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Formado apenas por mulheres, Samba Flores leva boa música a todo o DF

Formado apenas por mulheres, o Samba Flores prova que, no ritmo mais brasileiro de todos, não tem essa de reduto masculino. Com muita animação e técnica, elas rodam o DF levando bom samba

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postado em 16/10/2016 07:00

Camila Costa

	Breno Fortes/CB/D.A Press


Calma, um minuto. Troca a blusa. Cadê o batom? Não, essa música não.

A outra, mais animada. Pronto. “Canta, dança, levanta sacode a poeira, bate palma e pede bis. Quem canta seus males espanta e quem samba é mais feliz.” Pode até demorar a começar para acertar a linha e entrar em sintonia, mas vale a pena esperar. Com vocês, Samba Flores. O grupo é um dos únicos composto só por mulheres no Distrito Federal (DF). Não tem tempo ruim, nota que não se alcance, batida impossível de acompanhar. Não tem homem que toca mais ou melhor, com mais “pegada”. Não há obstáculo que não se ultrapasse. Há quatro anos, elas vencem todas as barreiras para levar o samba de norte a sul da capital.

O sonho saiu da cabeça — e do coração — da microempresária Greici Lira, 38 anos. Uma amiga tinha uma filha que tocava banjo. Um convite para ver a performance da jovem foi o momento decisivo. “Eu tinha essa vontade de ter um grupo só de mulheres. E, quando vi a Samira tocando, falei: é agora. Fui lá, falei com a Negona e ela topou na hora”, lembra Greici. E assim começou. Algumas meninas, alguns instrumentos, um desejo de tocar samba, tudo reunido debaixo de uma árvore, no Riacho Fundo I, como já pregava o Grupo Fundo de Quintal, “Lá debaixo da tamarineira”.



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A tal bandolinista que deu o empurrão é, hoje, a cavaquinista do Samba Flores. Samira Guerra, 33, é musicista. Ninguém achou que um dia seria. Muito menos ela. Desenganada quando nasceu, por conta de uma toxoplasmose, Samira teve um discreto reflexo no cérebro. Contra todas as expectativas, cresceu.
A música veio para amenizar as sequelas e virou uma profissão. Mais que um amor, o maior prazer da vida. “Foi difícil aprender. O cavaco antigo tinha a corda alta, mais dura. Eu ficava com o dedo todo machucado. Hoje, está calejado. Mas valeu o esforço e ter insistido”, reflete.

E a Negona? A que topou a empreitada logo de cara? É Elaine Afonso, 36. Trabalha como secretária “quase perfeita”, denominação criada por ela mesma. Mas é no samba, na levada do tan-tan, que o sorriso se mistura com cada batida. O sorriso, inclusive, assim como as brincadeiras, é a marca registrada dela. Humor que dá o tom de toda a banda. Descontraída, porém, turbulenta. Afinal de contas, são sete mulheres. “O início foi ruim. Tentamos duas estreias. As duas foram horrorosas. Uma tragédia. Mas melhorou, crescemos, na base do grito e com muita determinação”, explica Elaine.

O nome do grupo era para ter sido Flores do Samba. Um amigo das meninas, Siqueira, músico e compositor de Brasília, deu o toque para inverter a ideia. Daí o Samba Flores. A formação de hoje é a mesma há três anos. A última a entrar para a turma foi Yara Alvarenga, 37, dona de um sobrenome com tradição no samba. O avô era sambista, o pai, o irmão, o primo e sobrinho também fazem parte do ramo. “Nasci tocando. Quando me chamaram, falei que não poderia ser minha prioridade. Elas aceitaram, mas acabou que hoje estou mergulhada aqui.” Yara enumera pelo menos outras três bandas só de mulheres no DF; no entanto, o Samba Flores acabou se tornando uma das mais populares.

Preconceito
O ritmo do grupo é entoado, principalmente, por Myriam Tassy, 49, vocalista da banda. São 23 anos de música. Aos 12, entre uma seresta e outra em casa, com o pai e alguns amigos, Myriam descobriu o talento. “Trabalhar, mesmo, com música foi aos 18 anos. Cantei MPB, em banda de baile, com o grupo O Fino do Samba, depois, no antigo Terra Mágica, com o Coisa Nossa. Mas nunca tinha pensado em vir para um grupo só de mulheres”, diz. Quando veio o convite, ela não hesitou. Um teste e tudo certo, Myriam estava na banda. “De lá para cá, houve algumas mudanças, que trouxeram mais sintonia, e conseguimos evoluir muito. Juntou gente com bagagem, experiência na música, com outras meninas que se esforçaram, se dedicaram”, afirma.

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