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No DF, Secretaria de Saúde mantém 32% das ambulâncias paradas

Pasta gasta R$ 14 mil todos os dias com combustível. Das 85 ambulâncias compradas em janeiro, somente 29 estão transportando pacientes

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postado em 14/10/2016 12:18 / atualizado em 14/10/2016 14:15

Otávio Augusto

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
 

Por dia, a Secretaria de Saúde gasta R$ 14 mil com abastecimento de 103 ambulâncias na capital federal. Até as 19h de ontem, a pasta havia desembolsado R$ 3,7 milhões neste ano. Mesmo assim, os custos não bastaram para evitar a morte do músico Antônio Paiva Filho, 62 anos. Ele estava internado no Hospital Regional de Planaltina e precisava ser transferido para a UTI de uma unidade particular do Cruzeiro. A falta de gasolina interrompeu o tratamento de Antônio na última quarta-feira. O caso evidencia a carestia enfrentada pelo Executivo local em manter serviços de manutenção de veículos. Atualmente, 32% das ambulâncias estão fora de circulação. Dois veículos do Samu em condições de uso ficaram parados no pátio da Secretaria de Saúde por falta de combustível durante o feriado.

 

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Antônio será enterrado hoje no Cemitério de Planaltina. O trajeto até o Cruzeiro, cerca de 43km, é realizado normalmente em 45 minutos. Antônio esperou 13 horas. Nem a tentativa da família de abastecer os carros solucionou o problema. “Ao saber que o transporte não havia sido realizado por falta de combustível, ficamos revoltados”, conta Shirley Paiva, 38, filha de Antônio. A transferência do paciente foi liberada na quarta-feira, às 9h30. Ele chegou ao destino às 22h30, minutos antes de morrer. “O hospital pediu a ambulância ainda de manhã, mas nunca chegava.”

Há 9 meses, o governo enfrenta dificuldades para regularizar o funcionamento das ambulâncias. Em janeiro, o Palácio do Buriti anunciou a compra de 85 veículos novos sob o custo de R$ 15 milhões. Somente 29 — cerca de um terço — realmente começou a transportar pacientes. As outras 56 não têm previsão de circular. “Estão em fase de recebimento e de cumprimento das legislações”, resume a Secretaria de Saúde, em nota. Das 151 ambulâncias, 103 estão “rodando”, destaca trecho do texto. Quanto às restantes, não há previsão para funcionamento. As falhas no abastecimento e na manutenção dos veículos da Secretaria de Saúde se tornaram alvo de CPI na Câmara Legislativa. “Todo dia tem transtorno. Quando o carro tem gasolina, não tem manutenção. Quando o serviço é feito, não tem peça”, reclama um motorista do Samu, que pediu para não ter o nome divulgado.

Nenhum gestor da Secretaria de Saúde comentou o assunto. O Correio apurou que a pasta mantém contrato regular de fornecimento de combustíveis com um posto de gasolina específico. A justificativa para as falhas é a “demanda crescente”. “Foi instruído outro processo para contemplar todo o atendimento”, pondera nota da pasta. O gasto anual com a manutenção de ambulâncias é de R$ 5,2 milhões. “Estávamos muito preocupados com a situação dele (Antônio), então, quando o médico nos avisou que ele havia conseguido uma vaga, foi um alívio, que, infelizmente, não durou muito”, lamenta Shirley.

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