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Observatório da UnB analisará por que setores da cidade são vulneráveis

Meta é combater as raízes da desigualdade

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postado em 21/11/2016 06:00 / atualizado em 21/11/2016 08:33

Adriana Bernardes

Ed Alves/CB/D.A Press

As ruas sem asfalto estão repletas de lama e de água empossada. Nos becos, os barracos colados uns nos outros se alternam entre estruturas de madeirite e de alvenaria sem reboco. Do alto do telhado, muitos de folhas de zinco e ou de lona, pedaços de madeira e um emaranhado de fios denunciam as ligações clandestinas de eletricidade. A água também é “roubada” dos vizinhos que já contam com a rede de distribuição, mas não há esgoto. A vulnerabilidade está presente na rotina de boa parte dos moradores do Setor de Chácaras Santa Luzia, na Estrutural. Ali, crianças de pés descalços e pouca roupa correm de um lado para o outro em brincadeiras que parecem não ter fim.



No Distrito Federal, eles não são os únicos em situação de risco. Se considerarmos somente o viés econômico, é possível afirmar que existem 227.727 famílias inscritas no Cadastro Único para receber algum benefício social do governo. Dessas, 193,524 mil vivem com até um salário-mínimo. Mas o conceito de vulnerabilidade vai além de questões meramente econômicas.

Há adolescentes e jovens em regiões nobres da capital que também convivem com a vulnerabilidade. Com a população negra, o preconceito é como um martelo batendo sobre a cabeça para que continue a desempenhar papéis secundários na sociedade. E, mesmo quando atingem o topo, mais uma vez a negritude é determinante para que seus salários sejam, em média, R$ 1 mil menores do que os de brancos na mesma posição.

 
Para entender e combater as causas que levam diferentes parcelas da população a ficarem vulneráveis, acaba de ser criado o portal Observatório de Populações Vulneráveis, ligado à Universidade de Brasília (UnB). A plataforma tem a missão de formar uma rede de pesquisadores e de produzir estudos sobre o tema. Também vai reunir e disponibilizar pesquisas que lançam luz sobre as diversas facetas da vulnerabilidade, que não se resumem apenas às precariedades do local de moradia.

Entre as centenas de moradores do Setor Santa Luzia ,está o casal Maria de Nazaré Almeida, 52 anos, e Sebastião Gerônimo da Silva, 43. Ela é cuidadora de crianças. Ele, auxiliar de serviços gerais no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e  dos Territórios (TJDFT), como faz questão de dizer. O desgosto pela falta de estrutura básica, como água encanada, energia elétrica, rede de esgoto e asfalto, não arranca o riso de seus rostos. Mas eles se ressentem quando precisam arrumar um emprego, abrir conta no banco ou fazer compra a prazo no comércio. “É como se a gente fosse indigente. Para eu conseguir esse emprego, tive que dar o endereço da minha mãe, senão não abria conta no banco. Aqui não temos conta de água ou de luz. Se eu não tivesse minha mãe aqui, teria perdido a vaga”, indigna-se Sebastião.

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