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Autoridades investigam causas da poluição no Lago Paranoá; assista ao vídeo

Para especialistas, a mortandade de peixes é um reflexo de que o Paranoá não suporta mais receber matéria orgânica, como esgoto

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postado em 19/11/2016 08:00 / atualizado em 19/11/2016 10:50

Flávia Maia , Walder Galvão* /

 
A poluição que tem deixado o Lago Paranoá impróprio para banho e pesca indica a saturação do espelho d’água para receber mais matéria orgânica, como esgoto e sujeira. Especialistas e a Agência Reguladora de Águas (Adasa) afirmam que a capacidade de suporte da água para diluição de substâncias poluentes está ultrapassada, ou seja, a quantidade de matéria orgânica lançada no lago está no limite de sua capacidade de diluição. Por isso, o impacto de inserção de sujeira não planejada no lago toma contornos expressivos e causa prejuízos.

Tanto que, rapidamente, a quantidade a mais de nutrientes depositados no lago foi responsável pela proliferação de cianobactérias, que deixaram a água com aspecto esverdeado e os peixes sem oxigênio para respirar, o que levou à morte de vários deles. Na manhã de ontem, o resultado da poluição era visível: na extremidade da Ponte das Garças, no Lago Sul, um caminhão do governo recolhia centenas de peixes mortos.

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press


As autoridades ainda investigam as causas para a proliferação dos micro-organismos. Segundo a Adasa, a poluição está concentrada entre o Pontão do Lago Sul e a foz do Riacho Fundo e não apresenta sinais de expansão. Mesmo assim, técnicos da agência farão um monitoramento da água em toda a extensão do Paranoá para avaliar a condição da água. Além disso, os órgãos ambientais querem descobrir de onde partiu — ou está partindo — os rejeitos responsáveis pela poluição. Os dutos pluviais estão sendo rastreados na busca de vestígio.

A principal hipótese é de depósito de rejeitos clandestinos. “Não é uma tarefa fácil porque os nutrientes podem estar vindo, por exemplo, de um caminhão-fossa, que deposita a sujeira nos dutos destinados à chuva e depois vai embora, não está fixo. Toda essa sujeira vai para o lago sem nenhuma espécie de tratamento”, explica Camila Campos, coordenadora de informações hidrológicas da Adasa.

Embora a proliferação esteja ocorrendo próxima à Estação de Tratamento de Esgoto da Asa Sul, a Companhia de Saneamento do DF (Caesb) informou que a operação não teve alteração, o que seria um indicativo de que os rejeitos a mais não vieram de lá. “A ETE está dentro dos padrões normais”, defende Raquel Brostel, assessora de meio ambiente e recursos hídricos da Caesb. A ETE da Asa Sul é considerada terciária, isto é, com alta capacidade de tratamento e que devolve poucos resíduos poluentes à água.

Enquanto a poluição está presente e a causa não é detectada, os banhos e a pesca estão suspensos na região atingida. No restante do lago, ainda não tem informações de contaminação. Não há data de liberação das atividades. Após o incidente, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paranoá divulgou uma moção com recomendações ao Governo no DF para promover ações que garantam a melhoraria da qualidade da água do Lago Paranoá e de sua bacia. Entre as orientações estão a implantação de um programa de monitoramento contínuo da qualidade da água, melhoria nos instrumentos de licenciamento ambiental e outorga de recursos hídricos e o cumprimento “efetivo e tempestivo” das condicionantes do licenciamento de obras, especialmente em relação ao descarte de resíduos e de entulhos de obra.

Abastecimento


Na análise de Jorge Werneck, presidente do Comitê da Bacia do Paranoá, é preciso reforçar o cuidado com o lago, em especial em relação ao assoreamento e ao aumento de resíduos poluentes nas águas. “A concentração de nutrientes cada vez maior está piorando a qualidade da água, de tal forma, que está chegando a níveis preocupantes. Qualquer falha ou externalidade provoca o que estamos vendo”.

A poluição no Lago Paranoá alertou para a necessidade de maior controle da água. Afinal, um dos mais pujantes projetos para amenizar a crise hídrica da capital do país conta com o espelho d’água. Entretanto, a Caesb e a Adasa são enfáticas em dizer que a poluição é pontual e que a captação não será próxima às estações de tratamento de esgoto. Mas sim, no local de melhor qualidade da água, perto da barragem.


Proibição desrespeitada


O volume baixo do Lago Paranoá, típico do período de estiagem, e a temperatura alta desta época do ano também ajudaram na proliferação das cianobactérias no Lago Paranoá. Entretanto, a poluição não assustou alguns usuários. Embaixo da ponte Honestino Guimarães, uma família inteira aproveitava para tomar banho nas águas durante a manhã de ontem. Ao serem questionados sobre a contaminação, os banhistas afirmaram saber do ocorrido, mas garantiram não se preocupar.

Há também quem duvide da extensão da poluição. Gilmar Ferreira Gomes, 49 anos, mais conhecido como Gilmarzinho Pescador, vive da pesca há 40 anos. “Não tenho estudo, a minha vida eu ganho com a natureza. Aprendi o que eu faço com 8 anos e não parei desde então”, afirma. Natural de Minas Gerais, o homem chegou a Brasília há três anos. “Nesta época, sempre aparecem peixes mortos. Não vai ser agora que vou parar”, desafia.
 
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* Estagiário sob supervisão de Sibele Negromonte

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