Queda na renda e aumento do desemprego é realidade no DF, aponta IBGE

Renda mensal está 0,7% menor na capital federal e a taxa de desemprego, de 10,4%, é uma das mais altas do país. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), que destaca ainda a desigualdade salarial entre homens e mulheres

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postado em 26/11/2016 07:15 / atualizado em 26/11/2016 10:32



A crise econômica que o Brasil e o Distrito Federal vivem impactou diretamente o trabalhador local. A taxa de desocupação é uma das mais altas do país (10,4%) e uma das mais graves consequências está na queda do rendimento mensal. Depois de anos consecutivos de aumentos salariais, o profissional de Brasília está convivendo com queda real de 0,7% na renda. Na análise de especialistas, a conjuntura de crise, desemprego e falta de reajuste para as categorias, tanto públicas quanto privadas, contribuem para esse quadro. Mesmo assim, a renda continua a mais alta do país, puxada pelos salários altos, pagos, principalmente, pela administração pública. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


Em 2014, um trabalhador ganhava R$ 3.579. Em 2015, a quantia caiu para R$ 3.553 (veja quadro). “Os rendimentos oscilam mês a mês. Mas, quando se avalia o resultado anual, percebe-se queda. Um dos motivos pode ser o aumento da desocupação. Além disso, com a crise, a pessoa, para não ser demitida, aceita salário e benefícios menores. Soma-se a isso o fato de as categorias, tanto do funcionalismo público quanto privado, não conseguirem nem repor a inflação nas negociações salariais”, analisa Michella Paula Cechinel Reis, supervisora de Documentação e Disseminação de Informações do IBGE-DF.

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A pesquisa trouxe também outras preocupações em relação ao mercado de trabalho. A taxa de desocupação passou de 9,2% para 10,4% — índice superior ao nacional e ao de outros estados da região Centro-Oeste. No Brasil, a porcentagem é de 9,6% da população. “A desocupação cresceu no país todo. Mas, como no DF sempre foi alta, preocupa. Isso é reflexo da crise”, complementa Michella.

	Ed Alves/CB/D.A Press


Outras distorções do mercado de trabalho do DF ficaram evidentes. Uma delas é o fato do pouco avanço em relação ao salário masculino e feminino. Assim como em 2014, as mulheres ainda ganham o relativo a 75% da remuneração dos homens por suas funções. A possibilidade de que as filhas não tenham as mesmas oportunidades que o filho incomoda a vendedora Wilma Freire, 41 anos. Moradora de Águas Lindas (GO), a mulher trabalha no comércio de móveis em Taguatinga. Ela diz que o salário dela é maior que o do marido, entretanto, considera-se uma exceção.

A situação da família nem sempre foi assim. Wilma conta que se inverteu porque o marido não está conseguindo emprego na área de formação. “Quando meu companheiro trabalhava com construção civil, ele conseguia ganhar mais. Mas, com essa crise, ele está trabalhando como cobrador de ônibus para ajudar em casa”, conta. A vendedora trabalha desde os 19 anos e afirma que o contexto de diferença salarial entre gêneros sempre existiu. “Nós, mulheres, até conseguimos tirar um salário alto, mas nunca igualar ao dos homens. Tenho certeza de que muitos que exercem a mesma função que eu conseguem ganhar mais. Não é uma situação justa”, desabafa.

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