Autor de 'Babydoll de nylon', Robertinho de Recife tocará em bloco do DF

O músico pernambucano vai se apresentar na tarde de sábado (25), na Praça do Cruzeiro, a convite da agremiação que o homenageia

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postado em 23/02/2017 15:25 / atualizado em 23/02/2017 20:31

Reprodução/YouTube
 
"Babydoll de nylon, combina com você. Babydoll de nylon, combina com você." Quem aprecia o carnaval de Brasília sabe onde e quando toca essa música. Ela é o grande hit do bloco Babydoll de Nylon, um dos que mais atrai foliões na capital do país e que sempre se apresenta na Praça do Cruzeiro. Mas, este ano, promete fazer história com um convidado especial. No sábado (25/2), quem tocará a música que dá nome ao grupo carnavalesco é um dos compositores da canção. Os organizadores confirmaram a presença do músico Robertinho de Recife, que fez grande sucesso nos anos 1970 e 1980.
 

A música-tema do bloco é uma composição do pernambucano Robertinho de Recife com o baiano Caetano Veloso. A música de versos simples foi criada de maneira despretensiosa, enquanto os dois músicos estavam em uma festa. “Disse a ele (Caetano): tenho um solo que eu acho meio indígena, meio baiano. Mostrei e, de repente, ele começou a cantar ‘babydoll de nylon combina com você’. Perguntei: ‘você está tirando sarro da minha cara?’ Ele garantiu que não. Disse que babydoll era uma coisa bacana. Aí ela se tornou uma música com essa melodia muito alegre”, contou Robertinho, em entrevista ao Correio no ano passado.
 
 
 
Como nos anos anteriores, de hora em hora, o bloco dará uma volta pelo balão da Praça do Cruzeiro. Mas, neste ano, o hit que embala o desfile será cantado e tocado por Robertinho (antes, ele saía das caixas de som, por meio de mídia digital de um DJ). "A expectativa é de fazer um carnaval maravilhoso. Com a presença do Robertinho, a galera ficará ainda mais animada", ressalta David Murad, um dos organizadores do bloco. 

A expectativa é receber mais de 65 mil pessoas na Praça do Cruzeiro, onde uma estrutura está sendo montada, com tendas e banheiros químicos. Além de Robertinho do Recife, o folião terá como som muitas marchinhas, hits da tropicália e da antiga axé-musica. "Enfim, é um bloco de nostagia", comenta David. 
 
Minervino Junior/CB/D.A Press
 

Pop, blues e até metal

A veia eclética de Robertinho de Recife se transformou em uma marca: os bailes dos anos 1960, marcados pela variedade de ritmos, fizeram com que o pernambucano se transformasse um artista de múltiplas referências — de Led Zeppelin a Caetano Veloso — artista responsável por criar em parceria com o pernambucano a música Babydoll de Nylon, hit praticamente imortalizado pelo bloco de carnaval homônimo que levou 70 mil brasilienses às ruas em 2016.

A variedade de ritmos que já passaram pela guitarra de Robertinho de Recife, como jazz, blues, country e MPB vem de sua formação musical desde os 11 anos. “Minha mãe era cantora e comecei a acompanhá-la pela noite. Ela cantava boleros, Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves e muitos outros artistas. Era uma pessoa muito versátil”, destaca Robertinho, que na adolescência, ao lado de uma banda que tocava em bailes passou a ter contato com ritmos de diversos países como França, Itália, Espanha e Argentina.

“Era uma coisa rica. Aliado a isso tudo tínhamos o forró, o frevo, o maracatu e o baião. Isso tudo entra num liquidificador grande e dá essa mistura maravilhosa”, afirma o artista que já integrou bandas de Alceu Valença e Geraldo Azevedo e já gravou com Fagner e Agnaldo Timóteo.

A escolha pela guitarra chegou cedo: os dedos pequenos de Robertinho o desafiavam a tocar instrumentos como sanfona e piano. Depois de ser atropelado aos 11 anos, ele ficou por seis meses na cama e um ano sem poder andar. Nesse período, assistir a tevê era sua salvação. “Quando vi os Beatles tocarem pela primeira vez me apaixonei mais pelo som da guitarra do que por eles”, relembra o pernambucano em tom bem-humorado que afirma que o instrumento tem o poder de o fazer “voar e entrar em estado Alfa”.

Dentro do universo da composição, Robertinho de Recife estuda e cria arranjos musicais. Para o artista, o conhecimento plural de ritmos o ajuda a identificar o que diferencia e o que une um estilo ao outro, a exemplo do “encontro” da música indiana com a nordestina. “Esse conhecimento me ajuda muito na hora em que estou compondo. Já me acusaram de não ter um estilo. Eu não tenho apenas um estilo, eu tenho todos”, comenta o artista, que se apresenta no festival de heavy metal Metal Pesado Brasileiro.
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