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Correio Braziliense

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Testemunhas do tiroteio na Asa Norte relatam os momentos de tensão

Moradores contam que as confusões no local são frequentes. Homem morto durante o confronto com outro bando será enterrado nesta sexta-feira (21/4)

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postado em 21/04/2017 06:00 / atualizado em 20/04/2017 23:45


Bebedeira, drogas, tiroteio, um morto e um ferido. As cenas de faroeste às 6h30 de quinta-feira (20/4) assustaram a 309 Norte. Um frentista que não quis se identificar testemunhou o momento dos disparos. Ele e alguns colegas correram para a loja de conveniência assim que ouviram os disparos. Também chamaram a polícia. Quando saíram dali, o corpo de Luís Eduardo dos Santos Lobo, 34 anos, estava caído na via que passa em frente ao posto.
 
Segundo o frentista, as vítimas costumavam beber por ali. “De vez em quando, chegava a ter uma briga entre eles mesmos, mas nunca tinha acontecido nada desse tipo”, disse. O proprietário da loja de conveniência, Clayton Ferreira, confirmou que eles eram fregueses, mas, dessa vez, não teriam entrado no estabelecimento. De acordo com ele, o local, que funciona 24h, está dentro da legislação e não fornece bebidas alcoólicas entre as 22h e as 6h. “Dentro do trabalho noturno, às vezes, tem muito movimento de pessoas aqui. A gente teve problema com clientes que queriam colocar som de carro e esse tipo de coisa, o que de certa forma incomodava os moradores do bloco.”
 
 
A vizinhança reclama de baderna nas imediações. Relata confusão, música alta e gente embriagada durante toda a madrugada, principalmente nos fins de semana. “Eu já acordei várias vezes com o barulho. Você passa às 7h aqui em frente e sempre tem alguém bebendo”, denunciou uma moradora da 309 Norte. Outra se queixa de som alto nos automóveis e tumultos. “Eu até presenciei briga de soco aqui”, revelou.

O prefeito da 309 Norte e presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg Brasília), Alcino Marçal Almeida, disse que havia procurado o dono da loja de conveniência para conversar sobre as reclamações dos vizinhos. Também havia feito uma notificação por escrito, com abaixo-assinado. “Agora até que tem diminuído, mas, há uns dois ou três meses, aqui fervia. Eu saía às 8h30 e tinha gente aqui. Então, eles passavam a noite toda e ficavam até de manhã”, disse.

Enterro

O pai de Luís Eduardo, Francisco Alves Lobo, 68, recebeu a notícia da morte do filho no dia do aniversário. Um sargento da Polícia Militar telefonou para avisá-lo. “Não sabemos ainda como tudo aconteceu. Ele tinha ido até um posto de gasolina com os amigos”, lembrou. Luís morava no Lago Norte com a família e dirigia um táxi. Mas, de acordo com a Secretaria de Mobilidade, ele não tinha autorização para exercer a profissão.

Um irmão e um amigo de Luís Eduardo reconheceram o corpo. De acordo com a Divisão de Comunicação da Polícia Civil, Luís foi preso três vezes, e tinha passagens por posse de drogas, resistência, desacato, injúria, ameaça e lesão corporal pela Lei Maria da Penha. Na carteira dele, a polícia encontrou R$ 2.965. Ele portava uma droga ainda não identificada, semelhante a cocaína, enrolada em uma nota de R$ 100. O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) por volta das 10h. O velório está marcado para as 8h de hoje, na Capela 7 do Cemitério Campo da Esperança. O enterro será às 15h30. 
 

O crime 

No momento em que muitos moradores dormiam ou seguiam para o trabalho ou para a escola dos filhos, quatro pessoas desceram de um carro e dispararam contra um grupo que bebia em frente à loja de conveniência do posto de combustíveis da quadra. Eles estavam armados com uma espingarda Winchester calibre 38 e duas facas. Luís Eduardo era um dos alvos do bando e estava armado com uma pistola calibre 380. Revidou, tentou se esconder atrás de outro veículo, mas acabou atingido. A polícia acredita que o tiroteio tenha acontecido por causa de um acerto de contas motivado por tráfico de drogas. Segundo a vizinhança, o local sofre com venda de entorpecentes, consumo de bebida alcoólica e confusões.

Luís Eduardo foi atingido na altura da clavícula esquerda e morreu no local. A arma dele desapareceu. Investigadores do caso estão à procura de Rafael Arcanjo Gomes de Abreu, 22, o Índio, além de Eduardo Adrien Cunha Neto, 26. Esse último é namorado de Rafaela Teixeira de Souza, 28, presa ontem. Suspeita-se da participação de uma quarta pessoa, ainda não identificada. O delegado-chefe da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), Laercio Rossetto, contou que a vítima bebeu com os amigos no local por cerca de uma hora, antes de o grupo armado chegar em um Nissan March branco. Após o crime, o veículo foi abandonado no bairro Céu Azul, em Valparaíso (GO).

 
O bando conseguiu a espingarda horas antes na Cidade Ocidental (GO). Segundo a apuração, Eduardo foi o primeiro a disparar contra a vítima, duas vezes. Em seguida, a arma travou, ele e Rafael a consertaram, e o segundo deu mais cinco tiros. Toda a cena foi gravada por câmeras de segurança. Mesmo assim, segundo Rossetto, os quatro acusados responderão por homicídio qualificado por motivo torpe. “Não importa qual deles disparou o tiro que matou a vítima. A vontade de matar estava dividida entre todos”, explicou o delegado. Em depoimento, Rafaela contou que Luís Eduardo discutiu com os suspeitos em um bar da 409 Norte na noite anterior. A polícia pedirá a prisão temporária deles.

Rafaela compareceu à 5ª DP (Área Central) voluntariamente pouco depois do crime. Na unidade, ela se apresentou como testemunha, mas acabou detida depois que os agentes ligaram para a 2ª DP e souberam que ela era procurada desde o tiroteio na 309 Norte. Na bolsa da jovem, os policiais encontraram uma porção de maconha. O celular dela continha várias mensagens, nas quais ela pedia uma arma para acompanhar o namorado e o amigo antes do ataque. Também pedia que o grupo fugisse e não descartasse as armas. Dois pontos ainda não esclarecidos, segundo o delegado, são a fuga dos amigos de Luís Eduardo do local do crime e o sumiço da pistola. “Não existe necessidade de uma pessoa de bem estar armada. Se eles tivessem dignidade, viriam até a delegacia ajudar na investigação”, afirmou Rossetto.

* Estagiário sob supervisão de Guilherme Goulart

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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denis
denis - 21 de Abril às 23:13
Dirigia um táxi sem autorização da secretaria de mobilidade, do sindicato, não foi fiscalizado pelas blitz do Detran, tem passagem e o cidadão fica a mercê disso e ainda querem dificultar o UBER. BRASIL ACORDA.
 
André
André - 21 de Abril às 12:47
O fato é que aquela loja de conveniência vende bebida sim durante a madrugada e é fato que ali é ponto de venda e consumo de entorpecentes. Nunca vi policiamento ali e nós que moramos em volta sofremos há anos com isso. Tem que fechar aquilo. Não faz qualquer sentido ter uma loja 24h em um bairro residencial.
 
Flavio
Flavio - 21 de Abril às 09:31
É justamente o homem de bem que precisa andar armado. Do que não se necessita, é de um delegado que declare tamanha besteira.