Suspeito de estupro desabafa após inquérito: "posso respirar aliviado"

Wellington Monteiro Cardoso publicou um relato em uma rede social onde destaca que o pesadelo não acabou e que teve a vida "destruída" durante as investigações

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postado em 14/02/2016 10:56

Arquivo pessoal/Divulgação
Um dia depois de a Polícia Civil concluir as investigações sobre o suposto caso de estupro ocorrido em uma festa de réveillon no Setor de Clubes Norte, o empresário e segurança Wellington Monteiro Cardoso publicou um relato em uma rede social. Na postagem feita no perfil dele, às 13h30 de ontem, o segurança escreveu que o “pesadelo” não chegou ao fim, mas que pode “respirar aliviado” por não ter sido indiciado após a apuração policial. Com o texto, há uma foto dele, segurando um cartaz com os dizeres #SempreFuiInocente. “Espero que meu caso sirva de exemplo”, afirmou (leia Depoimento). Wellington havia sido acusado de estupro por uma jovem de 24 anos, que usou o perfil no Facebook para relatar o suposto abuso.

Ele não quis dar entrevistas ontem, mas os advogados dele, Ivan Morais Ribeiro e Paulo Henrique Abreu, disseram ao Correio que, durante a investigação, o cliente sofreu ameaças, teve os contratos da empresa de segurança cancelados e se afastou da família. “É a polícia que tem os mecanismos para uma investigação completa. Existem muitas falsas acusações de estupro no Brasil e, muitas vezes, a pessoa que está contra a espada penal do estado, de uma maneira equivocada, não tem a oportunidade de ser defendido corretamente. A luta pelos direitos da mulher é legítima e democrática. Agora, é preciso ter cautela”, defendeu Ivan.

Segundo o inquérito da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), não há elementos para indiciar Wellington pelo crime. Mas os autos serão encaminhados para o Ministério Público do DF e Territórios, que pode pedir novas diligências, denunciar o segurança ou arquivar o caso. Ainda assim, os defensores enxergam a conclusão da Polícia Civil como “positiva”. “Foi um laudo muito bem elaborado. Foram 45 dias para constatar que não há materialidade alguma para indiciar o nosso cliente. Esse relatório é um passo importante para a defesa. Nós continuamos a sustentar que a relação sexual que aconteceu foi consentida”, disse o advogado.

O relatório policial ressaltou, ainda, as contradições entre os depoimentos da vítima e do suspeito. Consta que, segundo testemunhas, “ouve um envolvimento prévio das partes ainda dentro da festa”. A investigação também aponta que a jovem e o suposto agressor deixaram o evento de mãos dadas “fato que contrapõe a versão apresentada pela vítima”. Por fim, a Polícia Civil diz que “diante da ausência de indícios suficientes de materialidade, não houve indiciamento no inquérito”.

Durante a próxima semana, de acordo com Ivan Morais, a defesa e o cliente definirão os próximos passos judiciais, incluindo a possibilidade de abrirem processos.

Militância constante

 

A jovem de 24 anos que usou a internet para denunciar o suposto estupro na virada do ano continua a postar mensagens relacionadas a agressão sexual e outros tipos de violência contra a mulher. Nas publicações quase diárias, ela pede o fim da cultura do estupro e que as vítimas quebrem o silêncio diante das agressões.

Segundo o texto publicado por ela na internet, em 1º de janeiro, ela teve medo e se sentiu coagida a acompanhar o segurança por representar a “autoridade” do evento.

À época, ela disse ao Correio só ter percebido a violência horas depois. A reportagem tentou contato ontem com jovem por telefone, mas ela não quis se posicionar sobre a conclusão do inquérito.

