Cura por meio das plantas: Brasília é pioneira na produção de fitoterápicos

Eles chegam à população por meio da Farmácia Viva, da Secretaria de Saúde

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postado em 21/08/2016 07:00

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 
 
O século 20 testemunhou a evolução do pensamento científico e a busca por melhores condições de tratamento e de possibilidades terapêuticas. Os fitoterápicos, medicamentos de origem vegetal, passaram a ser prescritos e ganharam o universo da pesquisa. Brasília é pioneira no país na produção e distribuição desse tipo de medicamento. Eles chegam à população por meio da Farmácia Viva, da Secretaria de Saúde. Ela completou 27 anos na última segunda-feira. Só em 2015, 22.252 pacientes se trataram com remédios naturais. Apesar das comemorações, profissionais da área cobram investimentos.

Os livros de história contam que, desde os mais remotos tempos, plantas, folhas, raízes, sementes, flores, frutos ou caules são fontes de substâncias que trazem conforto às dores e solução a males. Apesar disso, apenas em 2006 o Ministério da Saúde decretou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos que regulamentou a modalidade (veja O que diz a lei). A partir de então, a busca por esses produtos no Sistema Único de Saúde (SUS) só cresceu. Entre 2013 e 2015, o uso dos insumos aumentou 161%. Há três anos, cerca de 6 mil pessoas procuraram o tratamento no país. Ano passado, a cobertura chegou a 16 mil pessoas.

O Núcleo de Farmácia Viva, no Riacho Fundo, é a unidade de saúde responsável por toda a cadeia produtiva dos fitoterápicos, do cultivo da planta à distribuição do produto manipulado. Na quinta-feira, o Correio esteve no local para acompanhar os trabalhos. Lá, três farmacêuticos e outros 11 servidores fabricam os oito medicamentos disponíveis no DF — a lista do SUS conta com 12 títulos. O espaço guarda o canteiro onde são cultivadas sete plantas medicinais (leia quadro), além dos laboratórios de manipulação. São semeados exemplares também no Complexo Penitenciário da Papuda e no Centro Nacional de Recursos Genéticos, na Embrapa.

A Tintura de Guaco e o Gel de Erva Baleeira — usados no tratamento de doenças respiratórias e dores articulares com ação anti-inflamatória, respectivamente — são os mais buscados. Eles levam em média nove dias para ficarem prontos. Isso sem contar os dois anos de cultivo das plantas. Vinte unidades de saúde são cadastradas em 11 regiões administrativas e estão aptas a dispensarem os medicamentos fitoterápicos, mediante prescrição médica. Brazlândia, Candangolândia, Gama, Guará, Núcleo Bandeirante, Taguatinga, Samambaia, São Sebastião, Sobradinho, Recanto das Emas e Riacho Fundo contam com a assistência na rede pública.

Crescimento

Para o chefe do Núcleo de Farmácia Viva, Nilton Luiz Neto Júnior, a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos é uma divisora de águas no setor. “É engraçado quando alguns pacientes reconhecem o chá que tomaram durante toda a vida em uma caixa de remédio. Durante muito tempo, deixamos esse conhecimento esquecido. A política resgata esses traços históricos e culturais”, comenta. Apesar disso, ele cobra investimentos na área. “Há aumento da demanda de forma contínua, porém ocorre, por vezes, desabastecimento por falta de algum insumo farmacêutico necessário para a produção do medicamento”, completa.

Durante o evento que marcou uma década da portaria que regulamenta os fitoterápicos, semana passada, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, frisou o custo-benefício desses insumos. “Os fitoterápicos têm uma participação importante no mercado de medicamentos porque refletem nossa cultura, tradição e história. Além disso, são medicamentos de baixo custo aos quais parte da população está habituada, pois aprendeu a usá-los com seus avós e pais. É importante que possamos ampliar o acesso a fitoterápicos no SUS”, afirmou.

Em dois anos, somente os fitoterápicos feitos com plantas sem o uso de agrotóxicos no cultivo poderão ser vendidos no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, na última terça-feira, uma resolução que dá aos fabricantes, até janeiro de 2018, para se adequarem. O órgão já havia pedido, em 2014, que os fabricantes se adaptassem, mas o prazo foi revisto após as fabricantes alegarem que eram necessários investimentos para atender as regras.

Há 70 plantas liberadas para o uso. Mas, como todo medicamento, os fitoterápicos também apresentam efeitos colaterais. A Farmácia Viva alerta que 14 plantas medicinais são contraindicadas para uso por mulheres no período de aleitamento materno. Alho, arruda, babosa, boldo nacional, boldo baiano e carqueja são alguns tipos que compõem o grupo de risco. Em suas composições, alguns princípios ativos causam sabor amargo ao leite, diminuem a produção ou causam cólica no bebê.
 
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andre
andre - 22 de Agosto às 08:57
Pioneira? Não me façam rir...