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Jovem é estuprada por segurança em festa de réveillon na Asa Norte

Segundo a jovem, ela foi estuprada por dois seguranças e decidiu fazer o relato para alertar outras mulheres

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postado em 02/01/2016 22:25 / atualizado em 03/01/2016 00:56

Ataide de Almeida Jr.

Facebook/Reprodução


Em uma publicação do Facebook, a jovem de 24 anos, narra momentos de terror sofrido por ela na madrugada de sexta-feira (1º/1), após a virada do ano. Segundo o relato, ela estava no evento The Box - Reveião, que ocorreu no Setor de Clubes Norte, quando foi coagida por um segurança, que a levou para um estacionamento e a estuprou. "Era mais de meia-noite, eu estava dançando com um amigo perto da entrada quando fui abordada por um dos seguranças, que me coagiu a sair da festa, eu realmente não entendi o motivo e mesmo alcoolizada só atendi por ser uma figura de autoridade do local. Havia uma área de terra onde alguns carros estavam estacionados entre o cerrado. Eu estava completamente vulnerável, com muito medo. Um dos carros estava estacionado de ré para o cerrado, então atrás do carro só havia vegetação. Ele me virou de costas e sem a menor cerimônia me estuprou", conta.

O segurança. em seguida, mandou que ela ficasse por lá. Logo depois, voltou com outro companheiro. Segundo o relato, ela não reagiu, pois ficou com medo de ser agredida. "Ele saiu, eu fiquei com o outro segurança e perguntei porque ele iria fazer aquilo comigo também, acho que ele se assustou e disse que não ia fazer nada, respirei fundo e voltei pra festa num misto de pavor e dormência", disse.

Facebook/Reprodução


Ela teve medo de contar para os amigos que também estavam na festa. "O dia amanheceu, fui pra casa com meu amigo, eu não conseguia ainda assimilar os fatos. Só pensei que não podia banhar, deitei e tentei dormir. Foi um sono inquieto, eu sentia dores internas, e comecei a lembrar de algumas frases que usamos na militância: “moça, a culpa não é sua”, “não ensine meninas a não serem estupradas, ensine meninos a não estuprar”, conta.

"Quando num ímpeto saí do quarto e falei com o meu pai um seco: “Pai, eu fui estuprada”. Temos quatro cachorros, ele estava lavando a área, parou na mesma hora, esperou minha mãe sair do banho, contou pra ela. Fomos imediatamente à Delegacia da Mulher, eu sequer comi. Saímos de casa por volta de 12h. Ficamos aproximadamente quatro horas na delegacia, foi uma situação extremamente constrangedora", relata a jovem. De lá, ela foi encaminhada para o Instituto Médico Legal e ao Hospital da Asa Sul e foi medicada com Benzetacil e o coquetel contra Aids.

Facebook/Reprodução



Além do relato, a jovem publicou fotos dos pedidos de exame e do coquetel contra Aids. Segundo o texto, ela decidiu postar publicamente, pois "não suporto imaginar que outra mulher pode passar pelo mesmo que eu passei e ficar calada, estou fazendo a minha parte pra evitar outras dores e outros sofrimentos".

Resposta
Também pelo Facebook, a organização do evento publicou nota sobre o ocorrido com a jovem. Segundo eles, "a equipe de segurança contratada já fez diversos eventos conosco e conhecemos por meio de indicações de Eventos de alguns Centros Acadêmicos da Universidade de Brasília". Disseram ainda que "entramos em contato com a vítima para dispor também a ela toda documentação necessária. Novamente as sinceras desculpas. Isso é um comportamento inaceitável e nos colocamos a disposição para investigar qualquer outro caso de violência que possa ter ocorrido, por que atos assim não podem passar impunes."

Confira a íntegra da nota dos organizadores do evento:

Já pedimos desculpas pela estrutura do bar da festa, que realmente foi ruim. Infelizmente, além das reclamações tivemos o conhecimento do relato do estupro cometido por um membro da equipe de segurança contratada e fomos diretamente a delegacia da mulher.