Entenda o caso
Figura de autoridade
Wellington Monteiro Cardoso era o chefe da segurança na festa The Box Reveião, no Setor de Clubes Norte. Segundo a estudante de 24 anos, em relato em uma rede social, o suposto abuso ocorreu enquanto dançava com um amigo. Ela teria sido abordada pelo vigilante, obedecendo a ordem de sair do local por ser uma figura de autoridade. Ele, então, a levou para uma área de terra batida, onde havia carros estacionados. Dias depois, a estudante declarou à polícia que estava sem condições de evitar a violência, mas a Deam destacou que “a vítima foi submetida a exame de corpo de delito, em qual não foi possível constatar a incapacidade de reação”. Em entrevista ao Correio, a jovem afirmou só ter percebido a violência do ato horas depois. “Foi quando a ficha começou a cair, me dei conta do que tinha acontecido de verdade, de que não tinha sido consensual.” Desde o início, Wellington admitiu à polícia que se relacionou sexualmente com a jovem, mas sempre afirmou que o ato havia sido consentido.

Depoimento
Mudança de rotina longe da família

“Foram quase dois meses de pesadelo. Porém, confiei na justiça, pois sabia que ela viria. A Delegacia da Mulher confirmou o que eu sempre disse: a verdade. A verdade apareceu e agora posso respirar aliviado, embora o pesadelo não tenha chegado ao fim. Espero que meu caso sirva de exemplo para que outras falsas acusações não destruam vidas como assim fizeram com a minha. Perdi todos os contratos de minha empresa, a minha família foi devastada, recebi ameaças de morte, fui condenado nas redes sociais, supostos especialistas sem a devida cautela me acusaram injustamente, pessoas me perseguiram, tive que me ausentar do convívio com meus filhos, deputados me acusaram de estupro, mancharam minha imagem para todo o país, me acusaram de estupro sem que ao menos o inquérito policial tivesse sido concluído, o sindicato da categoria absurdamente lançou nota de repúdio me rotulando como estuprador, muitos me julgaram sem saber o que de fato aconteceu. Nesse tempo, minha vida virou um grande inferno. Assim, pergunto: o que será de mim agora? Quem vai pagar a conta? E agora?”

Wellington Monteiro Cardoso, em relato publicado ontem em uma rede social

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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Carmelita
Carmelita - 03de Março às 08:16
Violência é violência! Ela é percebida na hora, não depois! Quem bebe assume os riscos ao dirigir, ao andar numa rua, ao estar numa festa. Quem bebe sabe e conhece os efeitos do álcool no organismo. Por favor, beber e depois se fazer de vítima e pobre coitado em pleno século XXI, não dá! Vai querer enganar a quem? No fundo, nem a si mesmo! É preciso ter cuidado na hora de sair por aí acusando pessoas disto ou daquilo. Calúnia é crime. Vivemos uma década favorável aos direitos humanos, à violência contra a mulher, contra atos de racismo, pedofilia, etc. Mas não se pode aproveitar deste contexto atual para sair disseminando acusações infundadas. Se existe a possibilidade de que um ato de violência foi praticado, deixa a Polícia investigar primeiro. Se for confirmado, que a própria Polícia - ou os Direitos Humanos - divulgue na mídia, inclusive nas redes sociais. Na CF/88 existe um artigo sobre a "presunção de inocência". Todos devemos nos lembrar disto.
 
Carmelita
Carmelita - 03de Março às 08:02
Se o cara é casado e tem filhos, o problema é dele e da mulher dele. Vamos parar com sermões ingênuos e cheios de hipocrisia.
 
Carlos
Carlos - 26 de Fevereiro às 15:44
Que o exemplo sirva para vc mesmo. Parece que não conseguido provas contra vc, isso não quer dizer que vc não fez. Próximo trabalho, trabalha!!!!
 
guilhermina
guilhermina - 24 de Fevereiro às 02:45
A jovem estava muito alcoolizada e, portanto, não poderia consentir validamente com uma relação sexual. Foi estupro, sim! Ele deve responder por seu ato, de aproveitar de uma mulher que estava vulnerável no momento da relação sexual e, ela, infelizmente, com esta experiência traumática, vai aprender a pensar antes de agir, ou seja, não se embebedar, porque neste mundo o mais fraco é engolido. Infelizmente, para alguns jovens, conselhos de pai e mãe nada valem! Acabam aprendendo através do sofrimento.. Lamento muito por esta jovem mulher! Cadeia para este estuprador!
 
