Criador do kit macho muda de tática depois de advertência do partido

Matheus Sathler, candidato a deputado federal pelo PSDB, é convencido pela sigla a retirar proposta de cartilha que ensina homem a gostar só de mulher. Mas, segundo ele, o discurso vai continuar a ser feito na campanha de rua

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postado em 23/08/2014 07:00 / atualizado em 23/08/2014 09:33

Almiro Marcos

Facebook/Reprodução

Um dia depois de aparecer no horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê propondo a criação do kit macho — para ensinar homem a gostar somente de mulher — e de causar reações contrárias e a favor da posição, o candidato a deputado federal Matheus Sathler (PSDB) disse que não se arrepende. “É a minha opinião e continuo pensando assim. Menino gostar de menino é antinatural”, resumiu. Enquadrado pelo partido, ele pretende começar a falar sobre temas menos polêmicos nas propagandas. “Também defendo a redução na carga tributária e nos gastos públicos”, acrescentou. O PSDB do Distrito Federal decidiu determinar a retirada do material do ar. Um candidato do PSol, ativista gay, entrou com uma representação contra o tucano no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Nas redes sociais, as opiniões foram exaltadas e divergentes. O tucano evangélico foi atacado por ativistas e chamado de homofóbico, preconceituoso e gayzista, mas também foi parabenizado pela iniciativa. Até as 19 horas de ontem, o post com a reportagem sobre o assunto, na página do Correio Braziliense em uma rede social, tinha mais de 500 compartilhamentos e milhares de curtidas e comentários.

A propaganda polêmica foi ao ar duas vezes na televisão (tarde e noite) e duas vezes no rádio (manhã e tarde) na última quinta-feira. Nela, Matheus Sathler fala da distribuição de cartilhas contrárias ao homossexualismo e a favor do que ele considera normal (homem gostar de mulher). O PSDB chegou a afirmar que o material não tinha sido divulgado, mas depois admitiu a publicidade. De acordo com o partido, não houve tempo para que a produtora fizesse a substituição, mas que a propaganda não voltaria a ser exibida até que a situação fosse discutida entre a direção partidária e o candidato.

Ontem, enquanto fazia uma caminhada pelo Recanto das Emas à tarde, Matheus Sathler recebeu uma ligação do presidente da legenda no DF, Eduardo Jorge. “Ele não chegou a me censurar. Apenas pediu que eu passe a apresentar outras propostas no horário eleitoral. Concordei com isso, pois tenho outros pontos a debater. Mas a minha posição a favor da família continuará a ser mostrada na minha campanha de rua. Não tenho nada a me esconder e nem por que me envergonhar ou temer.”

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