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Correio Braziliense

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Alunos com síndrome de Down da rede pública do DF praticam golfe inclusivo

Idealizado por um professor voluntário, o projeto faz diferença na vida desses jovens

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Ed Alves/CB/D.A Press


Coluna reta, joelhos levemente flexionados, olhar confiante e uma bela tacada. A bola alcança cerca de 100 jardas, quase 100 metros de distância. O jogo é o golfe e o autor do lance é Guilherme Ferreira, 16 anos. No início deste ano, ele começou a praticar o esporte no Centro de Ensino Fundamental 1 do Gama (CEF 1), por meio do Projeto Golfe para a Vida, iniciativa da Confederação Brasileira de Golfe (CBG). O detalhe é que o adolescente tem síndrome de Down.

O projeto existe em todo o Brasil e as aulas são ministradas nos centros olímpicos. Aqui em Brasília, porém, ganhou um toque especial. O golfista profissional Heleno Andrade, 55 anos, incluiu no programa crianças com síndrome de Down, autistas e com deficiências. Para tanto, ele vai, semanalmente, a quatro escolas públicas — três no Gama e uma no Guará — dar aulas a 240 alunos especiais, de 12 a 25 anos, que estudam nesses colégios.

 

 

 

Para as aulas, o professor voluntário leva, emprestado, o equipamento da CBG. O material permite que as crianças treinem em qualquer ambiente. Como nos locais não há campo de golfe, em vez de acertarem os buracos, os jogadores miram em alvos espalhados pela quadra. Uma vez por mês, os aprendizes treinam no Clube do Golfe de Brasília, com equipamentos profissionais cedidos pelo clube.

 

 Heleno Andrade tem um filho com síndrome de Down. Foi a partir daí que teve a ideia de dar aulas para crianças especiais. Mesmo com 43 anos de profissão, ele decidiu fazer um curso de capacitação na Argentina, antes de iniciar a empreitada. Lá, há um instituto especializado em qualificar professores para ensinar golfe a pessoas com Down. No local, ele aprendeu a como se comunicar com as crianças. O resultado não poderia ser diferente: sucesso total.

Resultados
Shirley Barcelos, 48 anos, é professora. A filha dela Laryssa Barcelos, 22, tem deficiência intelectual e participa desde o início do projeto. “Não há como mensurar o benefício que as aulas provocam nas crianças. O lado afetivo, cognitivo e social é trabalhado no esporte”, diz.

O resultado foi tão positivo que, este ano, os alunos especiais do CEF 1 do Gama venceram as crianças que não apresentam nenhuma deficiência na gincana escolar. O golfe foi incluído na competição e os meninos colocaram em prática tudo o que aprenderam durante as aulas. No somatório dos pontos, a turma especial superou os alunos do ensino integral. Para Francisca Pereira, 60 anos, mãe de um dos alunos, isso só reforça a importância da atividade na vida das crianças. “Meu filho conta os dias para chegar a aula de golfe. Sinto que ele está mais focado e calmo. Do jeito deles, provam que não há nada impossível”, diz.

Os alunos do ensino especial não têm aula de educação física. Por esse motivo, as professoras do Centro de Ensino Fundamental 1 do Gama realizam atividades de psicomotricidade, relaxamento, alongamento e aulinhas de futebol. Gleice Tavares percebeu uma grande mudança no comportamento dos alunos. “É um ganho ímpar para essas crianças. Depois das aulas de golfe, percebi que eles estão mais tranquilos, equilibrados, aprenderam a competir e a trabalhar em equipe. O projeto não pode parar”, afirma.

Nesse jogo, não são só os pais e os alunos os beneficiados. Andrade leva com ele uma experiência fantástica. “Para mim, é uma satisfação imensa, não tenho do que reclamar. Trabalhar com essas crianças é sensacional, eu me sinto realizado”, fala orgulhoso. A ideia é ampliar o projeto para que mais escolas possam participar. As aulas são ofertadas para crianças especiais ou não.

Considerado por muitos como esporte de elite, o golfe caiu no gosto da criançada, que mostra talento e intimidade com o jogo. Andrade pretende trabalhar com os alunos que apresentam mais habilidade. “Quero treinar esses alunos nos fins de semana. Já vi muito golfista especial dando show por aí. Todos são capazes”, fala.

 

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