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Especialistas defendem regras rigorosas para a realização de laqueaduras

A médica, Milze Rodrigues, diz que acima de três cesarianas há riscos de o útero romper, mas ela defende a autorização da paciente ou da família.

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postado em 29/10/2016 07:00 / atualizado em 29/10/2016 12:29

A laqueadura ainda é um assunto que causa polêmica. De acordo com a lei que regulamenta o procedimento, a cirurgia deve ser feita com a obediência de critérios, como faixa etária mínima e assinatura de termo de permissão. A realização do procedimento sem o consentimento da paciente é crime com pena de dois a oito anos e multa. As médicas ouvidas pelo Correio reconhecem o risco de diversos partos cesarianos, mas ressaltam que não há certezas de complicações futuras. Os perigos dependem de um conjunto de fatores. Em 2003, um caso semelhante gerou uma indenização de R$ 30 mil por danos morais (leia Memória).

Lucila Nagata, diretora da Sociedade Brasiliense de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO), explica que o processo de cicatrização varia em cada organismo. Ela conta casos de pacientes com oito partos cesarianos sem nenhum tipo de problema. “Cicatrização depende de pessoa para pessoas. Em algumas mulheres, depois de três ou quatro cesáreas, a parede do útero fica muito fino e há o risco de romper numa próxima gestação. Em outras, abre-se diversas vezes e o útero continua bom. Existe uma probabilidade, mas não uma certeza”, esclarece. Lucila é a favor de conversas prévias sobre a laqueadura e a assinatura do termo de permissão. “A hora da cirurgia não é o melhor momento.”

 
Milze Rodrigues é ginecologista-obstetra e especialista em medicina fetal. A médica diz que acima de três cesarianas há riscos de o útero romper, mas ela defende a autorização da paciente ou da família. “São raros os casos em que se precisa agir dessa forma. O essencial é a comunicação. Se o médico na hora da cirurgia identifica o risco, conversa com a paciente, caso ela esteja em condições, ou chama no centro cirúrgico um familiar para explicar o que está acontecendo”, argumenta.
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