A equipe de segurança contratada já fez diversos eventos conosco e conhecemos por meio de indicações de Eventos de alguns Centros Acadêmicos da Universidade de Brasília.

Passamos o dia (02/01) na delegacia da mulher disponibilizando toda ajuda e documentação necessária para encontrar o culpado, ajudar nas investigações e a penalização dos envolvidos.

Antes de ir a delegacia entramos em contato com a vítima para dispor também a ela toda documentação necessária. Novamente as sinceras desculpas. Isso é um comportamento inaceitável e nos colocamos a disposição para investigar qualquer outro caso de violência que possa ter ocorrido, por que atos assim não podem passar impunes.


Leia o relato da jovem na íntegra:

A festa estava horrível, então meia hora antes da virada decidi ao menos “aproveitar” o open bar, assim fiz.

Era mais de meia noite, eu estava dançando com um amigo perto da entrada quando fui abordada por um dos seguranças, que me coagiu a sair da festa, eu realmente não entendi o motivo e mesmo alcoolizada só atendi por ser uma figura de autoridade do local. Havia uma área de terra onde alguns carros estavam estacionados entre o cerrado. Eu estava completamente vulnerável, com muito medo. Um dos carros estava estacionado de ré para o cerrado, então atrás do carro só havia vegetação. Ali ele me virou de costas e sem a menor cerimônia me estuprou. Eu fui estuprada por quem deveria assegurar minha segurança. Eu tive medo, não reagi (poderia ter sido pior se reagisse, eu poderia apanhar, poderia demorar mais...), só queria que acabasse logo. Quando ele terminou mandou eu ficar lá, mais uma vez tive medo e não me movi. Ele voltou com outro segurança e disse: “Tá aí, cara, manda ver”. Não consigo descrever o que senti na hora.

Ele saiu, eu fiquei com o outro segurança e perguntei porque ele iria fazer aquilo comigo também, acho que ele se assustou e disse que não ia fazer nada, respirei fundo e voltei pra festa num misto de pavor e dormência. Não contei nada pra ninguém. Me questionei se eu não tinha “pedido por aquilo”, olha que ridículo! É assim que somos ensinadas. A culpa sempre é atribuída à mulher. O dia amanheceu, fui pra casa com meu amigo, eu não conseguia ainda assimilar os fatos. Só pensei que não podia banhar, deitei e tentei dormir. Foi um sono inquieto, eu sentia dores internas, e comecei a lembrar de algumas frases que usamos na militância: “moça, a culpa não é sua”, “não ensine meninas a não serem estupradas, ensine meninos a não estuprar”.

Decidi levantar e tirar o absorvente interno (sim, durante o estupro eu estava usando absorvente interno), acontece que eu não consegui. Fiquei mais de uma hora pensando no que fazer, entrei em contato com um grupo de apoio à vítimas de crimes sexuais ao qual faço parte, fui ouvida e mesmo assim... Eu estava desnorteada! Não queria contar pra ninguém, estava com vergonha, me sentindo suja, culpada... Quando num ímpeto saí do quarto e falei com o meu pai um seco: “pai, eu fui estuprada”. Temos quatro cachorros, ele estava lavando a área, parou na mesma hora, esperou minha mãe sair do banho, contou pra ela. Fomos imediatamente à Delegacia da Mulher, eu sequer comi. Saímos de casa por volta de 12h.

Ficamos aproximadamente quatro horas na delegacia, foi uma situação extremamente constrangedora, tive que repetir a história várias vezes e reviver aquele momento. Fui encaminhada ao IML e ao hospital da Asa Sul pela delegacia. O médico do IML não conseguiu tirar o absorvente interno, meu desespero só aumentava. Cheguei ao hospital e fui atendida por uma médica extremamente empática, finalmente me senti um pouco menos desconfortável, ela me tratou tão bem! Ela me consultou e tirou o absorvente, o que apesar de ter doído muito porque minha vagina está realmente bastante machucada, foi um alívio. Tomei uma Benzetacil em cada lado (sim, foram duas), remédio na veia, mais algumas doses únicas de remédio (via oral) e, o que me abalou muito: iniciei a tomar o coquetel para AIDS (são 28 dias tomando esses remédios fortíssimos, que causam enjoo, vômito e diarreia). Colhi sangue também. Cheguei em casa à noite, exausta, faminta... Até que minha irmã chegou e eu finalmente consegui chorar.