cristiane
cristiane - 19 de Fevereiro às 17:51
traição nao eh equivalente a estupro. mesmo pq um eh crime o outro nao. entao, se ele errou com a familia dele que se acertem dentro de casa, mas daí a ser justo acusá-lo de um crime tao grave quanto o estupro? acho que nao tem cabimento ainda acharem que essa acusaçao estava correta! casos como o relatado pela jovem existem? muitos! precisam ser denunciados? sem duvida! mas realmente, uma mulher que passe por isso vai permanecer festando com o resto? me poupem... e outra, lugar de denuncia eh na delegacia nao eh em rede social, justamente pra se evitar tantos absurdos como ja ocorreram de mulher ser morta a pauladas por ser confundida com sequestradora e fazer magia negra com crianças, como outros homens inocentes que foram presos e passaram por poucas e boas dentro da cadeia ate conseguir provar q era inocente. nao temos que ser tolerantes com crimes hediondos, mas temos que investigar antes de acusar pq tem muita gente hj em dia vivendo de processos e de midia. e ate provar q fucinho de porco nao eh tomada.....
 
vilson
vilson - 15 de Fevereiro às 10:33
Que seu caso sirva de exemplo? mesmo não sendo um estupro, um homem que se diz Empresário da área de Segurança, casado e pai de família, trair a esposa e quer servir de exemplo?
 
Marcos
Marcos - 25 de Fevereiro às 21:40
Você foi ótimo Vilson! afinal aonde se ganha o pão não se come a carne........
 
Edmundo
Edmundo - 15 de Fevereiro às 09:35
A vítima fica constrangida de representar à autoridade policial. Mas não tem o mesmo constrangimento ao anunciar os menos fatos nas redes sociais, para todo mundo tomar conhecimento. Não faltou prova, mas meros indícios.
 
Mauro
Mauro - 15 de Fevereiro às 09:22
Sempre achei essa estória muito mal contada. Imagino que o crime de estupro seja algo tão horrendo que é impossível uma mulher ser estuprada, voltar pra uma festa e ainda curtir até o sol raiar. Muitas se empolgam e, depois, se arrependem. Como são bombardeadas diariamente pelo feminismo extremista, se colocam imediatamente na posição de vitima. O direito da mulher é legítimo, mas há de se ter cautela. O que esse rapaz fará da vida daqui em diante???
 
GURGEL
GURGEL - 14 de Fevereiro às 13:25
E a consciência dessa garota, como ficou? E pensar que ela teve tempo para refletir sobre o que estava fazendo antes de expor o caso nas redes sociais. Isso que eu chamo de 5 minutos de besteira de ambas as partes!
 
Júlio
Júlio - 14 de Fevereiro às 13:13
Se os relatos sobre o comportamento da garota forem verdadeiros, realmente é lamentável. Li em uma reportagem que essa garota simplesmente estava se insinuando, se esfregando em outro e flertou com o segurança. Não sei do caso concreto, mas a verdade é que há muitas dessas menininhas que vão para essas baladas e abusam de álcool e drogas e depois perdem a noção do que estão fazendo.A verdade é que tem muita mulher que paga de santa, mas chama para ir a uma missa para ver se vão.
 
Ana
Ana - 14 de Fevereiro às 12:44
Não bancar o esperto no ''jeitinho brasileiro" já ajuda. Casado sai pra trabalhar e ao invés de trabalhar vai transar em estacionamento. Que sirva de lição para o senhor.
 
itamar
itamar - 14 de Fevereiro às 12:33
Devemos ter cuidado em julgar as pessoas, se o cara é casado é problema dele e de sua família. Graças a Deus depois de um brilhante trabalho da delegacia da mulher da PCDF o acusado passa a ser vítima e deve correr atrás dos seus direitos contra ela e todos que o julgaram e condenaram. Não sei o que leva uma mulher dessa a fazer isso com um homem depois do sexo consentido é o que diz a delegada. Ainda bem que seu amigo segurança não quis ter relação sexual com ela o que fez bem porque não tinha preservativos o que acarretaria numa possível DST. Parabéns PCDF e boa sorte pra Vc camarada e lute por seus direitos.