Contratação de consultor de São Paulo para carnaval causa críticas

O contrato prevê o pagamento de R$ 80,4 mil ao consultor Guilherme Rosa Varella

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postado em 29/01/2017 08:00 / atualizado em 03/02/2017 13:18

Marcelo Ferreira/CB/D.A Press - 8/2/16
 
Carnavalescos de Brasília receberam com críticas a contratação de um consultor de São Paulo pelo GDF, para “elaborar e implementar uma política pública de carnaval de rua”. O contrato prevê o pagamento de R$ 80,4 mil ao consultor Guilherme Rosa Varella e foi oficializado na última sexta-feira. Segundo integrantes de blocos e produtores culturais, Guilherme já presta serviços ao governo desde o fim de 2016.

Jorge Cimas, presidente da Liga dos Blocos, reclamou do repasse em um momento de profunda crise financeira. “Ele já vem trabalhando nisso e ajudou a baixar uma portaria em janeiro, mudando todo o esquema de patrocínio”, diz Cimas. “É lamentável que tragam uma pessoa de São Paulo, com total desconhecimento da cidade, para definir coisas que a gente faz há mais de 20 anos no carnaval brasiliense, enquanto a gente é esquecido nessas horas”, queixa-se.


“Reivindico isso há anos, pois dá para criar um produto turístico regional, que não é nenhum bicho de sete cabeças: basta ter sensibilidade e compromisso com a cultura. Mas isso não é uma coisa que se cria da noite para o dia”, diz Moacyr Oliveira Filho, o Moa, presidente da escola de samba Aruc. “Achei meio estranho, não entendi a necessidade de um consultor externo quando há gente fazendo carnaval em Brasília há mais de 40 anos”, continuou Moa, um dos fundadores do bloco mais antigo da cidade, o Pacotão.

“Se ainda fosse alguém do Rio de Janeiro, de Recife, de Salvador, onde tem carnaval de verdade”, ironiza Franklin Maciel, do bloco Galinho. O GDF justificou que Varella tem “experiência comprovada”, tendo sido um dos responsáveis por regras da prefeitura paulistana para os blocos de rua, em 2013. Ele também atuou como secretário de Políticas Culturais do Ministério da Cultura. 

Segundo o presidente da Liga dos Blocos, Guilherme Varella seria o responsável pelo texto da Portaria Conjunta nº1 da Secretaria de Cultura, publicada no começo de janeiro, que veda o uso de cordas, correntes, grades e “outros meios de segregação”,  além de proibir “balões, bandeirões ou adereços de mão”, para não interferir “ostensivamente” na paisagem. Essa mesma portaria define parâmetros de patrocínios, determinando que o recurso “apenas poderá cobrir cachê artístico e outras necessidades do bloco após ter sido garantida toda a estrutura básica necessária” para a folia. Segundo Cimas, essa regra desvia os recursos dos patrocinadores para a implantação da logística — obrigação do GDF.

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