Comportamento

Relações homoafetivas ainda são tabu em instituições

Exemplos recentes de intolerância contra homossexuais mostram que determinadas entidades ainda têm dificuldades em lidar com o tema

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postado em 18/09/2016 09:10 / atualizado em 19/09/2016 12:51

Fernando Lopes/CB/D.A Press

 

Um clube da Asa Sul mudou as regras de admissão de dependentes, exigindo, de casais homossexuais, provas de que o relacionamento existia, algo nunca cobrado para heterossexuais. Uma escola do Plano Piloto sofreu duras críticas depois de um estudante gay ter sido avisado de que precisaria contar aos pais sobre a sua sexualidade, após ser visto beijando o namorado nas proximidades da instituição. Um colégio de Ceilândia se tornou alvo de uma deputada distrital quando um professor decidiu explorar temas LGBT em sala de aula, mesmo com embasamento legal para isso.

Lidar com a sexualidade alheia ainda é tabu. E, no Brasil, algumas instituições seguem sem conseguir encontrar um equilíbrio na hora de reagir ao público LGBT. “A sociedade é heteronormativa. Questões morais e religiosas criam uma polarização que não consegue lidar com as subjetividades. Além de polarizar, essas questões determinam o lugar de poder e a quem este poder deve ser negado”, explica a presidente do Conselho Regional de Psicologia do Distrito Federal (CRP-DF), Cynthia Ciarallo. Segundo ela, a luta política da comunidade LGBT tem garantindo empoderamento a esse grupo; por isso, as críticas aos comportamentos homofóbicos ficam mais evidentes.

É o caso da mudança de normas da Associação Atlética Banco do Brasil (AABB). Em 2016, o clube passou a exigir de casais a apresentação da Certidão Pública de União Estável registrada em cartório, algo que só aconteceu depois que homossexuais começaram a tentar fazer parte do quadro social. Juliana (nome fictício), 25 anos, é sócia há um ano e meio. Ela entrou para o clube na categoria “companheiro(a)”. Com outro rapaz, eles ingressaram na AABB dividindo as despesas, tornando mais barata a possibilidade de ter à disposição de ambos a infraestrutura do local. Porém, ela nunca conheceu o homem que a AABB considera seu namorado. “Um amigo precisava de colegas para o time dele no futebol e perguntou em um grupo se alguma de nós topávamos. Como eu tinha feito 24 anos, não poderia mais ser dependente do meu pai e topei”, conta.

 

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Aprendizagem

No colégio da Asa Sul, o caso gerou o adiantamento de uma ação afirmativa. Após enxurrada de comentários negativos nas redes sociais, o Sigma contratou o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem), da Unesp/Unicamp, para ouvir os estudantes, não só em questões que envolvam sexualidade, mas em outros aspectos da vida escolar. “A posição do colégio de repensar suas práticas a partir de uma situação de crise só nos mostra o verdadeiro sentido de uma instituição responsável pela educação: tratar o conflito como oportunidade de ampliar as ações e as aprendizagens a partir de novas possibilidades”, garante Raul Alves, do Gepem (leia Três perguntas para).

Segundo Juliana Diniz, diretora pedagógica da rede, entender o jovem, para além de um repositório de conteúdos, exige uma nova avaliação de como a escola se relaciona com ele. “E a convivência passa a ser um ponto central. (O caso da semana passada) nos trouxe um momento de reflexão e uma necessidade de escutar o nosso aluno. Colocamos diante de um cenário em que esclarecemos o que aconteceu, mas havia coisas a mais que precisávamos ouvir.”

 

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Edeilson
Edeilson - 18 de Setembro às 17:17
Quanto aos outros caso eu acho que o procedimento foi errado, já quanto a ação da deputada, creio que foi certo. O que vocês precisam entender é que escola não educa, ensina; quem educa são os país, e em assunto sexual eles não ortogaram carta branca para os ensinadores (professores) agirem, qualquer assunto de cunho mais íntimo, antes de ser ensinado, deve ser discutido com os pais e requerido suas autorizações.