Casado há 9 anos com o companheiro, embaixador diz que sociedade evoluiu

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postado em 15/11/2012 07:00 / atualizado em 15/11/2012 12:32

Flávia Maia , Aureliza Corrêa - especial para o Correio /kd

Aureliza Corrêa/Esp. CB/D.A Press


Chegar a um país com direitos civis diferentes do seu é o desafio do embaixador da Bélgica no Brasil, Jozef Smets, 54 anos. No Brasil há menos de dois meses, na noite da última terça-feira, ele apresentou o marido Cristophe Degraeuwe aos diplomatas durante a cerimônia oficial de posse, que ocorreu na Festa do Rei, típica da cultura belga. Por aqui, não é comum os representantes de missões estrangeiras apresentarem os companheiros de mesmo sexo e fazer a foto oficial, até porque, diferentemente da Bélgica, esse tipo de união ainda não é reconhecida pela legislação brasileira.

Ao trazer Cristophe ao Brasil, Jozef está fazendo valer os direitos adquiridos na Bélgica e espera que o tratamento tolerante seja a marca de sua passagem pelo país. Segundo ele, antes de oferecer a festa, entrou em contato com o Cerimonial do Itamaraty e perguntou sobre a possível reação em relação ao marido. "Ela avisou que seria tranquilo e de, fato, foi". De acordo com Jozef, de uma maneira geral, no meio diplomático a união homossexual não é um tabu, já que a maioria dos profissionais têm uma visão moderna sobre o assunto.

O Brasil é o sexto país em que Jozef trabalha, o terceiro em que ocupa o posto de embaixador. Ele conta que sempre teve o hábito de apresentar o companheiro em todos os locais onde ocupou cargo diplomático, afinal, eles estão juntos há 30 anos, casados a nove. Eles oficializaram a união em 2003, ano em que a Bélgica liberou o casamento formal. "Já vivíamos juntos há muito tempo. Na verdade, o casamento é mais para garantir direitos", afirma. O país foi o segundo em território europeu a permitir o casamento gay, atrás apenas da Holanda.

Conservadorismo
Apesar da liberalidade no meio diplomático, Jozef conta que em nações mais conservadoras, ele costumava dizer que Cristophe era um secretário pessoal. Diplomata que é, o belga prefere não citar os países onde enfrentou o problema. Mesmo assim, o companheiro sempre o acompanhou. "O importante é você ser um bom profissional. Quando se trabalha bem, as pessoas deixam de lado a sua vida pessoal e se importam com o que é produzido"comenta.

Jozef conta que recebe e-mails de profissionais mais jovens preocupados com as reações homofóbicas. Em relação ao Brasil, ele analisa que o país deu importantes passos permitindo a união estável. "Vocês estão no bom caminho para a garantia dos direitos civis dos casais homossexuais, mas é preciso dar tempo ao tempo. O Brasil ainda precisa melhorar em outras questões, como a violência contra as mulheres. Em nações onde a pessoa humana é respeitada em sua integralidade, as mudanças tendem a ser mais rápidas". Ele lembra que o respeito precisa ocorrer em todo o mundo, mesmo na Bélgica, onde, no ano passado, um jovem foi assassinado por grupos homofóbicos.

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