Teimosa, bonita e feliz; assim é a Estrutural

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postado em 16/08/2011 08:55 / atualizado em 16/08/2011 09:59

Conceição Freitas

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
Não somente o asfalto, os meios-fios, as praças e as palmeiras estão chegando à Vila Estrutural. A cidadania se aproxima do lugar de menor renda per capita de Brasília, R$ 325. No sábado passado, o Batalá levou seus tambores e suas meninas à Estrutural para convocar as garotas a participar das oficinas de percussão do Coletivo da Cidade, entidade que reúne estudantes da Universidade de Brasília, profissionais de assistência e educação e voluntários com o objetivo de oferecer a crianças e adolescentes a chance de transformar as próprias vidas e a de suas famílias.

Zuleika de Souza/CB/D.A Press
A cidade do lixão é também a cidade das bicicletas. Quase metade da população, 44%, têm bike, segundo a Pdad (Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílio), feita pela Codeplan no primeiro semestre deste ano. Mas a turma do Coletivo acredita que esse percentual seja ainda maior, levando-se em conta que a pesquisa percorre casas onde haja conta de água ou de luz. A bicicleta é o meio de transporte para circular dentro da cidade e fora dela. Diante dessa realidade, Tiago Rocha, estudante que participa do Coletivo, está preparando um curso de mecânica de bicicleta e pretende desenvolver um projeto de bicicleta comunitária, inspirado no Bicicleta Livre da UnB.

O teatro também está na Estrutural. É lá que moram os quatro atores de Seca, a peça que estará em cartaz na Sala Martins Pena, do Teatro Nacional, na sexta e no sábado próximos. Tuan Emanuell, Iury Pereira, Wanderson de Sousa e Bia Oliveira eram estudantes do Centro Educacional I do Cruzeiro Velho, quando começavam a participar do premiado projeto do professor Getúlio Cruz. Os três atores já são estudantes de artes cênicas da UnB e a menina estuda na Faculdade Dulcina.

A cidade que existe de teimosa, que resistiu com barricadas à tentativa de expulsão, tem um cotidiano de moças e rapazes a caminho da academia, com suas garrafinhas d’água de última geração, meninas sem medo e garotos procurando um futuro. Gente otimista como o maranhense Omek Carvalho Silva, de 61 anos, que desfila pela cidade com sua bicicleta flamenguista, todo ele, roupa, correntes e anéis rubro-negros. “É meu jeito de me distrair. E assim vou vivendo, um dia alegre, outro com raiva. Um dia xingando, outro sendo xingado. Depois dos 60, o que vier é lucro”, ele diz, somando, dia após dia, o ganho do seu viver.

A Estrutural está rebocando suas paredes, subindo mais um andar, e protegendo sua história. Na sede do Ponto de Memória da cidade (www.memoriaestrutural.blogspot.com), pneus amontoados sobre uma pista estilizada relembram os tempos de luta para fixar a cidade. Fixada, ela vai ficando bonita e feliz.