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PF faz operação contra grupo de extermínio que agia no Entorno do DF

A organização criminosa especializou-se na ocultação de cadáveres. Formosa era a base de atuação do grupo, no período em que Ricardo Rocha era comandante do batalhão local

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postado em 11/11/2016 08:33 / atualizado em 11/11/2016 19:31

Renato Alves , Eduardo Militão


A Polícia Federal deflagrou, na madrugada desta sexta-feira (11/11), a segunda fase da Operação Sexto Mandamento. Ela visa desmantelar um grupo de extermínio formado por policiais militares de Goiás que agia no Entorno do Distrito Federal. O principal alvo é o tenente-coronel Ricardo Rocha, nomeado comandante da PM goiana no início do ano. Ele será conduzido coercitivamente de Goiânia (GO) a Brasília, para prestar depoimento.

Ricardo Rocha já havia sido preso por quatro meses na primeira fase da operação, em 2011. Em 2014, foi a júri popular pela morte de Marcelo Coka da Silva, ocorrida 10 anos antes. Mesmo assim, acabou escolhido pelo governador Marconi Perillo (PSDB) como comandante do Policiamento de Goiânia. Rocha foi escolhido para integrar um plano de segurança do governo de Goiás para reduzir a criminalidade no estado. Em meio à repercussão negativa, Perillo saiu em defesa de Rocha dizendo que ele era um profissional exemplar.

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A organização criminosa especializou-se na ocultação de cadáveres. Mais de 140 policiais federais estão nas ruas desde a madrugada para cumprir três mandados de prisão temporária, 19 de busca e apreensão e 17 conduções coercitivas (incluindo a de Ricardo Rocha) contra suspeitos de integrarem um grupo de extermínio atuante no estado de Goiás. As ações ocorrem em Goiânia, Alvorada do Norte e Formosa.

Distante 70km de Brasília, Formosa era a base de atuação do grupo, no período em que Ricardo Rocha era comandante do batalhão local. À época, o número de assassinatos deu um salto. A maioria, cometido por policiais militares, sob alegação de ser fruto de uma troca de tiros. Mas laudos mostraram que as vítimas receberam tiros à queima-roupa. A maior parte, na nuca.

O Correio Braziliense tornou pública a matança no Entorno, por meio de série de reportagens publicada a partir de 2009. Ela incluiu duas mortes e dois desaparecimentos, ocorridos em 2010, que passaram a ser investigados pela Operação Sexto Mandamento e motivaram a ação desta sexta-feira.

Crianças e adolescentes


Segundo as investigações, a organização criminosa policial praticava homicídios com a simulação de que os crimes teriam ocorrido durante confrontos com as vítimas, entre elas crianças, adolescentes e mulheres sem qualquer envolvimento com práticas criminosas.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, os homicídios foram praticados "inclusive durante o horário de serviço e com uso de viaturas da corporação, de maneira clandestina e sem qualquer motivação que legitimasse a ação policial dos investigados."

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