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DF é a quarta unidade da Federação com mais registros do câncer de mama

A estimativa para 2016 é de 67,74 casos a cada 100 mil mulheres. Especialistas defendem melhorias na prevenção e no combate a esse tipo de tumor

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postado em 23/10/2016 08:00 / atualizado em 22/10/2016 23:33

Otávio Augusto

Minervino Junior/CB/D.A Press

As mulheres da capital federal são as mais expostas ao câncer de mama no Centro-Oeste. O Instituto Nacional de Câncer José Alencar (Inca) estima que são 67,74 casos a cada 100 mil mulheres. O panorama nacional também é pessimista: o DF é a quarta unidade da Federação com mais casos da doença, atrás do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de São Paulo. As possibilidades de tratamento não acompanham a demanda. Dos 12 mamógrafos da Secretaria de Saúde, apenas um está funcionando. Há 8,5 mil pessoas na fila de espera pelo exame. Em 2015, apenas 6% das mulheres na faixa de risco — entre 50 e 69 anos — passaram pelo teste. Do total de 124 mil diagnósticos necessários, somente 7,5 mil se concretizaram.

Os índices alarmantes da doença impõem dois desafios: o primeiro, ao Executivo local, que não consegue manter uma estrutura suficiente para receber as pacientes. A outra, de foro íntimo, está ligada à reconstrução da autoestima e da identidade feminina. Na última quarta-feira, o Dia Internacional do Câncer de Mama relembrou a importância de prevenir e tratar a doença. No DF, o câncer de mama dispara como o mais frequente nas mulheres, deixando para trás até mesmo o de colo do útero. Em 66% dos casos, o problema é descoberto pelas próprias pacientes. Alguns fatores de risco, como sobrepeso e excesso de gordura abdominal, aumentam em 74% as chances de câncer de mama.

Diagnóstico

A doença não apresenta sintomas em sua fase inicial, por isso é tão difícil detectá-la precocemente. Quanto antes o câncer é identificado, mais altas são as taxas de sucesso no tratamento. O diagnóstico no primeiro estágio tem 88,3% de sobrevida, em média. Para a prevenção, é necessário que as mulheres entre 50 e 69 anos façam a mamografia a cada dois anos, segundo a recomendação do Ministério da Saúde. A proporção de mulheres nessa faixa etária que nunca realizaram o exame é a menor do Centro-Oeste, de acordo com estatísticas do Ministério da Saúde. O DF registra um índice de 12,3%. A falha é maior é em Mato Grosso, onde a taxa alcança 25,1%.



Os números preocupam autoridades de saúde, que não têm uma explicação simples para a estatística da capital federal. Os médicos ouvidos pelo Correio apostam em um conjunto de fatores, alguns ainda desconhecidos pela medicina, para justificar o panorama. Por exemplo, 50,3% da população do DF está acima do peso e 15,8% está obesa, de acordo com o Relatório de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), da Secretaria de Saúde. O câncer, em suas mais variadas formas, é a segunda principal causa de morte na cidade. Em 2015, 2,3 mil pessoas — 19,1% do total de mortes — se tornaram vítimas do mal. As doenças cardiovasculares mataram 3,2 mil (27,1%).

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Apesar de não ter mamógrafos, até outubro, o Hospital de Base (HBDF) recebeu 2,9 mil pacientes. Em todo o ano passado, os casos chegaram a 1,9 mil doentes. Ao todo, 193 mulheres passaram pelo procedimento de mastectomia e 60% das pacientes fizeram reconstrução mamária logo após a cirurgia. “A ideia é ampliar isso para outros hospitais. A medida ajuda na recuperação das mulheres, sobretudo as mais jovens”, argumenta a coordenadora de Mastologia da Secretaria de Saúde, Fernanda Salum.

Apoio

Na última quarta-feira, a Associação de Mulheres Mastectomizadas de Brasília (Recomeçar) vistoriou o Hospital de Base. A ONG acompanha o tratamento de câncer de mama oferecido em Brasília desde 2011 e notificou falhas no serviço. “As mulheres se queixam da dificuldade. Não está se conseguindo detectar a doença precocemente. O primeiro passo é corrigir as deficiências para realização de mamografia. Isso atrapalha todo o diagnóstico”, critica a presidente e fundadora da entidade, Joana Jeker dos Anjos. Atualmente, o grupo pleiteia um psicólogo para dar apoio no processo de reconstrução mamária tardia do Hospital Regional da Asa Norte (Hran).

Em 2017, completa uma década que a comerciante aposentada Cláudia de Moraes, 54 anos, recebeu o diagnóstico de câncer de mama. “Começou com dores mamárias. Quando o médico disse que faria uma biópsia, fiquei nervosa, preocupada. Entrei em desespero quando recebi o resultado. Chorei três semanas seguidas”, lembra a moradora da Asa Sul. Ela enfrentou oito sessões de quimioterapia, oito de radioterapia e retirou totalmente o seio direito. “Conheci mulheres que me deram força. Isso me fortaleceu para continuar”, detalha. Desde então, ela convive com mulheres que passam pela mesma situação. “Na minha época, foi mais fácil. Hoje, eu percebo dificuldades maiores. Há mulheres que fazem a cirurgia e, três meses depois, não conseguem fazer a radioterapia”, destaca.

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