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Envolvido no Caso Galdino já foi reprovado em concurso também em Goiás

Lá, segundo comando da Polícia Civil, ele não passou na etapa de avaliação da vida pregressa e da investigação social de acordo com pontos claros do edital

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postado em 26/04/2014 06:00 / atualizado em 28/04/2014 14:26

Kelly Almeida , Almiro Marcos , Adriana Bernardes

Carlos Vieira/CB/D.A Press - 24/09/08

O concurso para a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) não foi o único no qual G.A.N.J. tentou passar e foi barrado na etapa de avaliação da vida pregressa e investigação social. Um dos envolvidos no assassinato do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, em 1997 (veja Memória), ele também tentou se tornar agente e escrivão da Polícia Civil de Goiás no ano passado. Nos dois casos, assim como em Brasília, passou em todos os estágios —prova de conhecimentos, avaliação médica, teste de aptidão física, exame psicotécnico e prova de digitação — e só parou na última, exatamente a investigação de seu passado. Em Goiás, a reprovação ficou sob responsabilidade do Conselho Superior da Polícia Civil.

G. candidatou-se para as funções de agente e escrivão de 3ª classe, em concursos realizados na mesma época. A lotação seria na 11ª Delegacia Regional de Polícia de Goiás, em Formosa, Entorno do DF. O salário previsto, nos dois casos, é de R$ 2.971,95. O candidato foi bem até chegar na investigação da vida pessoal, quando não fez mais parte da lista nem dos 22 agentes nem dos 22 escrivães aprovados. “Nós sabemos desse caso. Temos conhecimento da situação. Foi feita uma análise ampla, profunda e criteriosa da vida dele por parte de nossa equipe. Ele não foi aceito por não apresentar conduta adequada para se tornar um policial civil de Goiás. A palavra final sobre a aprovação é do Conselho Superior da polícia, e o candidato não foi aceito”, explicou o delegado Norton Luiz Ferreira, chefe da comunicação social da corporação.

A avaliação de vida pregressa e social é usada na eliminação de candidatos que disputam vaga nas polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal. Também é critério para exclusão para quem pretende ingressar no Ministério Público, na magistratura e na Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Vice-presidente da Associação Nacional de Proteção e Amparo aos Concursos e Coordenador do Movimento Moralização dos Concursos, José Wilson Granjeiro explica que a investigação de vida pregressa apura ilícitos, crimes, contrações e delitos já praticados pela pessoa. Já a investigação social não tem relação com crimes. “A comissão avalia se o candidato já teve comportamento que tenha provocado estranheza. Se é frio, arredio, antissocial”, analisou.

Advogado criminalista e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil, seção São Paulo, Roberto Delmanto Junior afirma que a PCDF deve deixar clara a razão de G. ter sido reprovado na avaliação. “Às vezes, existem outras questões da vida pregressa que pesam contra ele e que a gente não sabe. De qualquer forma, a decisão deve ser pautada pela lei. Não se pode inventar critério”, disse. Na avaliação de Delmanto, o ato infracional cometido por G. na adolescência não pode ser usado. “Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o passado é apagado assim que ele completa 18 anos ou cumpre a medida socioeducativa”, explica. Segundo Delmanto, a falta de objetividade da avaliação social do candidato também ocorre na magistratura e no MP.

Memória
Confundiram com um mendigo

G.N.A.J. era o único adolescente entre os jovens que atearam fogo ao índio Galdino, na madrugada do dia 20 de abril de 1997. G. tinha 17 anos, Max Rogério Alves, 19, Tomas Oliveira Almeida, 18, e Eron Chaves Oliveira, 19. Eles se encontram no Lago Sul, por volta da 1h30. De lá, seguiram para uma lanchonete na 312 Sul. Em seguida, foram para a 204 Sul, onde, à época, morava o padrastro de Max. Trocaram de carro e voltaram para o Lago Sul, para que Eron pegasse seu automóvel. O veículo foi deixado na 204 Sul e os jovens continuaram com o carro da mãe de Max. Quando passaram entre as quadras 703 e 704 Sul, por volta das 3h40, viram Galdino deitado na parada de ônibus. Eles julgaram ser um mendigo. Um dos rapazes teve a ideia de dar susto no homem. Os cinco foram a um posto de combustíveis e encheram duas garrafas plásticas com álcool. Com o preço do combustível naquele tempo, a conta deu R$ 1,20. Os cinco voltaram ao local onde o índio estava deitado, jogaram o líquido inflamável e riscaram os fósforos. Uma testemunha anotou a placa do carro em que o grupo fugiu.

Assista à reportagem da TV Brasília

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