de mel Marcos de Almeida Augusto, 22 anos, e Daniela Silva de Araújo, 20, terminou em tragédia. Os recém-casados morreram afogados por volta das 13h de ontem na Praia do Cupe, em Porto de Galinhas, em frente ao Hotel Armação, onde estavam hospedados desde 29 de julho. Eles compraram um pacote turístico de sete dias — voltariam a Brasília hoje —, que incluiu passeios de jangada e visita às praias de Maracaípe e Muro Alto. Marcos era natural do Paraná e ela, de Brasília. Os dois moravam em Sobradinho.

Banhistas e hóspedes do mesmo hotel informaram à polícia terem visto Marcos e Daniela sentados na praia e tomando banho de mar, com a água na altura da cintura. E afirmaram não ter visto nenhuma movimentação estranha nem pedidos de socorro até perceberem que os dois boiavam. Ainda com vida, o casal recebeu os primeiros socorros de salva-vidas, além de um médico do trabalho e uma enfermeira, funcionária do hotel. De acordo com o salva-vidas José Adriano Nogueira, Daniela tinha uma aparência melhor e, como na viatura só cabia um por vez, decidiram levá-la primeiro ao Posto de Saúde de Porto de Galinhas acreditando que ela poderia sobreviver. Mas os dois chegaram sem vida à unidade de saúde.

José Adriano explicou que o casal estava no mar em um horário de risco, em que a maré começa a encher e a correnteza puxa para os chamados “caldeirões” — canais no mar. A gerente de Marketing do Hotel Armação, Sabrina Pellitteri, declarou que o hotel não tem responsabilidade alguma com o ocorrido e que foi feito tudo que estava ao alcance dos funcionários. O delegado Paulo Rameh, responsável pelo caso, informou que não haverá investigação, mas sim uma formalização com termos de declarações dos salva-vidas, da enfermeira e de alguns banhistas. “Não é uma investigação propriamente dita porque já se sabe que foi um acidente, um afogamento”, explicou. Os corpos foram recolhidos ao Instituto de Medicina Legal, em Recife, onde serão periciados por questão de procedimento padrão.

Alerta
O coronel Paulo Vidigal, comandante do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM), alertou para a sinalização no local do acidente. Ele disse que em cinco anos foram registradas, pelo menos, cinco mortes por afogamento no mesmo local em que o casal foi vítima. Ele mesmo contou ter sido resgatado por salva-vidas de um hotel há cerca de quatro anos, neste trecho da Praia do Cupe. “A crítica que eu faço é porque ali existem canais e valas e só placa informando ondas fortes, mas essa não é a realidade total”, apontou.

Segundo Vidigal, a expressão “ondas fortes”, para leigos, aparenta ser um aviso aos surfistas — pois o local é ponto de prática do esporte —, mas com água um pouco acima da cintura o banhista pode morrer, já que é arrastado pela correnteza e não consegue se desvencilhar dos desníveis de areia. Ainda na noite de ontem, o comandante enviou uma viatura para fazer um levantamento das placas que existem na área. Com isso, o coronel Vidigal vai se reunir hoje na Diretoria Geral de Operações da PM de Pernambuco, em Recife, e garantiu que colocará o alerta em pauta. Esse material será repassado para a Companhia de Turismo da PM e o apelo será encaminhado também à Secretaria Estadual de Turismo e a Prefeitura de Ipojuca. O delegado Paulo Rameh informou que existem duas placas com sinalização “Atenção: corrente forte” exatamente na frente do local onde o casal se afogou.

Namoro de quatro anos

Marcos e Daniela estavam juntos havia quatro anos. Eles morreram oito dias depois do casamento. Chegaram em Porto de Galinhas há uma semana e voltariam para o Distrito Federal hoje. O pai de Marcos viajou ainda na madrugada de ontem para buscar os corpos do filho e da nora.

A mãe de Daniela, Pedrina da Silva Araújo, 58 anos, estava inconsolável. Ela soube da morte da filha por meio de um telefonema da polícia. “Estou desesperada. Ela era o sentido da minha vida. Um pedaço de mim foi tirado. Não aguento viver sem a minha filha”, disse, aos prantos, por telefone, ao Correio. Dina, como Pedrina é conhecida, conta que o casal se conheceu na igreja e que “foi amor à primeira vista”. “A minha filha chegou em casa superfeliz porque tinha conhecido uma pessoa muito especial. O Marcos foi o primeiro namorado dela.”

Boa fase
Desde que viajou, Daniela ligava todos os dias para a mãe. Segundo Pedrina, a filha sempre foi muito carinhosa. “A gente passava uma hora conversando pelo telefone. Ela dizia que estava com saudades e que nunca ia me abandonar”. Carinho que era recíproco. O casal iria morar no mesmo lote que os pais de Daniela, em Sobradinho. O pai, Edmário Bezerra de Araújo, 62 anos, já tinha organizado uma recepção para ela, na casa nova “Estava tudo pronto e mobiliado. E a viagem também foi programada durante muito tempo. Eles estavam muito felizes. Ela estava vivendo a melhor fase na vida dela”.

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