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Jardim de Miyoko Nakashima conta em cores a histórica resistência nipônica

Conceição Freitas

Publicação: 07/02/2012 08:07 Atualização: 07/02/2012 08:15

No jardim de Miyoko Nakashima há uma árvore de pequeno porte carregada de um fruto amarelo-vibrante. Pouco maior que um cajá-manga, a fruta lembra um mamão papaia em miniatura ou uma nêspera de bico fino. Miyoko nasceu no Japão, veio para Brasília em 1962, aos 15 anos, mas não guardou o nome da planta, só sabe que dá sorte. O pai e a mãe, que poderiam esclarecer o mistério, já morreram.

O fruto japonês de nome desconhecido e de boa ventura brota na Vargem Bonita, núcleo rural remanescente dos primeiros anos de Brasília. Nele vive uma duas maiores colônias japonesas do Distrito Federal (a outra fica em Brazlândia). Se muito antes era um lugar distante como o quê, escondido atrás do Núcleo Bandeirante, passados mais de 50 anos, a região sofre terríveis pressões do mercado imobiliário, dada a sua localização privilegiada. A Vargem Bonita está colada nos condomínios confortáveis e caros do Setor de Mansões Park Way.

Com a histórica resistência nipônica, o núcleo rural continua a produzir hortaliças folhosas e flores decorativas e comestíveis. A dona do pé de fruta da sorte planta flores que são servidas à mesa. Apesar de viver em Brasília há quase 50 anos, Miyoko tem certa dificuldade de se expressar em português. “Entendo tudo, mas tenho dificuldade pra falar.” Neste meio século, ela saiu muito pouco da Vargem Bonita e não sentiu necessidade de aprender a língua portuguesa. “Difícil, né?”

Apesar de a colônia japonesa representar 80% dos moradores da Vargem Bonita, o núcleo rural já tem uma concentração urbana de razoáveis dimensões. Um pequeno comércio concentra-se na entrada da cidade, porém o armazém mais simpático do lugar fica mais adiante, em frente a uma pracinha. A venda pertence a Hiroshi Uehara, preletor seicho-no-ie, que vende de pirulito a vara de pescar, de boneca a teclado de computador. “Dizem que minha loja é um tem-de-tudo”, ele diz, sorrindo.

A matéria completa você lê na edição impressa desta terça-feira (7/2) do Correio Braziliense.

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

AS CORES DE TIYKO
Na chácara da família Miyahara, plantam-se flores em extensas estufas. Depois de um período no Japão, a nissei descobriu que o lugar dela é no Brasil e em Brasília, cercada de espécies floridas

 (Iano Andrade/CB/D.A Press)

AS HORTALIÇAS DE YOCHIKI
Alessandro, Miti, Yochihi e a pequena Larissa: verde folhoso   

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