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Três tipos de vacinas estão com estoque zerado no DF

Para não interromper a vacinação, Governo Federal recomendou que a Secretaria de Saúde use doses específicas para gestantes ou compostos mais fortes. Falta atinge ainda clínicas particulares

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postado em 30/10/2015 06:05

Otávio Augusto

Gustavo Moreno/CB/D.A Press
 

 

A vacinação faz parte da rotina de milhares de pais no Distrito Federal. Até aqueles mais desatentos sabem da importância da imunização. A rede pública, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), disponibiliza 17 tipos de vacinas, além de 10 para grupos em condições clínicas especiais, como portadores de HIV e doentes crônicos. No entanto, ao longo deste ano, os estoques permaneceram boa parte dos meses zerados. A DTPa infantil (contra difteria, tétano e coqueluche acelular) está em falta desde janeiro. As crianças que precisam tomar a BCG (contra tuberculose) são submetidas a um agendamento prévio — medida para regular a baixa reserva disponível desde março. Na rede particular, a Pentavalente, a Hexavalente e a Meningo B, que protegem da meningite e de outras infecções, também desapareceram das prateleiras. Várias clínicas estão com listagem de espera.

Dayane Corrêa, 22 anos, mãe de um bebê de apenas 2 meses, peregrinou por quatro unidades médicas até conseguir vacinar a filha recém-nascida. A menina esperou quase um mês para receber as doses da vacina BCG e contra hepatite B — normalmente aplicadas na primeira semana de vida. “Fiquei muito preocupada. Se na primeira (imunização) foi assim, imagina como será para manter o cartão atualizado. A maior chateação é o tratamento que a gente recebe do servidor público”, reclama Dayane, moradora da Quadra 13 de Planaltina.

Um auxiliar de enfermagem, que preferiu não ser identificado, diz que as maiores perdas estão relacionadas ao condicionamento inadequado ou a lotes vencidos. “Este ano, uma pane elétrica fez com que centenas de vacinas fossem para o lixo. Mesmo sem esse problema, os postos enfrentam dificuldades com espaços inadequados e aparelhos de refrigeração muito antigos para o armazenamento”, revelou o servidor, que trabalha em uma unidade de saúde do Lago Norte. Segundo ele, junta-se a esses problemas, a falta de seringas do tipo 20x5,5 (espessura fina).

O Correio ligou para sete postos de vacinação de diferentes regiões administrativas. Entre eles, o Centro de Saúde nº 7, na QNO 10, em Ceilândia. Por telefone, a servidora informou que não há previsão para a normalização do serviço. “Está faltando desde o início do ano. Se você estiver com pressa, pode procurar outro posto, talvez algum ainda tenha no estoque”, disse, ao explicar que, no local, a vacinação está suspensa.

Disputa
A rede particular também sofre com o desabastecimento. As unidades médicas consultadas pela reportagem disseram que não há previsão para a demanda ser atendida. Nas redes sociais, mães compartilham informações sobre os pontos que ainda têm vacinas disponíveis para compra. Apenas em uma clínica, na 716 Sul, Pentavalente, Hexavalente e Meningo B estavam disponíveis esta semana. O lote, porém, foi vendido em menos de duas horas, o que gerou uma lista de espera que conta com 150 nomes. Alguns pais preferiram deixar paga a segunda dose. O preço da vacina contra meningite, por exemplo, varia entre R$ 600 e R$ 1,3 mil.

Marta Pereira de Carvalho, especialista em doenças imunopreveníveis, atua no setor há mais de 20 anos e diz nunca thouve tamanho desabastecimento. “O problema está ligado a dois fatores: o primeiro é a falta de princípio ativo; o segundo, a quantidade de laboratórios que atuam no Brasil. Em alguns casos, apenas uma marca fabrica a vacina”, explica. A expectativa do mercado é que em 2016 o problema seja resolvido. “Existe a movimentação de algumas empresas para entrar no mercado brasileiro. Isso pode melhorar todo o sistema”, afirma Marta.

Substituição
O Executivo local não possui dados separados de vacinação entre crianças e adultos. No primeiro semestre de 2015, 1.540.859 doses foram aplicadas — isso representa 75% do total em todo o ano de 2014, quando 2.039.866 pessoas se imunizaram. Com a falta das vacinas DTPa infantil e DTP adulta, a pasta substituiu os itens pela Pentavalente. “O Ministério (da Saúde) vem enfrentando dificuldades na produção. Diante disso, a recomendação é utilizar essas temporariamente”, reconheceu, em nota, a Secretaria de Saúde do DF.

Sobre os desperdícios pelo acondicionamento incorreto, a Secretaria disse não ter como controlar as perdas. “O controle das vacinas fica a cargo de cada unidade de saúde. Por isso, não sabemos onde ocorreram casos de vacinas vencidas e que foram descartadas”, informou a pasta.

O Ministério da Saúde garantiu, em nota, que as vacinas estão com distribuição regular. No entanto, “problemas de produção mundial” da vacina DTPa infantil estão afetando a disponibilidade. “O Programa Nacional de Imunizações (PNI) fez todo o planejamento de compra da vacinas no mercado internacional, já que não há produção nacional”, explica o texto. Segundo a autarquia federal, a recomendação é que crianças acima de 4 anos recebam a vacina DTPa para gestantes, apesar de alguns postos optarem pela Pentavalente.

A pediatra Cláudia Valente, da Associação Médica de Brasília (AMBr), diz que o risco de reação alérgica nas crianças é pequeno, mas critica a falta de organização das duas esferas de governo. “É preciso ter um esquema forte de logística e planejamento para evitar esse tipo de problema”, afirmo. 

 

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Lost
Lost - 30 de Outubro às 10:46
O Brasil sempre foi referência mundial com seu programa de imunização, um dos melhores do mundo desde a década de 70. Até isso o PT está conseguindo destruir nesse país....
 
Marcus
Marcus - 30 de Outubro às 10:22
Tudo isso graças a incompetência deste governo que aí está. Tanto federal como distrital.

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