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Campanha busca ajudar bebês que precisam de cirurgia cardíaca no DF

Cardiopatas, cada dia de espera é questão de vida ou morte para Mateus, 6 meses, e Rossemary, 4 meses

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postado em 01/11/2016 07:30 / atualizado em 01/11/2016 10:20

Camila Costa , Otávio Augusto

Arquivo Pessoal

 

Mateus, 6 meses, não nega um sorriso. Os olhos grandes, claros, trazem tanta alegria que não denunciam uma falha grave no coração. Do outro lado do corredor, de cabelos negros e olhos de jabuticaba, está Rossemary, 4 meses, também acamada por conta de uma cardiopatia. Além da doença, a ânsia por viver une os bebês e suas famílias. Os dois estão no Hospital Materno Infantil de Brasília (HmiB), na L2 Sul, à espera de uma vaga no Instituto do Coração do Distrito Federal (ICDF) para realizar a cirurgia. A luta é tão grande que ganhou as redes sociais em busca de ajuda para Mateus, Rossemary e outras crianças que estão na mesma situação. Foi iniciada uma campanha, com abaixo-assinado, para mobilizar sociedade e governo. Até o fim da tarde de ontem, contava com 1.941 apoiadores de uma meta de 2.500 assinaturas. O documento será entregue ao governador Rodrigo Rollemberg e ao secretário de Saúde, Humberto Fonseca.

O abaixo-assinado foi criado há oito dias pela Associação de Assistência à Criança Cardiopata Pequenos Corações, que acompanha familiares e pacientes cardiopatas do DF, como Mateus. Ele está há dois meses na enfermaria da UTI Pediátrica do HmiB. Nasceu com uma síndrome chamada hipoplasia do coração esquerdo (SHCE), que restringe o funcionamento do coração a apenas uma parte bem pequena do órgão. Assim que nasceu, fez uma cirurgia paliativa, indicada como uma forma de mantê-lo bem até os 6 meses de idade. Aí que está o problema. Mateus fará 7 meses no próximo dia 12 e não há previsão para a nova cirurgia.

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“A médica me disse que ele terá que descompensar, ou seja, piorar, passar mal, para conseguir uma vaga na UTI. Hoje (ontem) mesmo chorei muito, porque a gente fica nessa angústia de ver nosso filho desse jeito, na expectativa por uma vaga , e tendo que vê-lo passar mal para conseguir algo mais rápido”, desabafou a mãe, Vânia da Silva Machado, 33 anos. Vânia tem outros três filhos, de 16, 14 e 13 anos, todos à espera do irmãozinho. Desde que nasceu, Mateus mantém uma rotina frequente em hospitais. “Se ele está bem, por que não dão alta? Ter que ficar aqui esperando que ele piore é muito triste”, comentou Vânia.

Rossemary também estava na enfermaria, mas pulou essa etapa no último sábado, ao conseguir uma vaga na UTI Pediátrica. A conquista, no entanto, foi precedida de muito sofrimento. “Ela piorou muito, ficou cansada, precisou de aparelhos para respirar, só por isso a levaram para a UTI. Mesmo assim, ela não estabilizou. Talvez tenha que ser entubada”, contou a mãe, Hilda Helen Conde Marca, 26. A menina sofre de comunicação interventricular (CIV) múltipla, que causa aberturas na parede que separa os dois lados do coração. Rossemary tem três “buracos” — o maior deles e mais problemático, de quase nove milímetros. “É preciso fechar essas aberturas. Quanto mais esperamos, maiores elas ficam. Nos últimos dois meses, foram sete internamentos, o uso de medicamentos só aumenta e nada de ela melhorar”, lamenta a mãe.

A Secretaria de Saúde garante que Mateus e Rossemary estão recebendo atendimento integral enquanto aguardam a marcação da cirurgia. “Eles são assistidos pela equipe médica da unidade em que estão internados, recebendo o suporte necessário para a manutenção do quadro clínico”, ressaltou a nota. A pasta não comentou sobre fila de espera.

Abandono

O cardiopata precisa de mais de uma cirurgia durante a vida. A primeira é para o recém-nascido ter condições de se desenvolver. As outras são para correção dos problemas. Na capital federal, o HmiB e o Hospital Regional de Taguatinga (HRT) centralizam os socorros de urgência de bebês nessas condições. No HRT, segundo a Pequenos Corações, são pelo menos seis crianças esperando o procedimento. Muitas vivem sob o risco de complicações como paradas cardiorrespiratórias, convulsões e hemorragias pulmonares. “Há casos de crianças que estão perdendo o tempo certo de cirurgia e talvez não possam mais ser operadas”, detalhou Janaína Couto, coordenadora da entidade.

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