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| A enfermeira Jurema do Nascimento atende Gilberto*, um mecânico que luta há seis meses para deixar de vez o crack |
No primeiro dia de atendimento no Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (Caps AD), ao lado da Rodoviária do Plano Piloto, pelo menos 20 dependentes químicos procuraram ajuda para se livrar do vício. Eles foram ouvidos por profissionais nos consultórios e passaram por uma triagem para identificar o grau de dependência de cada um. A ação é uma das 16 medidas prioritárias que fazem parte do Plano de Enfrentamento ao Crack e a outras Drogas, lançado pelo governador Agnelo Queiroz na última quarta-feira. No programa, estão previstas ainda a aquisição de câmeras de filmagem para identificar traficantes que agem na área central de Brasília e a contratação de médicos para tratamento dos usuários. Em quatro anos, o governo promete investir R$ 65 milhões na cruzada contra o crack.
O pedido de socorro veio de gente de todas as classes sociais. O mecânico Gilberto*, 49 anos, luta há seis meses para se livrar das drogas. Ele conta que já foi dono de um centro automotivo e ganhou muito dinheiro. Lembra, porém, que gastava todo o lucro com entorpecentes e álcool. “Deixava de sair com a minha família para comprar crack. Já comprei R$ 300 de droga e fiquei quatro dias sem aparecer em casa”, revela. Na manhã de ontem, Gilberto saiu de Brazlândia, onde mora, em busca de tratamento. “A droga derruba qualquer ser humano. Ela nos coloca rastejando na lama”, afirma.
O homem teme ter uma recaída e piorar o estado de saúde — ele tem diabetes e sente fortes dores no pulmão. “Nunca procurei tratamento. Esta é a primeira vez porque decidi que quero ser outro homem”, disse. Segundo a enfermeira Jurema Paulo do Nascimento, que atendeu Gilberto, o mecânico fará acompanhamento psicológico e clínico no Caps AD do Guará II. No local, uma equipe multidisciplinar avaliará se é caso dele requer internação.
Após ver na televisão a notícia da inauguração do Caps AD 24 horas, a dona de casa Joana*, 41, convenceu o filho de 24 anos a se tratar. Gustavo* mora no Jardim ABC, na Cidade Ocidental, um dos bairros mais violentos do Entorno. O rapaz conheceu a maconha aos 18 anos e o crack, há dois. O jovem emagreceu, perdeu a namorada e o emprego de ajudante de pedreiro. “Tenho medo de, um dia, ele sair de casa e não voltar mais. Ainda tenho esperança de vê-lo constituir uma família bonita e de poder pegar meus netinhos no colo”, diz.
DegradaçãoCom o braço direito quebrado, o corpo sujo e as mãos queimadas pela lata usada por quem consome crack, Marcelo*, 34 anos, é viciado em crack há 11. Ele tem dois filhos, de 15 e 18 anos, e tudo o que mais quer é ter sua dignidade de volta. “A minha vontade é de voltar a ser aquele homem que eu era. Na rua, passo frio e fome, além de ser malvisto pela sociedade. É vergonhoso para mim continuar nessa situação, sem contar que minha saúde já não é mais a mesma”, garante.
Tanto Marcelo quanto Gustavo serão acompanhados pelo Caps AD 24 horas. Segundo a gerente do centro, a psicóloga Maria Garrido, a procura de ontem já era esperada. “As pessoas estão vindo de todos os lugares. Daqui, não sairão sem acolhida”, assegura. Para a especialista, a maior batalha contra a dependência química é fazer com que o usuário aceite ajuda. “Ele primeiro precisa admitir que está doente”, destaca.
Na noite de ontem, uma equipe formada por psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros fez a primeira abordagem a usuários de drogas da área central do Plano Piloto. Com um ambulatório de rua, os profissionais têm por objetivo desenvolver um trabalho de convencimento a moradores de rua em situação de risco para que eles aceitem abandonar as drogas.
(*) Nomes fictícios
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| Marcelo*: "A minha vontade é de voltar a ser aquele homem que eu era" |
Esta matéria tem: (6) comentários
Autor: MaroÃta Ferreira Sousa
Graças a Deus em meio a tantas turbulências,uma notícia boa.Parabéns pela iniciativa essas pessoas realmente precisam de ajuda,espero que não faltem profissionais para atendê-los. | Denuncie |
Autor: MaroÃta Ferreira Sousa
Parabéns pela iniciativa.Em meio a tanto desgosto e tantas notícias ruins que temos todos os dias,essa deu para dar uma respirada,espero que não faltem profissionais para atenderem essas pessoas. | Denuncie |
Autor: manoel sousa
Que bom essa e a hora do governador trabalhar estas pessoas, e investir mais em profissionais para recuperar todos de uma vez | Denuncie |
Autor: Alaine Silva
Nossa,fico muito feliz em saber que o governo está dando o primeiro passo para ajudar essas pessoas...As drogas no geral, são a destruição de uma família e só quem sabe, é quem já sentiu isso na pele, com um ente querido!Desejo força á todos esses que querem mudar,e q as famílias ñ desistam. FORÇA! | Denuncie |
Autor: Helen Lima
Torço, com sinceridade, para que esse Plano de Enfrentamento dê certo. Que bom que os usuários estão buscando ajuda. | Denuncie |
Autor: Eduardo
As drogas destrói a dignidade do ser humano! É lamentável isso. | Denuncie |