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MP suspeita de provas destruídas em suposto esquema de propina da CLDF

Câmeras flagraram servidores retirando documentos da Casa

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postado em 18/10/2016 06:00

Helena Mader , Ana Viriato - Esp. para o CB /

Reprodução

 

Dois meses após o afastamento da cúpula da Câmara Legislativa, o Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) deflagrou ontem a terceira etapa da Operação Drácon, que teve como alvos ex-servidores dos deputados Celina Leão (PPS) e Bispo Renato (PR). O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPDFT, apura a existência de uma “associação criminosa voltada à destruição de provas”. Segundo a investigação, Sandro Vieira, ex-braço direito de Celina, e Alexandre Cerqueira, ex-funcionário do gabinete de Bispo Renato, teriam retirado documentos da Câmara, poucos dias antes da primeira fase da ação. O Correio teve acesso às imagens em primeira mão. Em uma das fotos, um homem aparece empurrando um carrinho cheio de caixas e documentos, em um horário em que não havia expediente. Ele segura uma pasta, semelhante a uma mochila de laptop.

A nova etapa da Drácon ocorreu na véspera do julgamento que analisará o pedido de reconsideração do afastamento de Celina Leão da Presidência da Câmara. Hoje à tarde, os desembargadores do Conselho Especial decidirão se a parlamentar pode voltar ao comando da Casa ou se terá de se manter longe do comando do Legislativo local. Para o Ministério Público, a acusação de que servidores teriam tentado ocultar provas mostra a importância de a Mesa Diretora continuar afastada. A deputada Celina Leão, no entanto, afirma que seu ex-assessor não aparece carregando nenhum computador ou documento e aposta em um resultado positivo no julgamento de hoje à tarde (veja reportagem na página 20). Bispo Renato reafirmou inocência e declarou que as acusações são “infundadas”.

A nova etapa da Drácon foi deflagrada no início da manhã. Promotores cumpriram mandados de busca e apreensão na casa de Sandro Vieira e em uma casa lotérica de propriedade de Alexandre Cerqueira, no Setor Jardim Botânico. No estabelecimento comercial, os investigadores permaneceram por cerca de seis horas. Durante esse período, o serviço na lotérica permaneceu interrompido. Os dois ex-servidores, alvos de mandados de condução coercitiva, também prestaram depoimento. O MPDFT havia pedido a prisão de Alexandre, mas o desembargador José Divino, relator do processo na Justiça do DF, rejeitou essa solicitação.

O magistrado, entretanto, viu elementos de possível existência de ocultação de provas. “A imagem do circuito de videovigilância registrou que Sandro de Morais Vieira esteve nas dependências da Câmara Legislativa em 22 de agosto de 2016, em horário absolutamente não usual (cerca de 6h), e adentrou em outra sala às 6h17, onde também chegou outra pessoa não identificada, que, quase uma hora depois, saiu carregando uma caixa que aparentava conter documentos”, relatou o desembargador, na decisão. “Essa mesma pessoa não identificada retornou à sala em que Sandro Vieira se encontrava aproximadamente 20 segundos depois, e, em pouco menos de três minutos, outra pessoa não identificada se dirige ao referido recinto com a caixa já vazia em mãos”, acrescenta o magistrado, ao deferir as operações de ontem.

Na decisão, o desembargador afirma que Alexandre Braga Cerqueira também esteve na Câmara Legislativa no sábado anterior à operação de busca e apreensão, às 10h38. “O quadro delineado demonstra o claro propósito do investigado Alexandre em interferir nas investigações, sendo imprescindível esclarecer com máxima urgência quais foram os documentos e objetos subtraídos do interior da Câmara Legislativa”, afirmou José Divino.

Afastamento

Em entrevista coletiva na manhã de ontem, pouco depois da realização das buscas, o coordenador do Gaeco, promotor Clayton Germano, explicou que a terceira etapa da Drácon é decorrência da análise do material apreendido nas duas fases anteriores (leia Memória). “A quantidade de material é muito grande, só as filmagens do circuito interno da Câmara Legislativa tinham 8 tera (bytes)”, contou o promotor. Para ele, os novos fatos demonstram “a importância da medida cautelar que determinou o afastamento da Mesa Diretora”.

Clayton lembrou que o presidente da Associação Brasiliense de Construtores, Afonso Assad, afirmou, em depoimento ao MPDFT, que Alexandre Cerqueira teria atuado como emissário no suposto esquema de cobrança de propina. Esse é um dos motivos pelos quais os promotores pediram a prisão de Alexandre, mas não apresentou o mesmo pedido com relação a Sandro Vieira.

Ao contrário das etapas anteriores da Operação Drácon, a Polícia Civil do DF não participou das buscas e das conduções coercitiva de ontem. Mas o coordenador do Gaeco afirmou que as duas instituições ainda atuam de forma colaborativa. “As imagens do sistema interno da Câmara foram analisadas pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil”, lembrou Clayton Germano.

 

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Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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henrique
henrique - 18 de Outubro às 13:58
Fiquei sem entender! Como pode o MP suspeitar de tal coisa dentro da nossa CLDF? Isso nunca aconteceu?
 
marcos
marcos - 18 de Outubro às 09:31
É inegável que houve vazamento sobre a Operação e assim, os envolvidos tiveram tempo de se desfazer das provas incriminatórias. Agora, por que o desembargador não permitiu a prisão dos envolvidos ? Em liberdade, é possível que atuem para sumir com mais provas e obstruir a Justiça, coagindo eventuais testemunhas ... Muito estranho !

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