Resultado favorável a Jaqueline impulsiona as pretensões políticas de Roriz

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postado em 31/08/2011 07:50 / atualizado em 31/08/2011 13:22

Ana Maria Campos , Lilian Tahan



A absolvição da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) representa a primeira importante vitória do clã Roriz desde a Operação Aquarela, quando o então senador foi flagrado em escutas telefônicas discutindo como partilhar um cheque de R$ 2,3 milhões. Herdeira política do pai, Jaqueline ficaria inelegível até 2022 caso a Câmara dos Deputados aprovasse a cassação do mandato, recomendada pelo relator, Carlos Sampaio (PSDB-SP). O episódio entraria para a lista de derrotas políticas que começou com a renúncia de Roriz, passou pela perda de força no PMDB e atingiu o clímax nas eleições de 2010, quando o ex-governador se tornou o símbolo da aplicação da Lei da Ficha Limpa.

De olho nas eleições do Entorno do Distrito Federal, como possível candidato à prefeitura de Luziânia (GO), Roriz enfrentaria dificuldades para ensaiar um retorno com mais essa desventura. Jaqueline teve um desempenho considerado altamente satisfatório pelo grupo rorizista. Ela conseguiu 265 votos a favor da absolvição. Apenas 166 deputados — o correspondente a menos de um terço do plenário — concordaram com a cassação. Não houve uma movimentação política pela derrocada da filha de Roriz. “Jaqueline conseguiu o quórum para a sua absolvição e não para a sua cassação. Ganhou de goleada”, ressaltou o assessor de imprensa do grupo, o jornalista Paulo Fona.

Quando o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-SP), anunciou o resultado, Jaqueline já tinha deixado o plenário, mas ainda não havia chegado em casa, onde o pai e a mãe, Weslian Roriz, a aguardavam. Ela soube do desempenho por meio de Paulo Fona, no caminho para o Park Way. Assim que ouviu o placar, chorou e disse: “Ganhamos”. Roriz acompanhou tudo de casa, ao lado da mulher e dos fiéis assessores, José Flávio Oliveira e Valério Neves. O ex-governador empenhou-se pessoalmente para salvar a filha. Ele conversou com vários deputados e líderes políticos. Em vários diálogos, afirmou: “Aceito qualquer coisa comigo, mas com a minha filha, não”.

Jaqueline agora pode respirar e começar de verdade o mandato em risco desde que o vídeo de Durval Barbosa foi divulgado em março. Continua, no entanto, a ser uma deputada do baixo clero, com muitos favores a atender e pouca margem para disputar cargos majoritários nas próximas eleições ou conseguir destaque na Câmara dos Deputados.

Precedente
Com o placar da sessão de ontem, as gravações de Durval deixam de ser decisivas para condenar ou absolver um político por quebra de decoro. Até o ano passado, as imagens divulgadas pelo delator da Operação Caixa de Pandora tinham força para encerrar carreiras, como aconteceu com a então deputada distrital Eurides Brito (PMDB), que teve o mandato cassado pelos colegas na Câmara Legislativa por protagonizar filme semelhante ao que aparece Jaqueline guardando dinheiro desviado dos contratos de informática do Governo do DF. O ex-presidente da Câmara Leonardo Prudente e o ex-deputado Júnior Brunelli tiveram de renunciar aos mandatos para escapar da cassação.

Caso apareça um novo vídeo, a autoridade envolvida pode até ser denunciada e condenada na Justiça. Mas a Câmara dos Deputados não criou o precedente de que um parlamentar pode pagar por algo que ocorreu antes do início do mandato.