Eu sei que é muita exposição, mas, sinceramente?! Não é pior ao o que me aconteceu. Decidi redigir esta nota de repúdio por alguns motivos específicos: eu fiz tudo como orienta a lei, tudo certinho, e uau!!! Quanta burocracia! A delegacia, o IML e o hospital ficam completamente distantes um do outro, eu estava de carro, acompanhada, mas e a mulher que não tem nenhuma assistência como faz? Ela não faz, ela desiste. Porque se eu tivesse sozinha, juro que teria ido ao posto de saúde dizer que transei bêbada com absorvente interno, eu não teria forças pra passar por isso sozinha (e se não fosse o absorvente interno nem teria ido, correndo riscos de saúde); quantas outras mulheres não devem ter sofrido nas mãos desse imbecil e dessas empresas de segurança irresponsáveis que contratam qualquer um?! E o mais importante, eu não suporto imaginar que outra mulher pode passar pelo mesmo que eu passei e ficar calada, estou fazendo a minha parte pra evitar outras dores e outros sofrimentos.

-> Compartilhei a publicação na página e no evento. O evento foi excluído e o comentário na página apagado. Infelizmente não tive tempo de tirar print. Mas tenho outros prints de reclamação enquanto o evento ainda não havia sido excluído,parte significativa sobre a segurança.

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
a responsabilidade é do autor da mensagem.
 
Euri
Euri - 06 de Janeiro às 12:29
Pelo relato da moça, ela entrou em desespero por causa da dor intensa causada pelo absorvente interno que ela não tirou antes do ato. "O dia amanheceu, fui pra casa com meu amigo, eu não conseguia ainda assimilar os fatos. Só pensei que não podia banhar, deitei e tentei dormir. Foi um sono inquieto, eu sentia dores internas Decidi levantar e tirar o absorvente interno (sim, durante o estupro eu estava usando absorvente interno), acontece que eu não consegui. Fiquei mais de uma hora pensando no que fazer, entrei em contato com um grupo de apoio à vítimas de crimes sexuais ao qual faço parte, fui ouvida e mesmo assim... Eu estava desnorteada! Não queria contar pra ninguém, estava com vergonha, me sentindo suja, culpada... Quando num ímpeto saí do quarto e falei com o meu pai um seco Fui encaminhada ao IML e ao hospital da Asa Sul pela delegacia. O médico do IML não conseguiu tirar o absorvente interno, meu desespero só aumentava. Cheguei ao hospital e fui atendida por uma médica extremamente empática, finalmente me senti um pouco menos desconfortável, ela me tratou tão bem! Ela me consultou e tirou o absorvente, o que apesar de ter doído muito porque minha vagina está realmente bastante machucada, foi um alívio."
 
Gustavo
Gustavo - 04 de Janeiro às 14:13
Essa História ta muito, mas muito suspeita... Uma coisa é fato... O suposto agressor "já está condenado publicamente"!!! Se.um.dia provarem q foi inventada nenhuma indenização vai desmanchar essa historia da sua vida...
 
Eliana
Eliana - 06 de Janeiro às 00:00
Como a história é suspeita se o próprio autor assumiu que praticou o ato e ainda alegou ter sido consensual? Ele estava lá na condição de garantidor da ordem do evento e da integridade física dos presentes. Mesmo que tenha sido abordado pela vítima, deveria tomar providências para POUPA-LA para que nada de mal acontecesse à ela. Mas, ao contrário, aquele que tinha o DEVER de protege-la foi o autor do ESTUPRO! INADMISSÍVEL!!!
 
andré
andré - 04 de Janeiro às 13:38
Alguma coisa não está batendo nessa história. Vamos aguardar as investigações.

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