Com 53 remédios em falta, Farmácia de Alto Custo muda regra de atendimento

Agora, o processo de recadastramento será feito sem a presença dos pacientes. A cada três meses, quem recebe medicamentos deve atualizar dados, mas Secretaria de Saúde planeja ainda estender o período

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postado em 01/06/2017 06:00 / atualizado em 31/05/2017 20:17

Monique Renne/CB/D.A Press
Com um quarto dos medicamentos em falta, a Farmácia de Alto Custo mudará a estratégia de atendimento dos pacientes. Já a partir desta quinta-feira (1º/6), a renovação do cadastros — feito a cada três meses — será feita de forma interna, sem a necessidade da presença do paciente. Agora, quem solicitar o revalidação não precisa pegar senha nem fila, apenas entregar a documentação necessária. Com isso, a Secretaria de Saúde pretende otimizar a mão de obra dos servidores e normalizar os atendimentos na entrega de remédios. Lá, são atendidos doentes de 90 especialidades. 
 
 
Apesar das longas filas, nem sempre o medicamento está disponível. Um levantamento exclusivo da Secretaria de Saúde, feito a pedido do Correio, mostra que 53 remédios estão em falta. Ao todo, a Farmácia de Alto Custo disponibiliza 200 rótulos. Os insumos que estão com estoque zerado são para psoríase, doença de Crohn e dor crônica (que pode ser causada, por exemplo, no tratamento de câncer). 
 
Após três meses de adaptação, os servidores da Farmácia de Alto Custo da 102 Sul vão iniciar o novo modelo de recadastramento. Agora, o paciente, 30 dias antes ter a validade de seu cadastro expirada, deixará laudos e exames que comprovem a necessidade do uso do medicamento e sua quantidade para que os servidores façam a renovação. Antes, o procedimento era feito presencialmente. Com a mudança, a retirada do fármaco deve ganhar agilidade, pois há um protocolo a menos a ser cumprido pelo paciente. 
 
A gerente de Componentes Especializados da Assistência Farmacêutica, Priscila Torres, defende que a mudança deve atenuar os problemas enfrentados na unidade. “Desde o ano passado, estamos com dificuldades devido ao aumento de pacientes e a estrutura (insuficiente) das unidades (Ceilândia e Asa Sul). Temos limitações físicas e, por isso, não conseguimos ampliar atendimentos”, explica. 
 
Na capital federal, 30 mil pessoas retiram medicamentos nas Farmácias de Alto Custo. Desse público, 20 mil são atendidos somente na unidade da 102 Sul. Para se ter dimensão da defasagem da estrutura, o polo de Ceilândia, inaugurado há seis anos, previa o recebimento de 7 mil pacientes. Hoje, o local atende 13 mil — 85% a mais que o esperado pelo governo.
 
Outra medida para facilitar o fluxo de atendimento é o prolongamento da validade dos cadastros. A Secretaria de Saúde negocia com o Ministério da Saúde um tempo maior para a renovação. Os gestores do DF querem que a revalidação seja feita a cada seis meses. Se os técnicos do governo federal aceitarem, será uma medida inédita no Brasil. 
 

Desabastecimento

Pelo menos R$ 30 milhões saem dos cofres públicos todos os anos para o custeio das Farmácias de Alto Custo no DF. Desse dinheiro, parte é do Ministério da Saúde, ou seja, verba federal. A outra, é da Secretaria de Saúde. O Executivo local garante que todos os processos de compra estão em andamento. 
 
Entretanto, a falta de remédios é um problema que persiste. A Secretaria de Saúde garante, no entanto, que há controle e monitoramento do estoque. A gerente da Subsecretaria de Logística em Saúde, Roberta Vasconcellos, atribui as falhas a problemas ligados aos fornecedores. “Temos dificuldades com entrega, em licitações e em compra e venda. Às vezes, um único fornecedor é responsável pela entrega de vários títulos”, conta. 
 
Roberta detalha que a maior parte das compras são feitas com até um ano de antecedência. Contudo, compras emergenciais — aquelas que o governo faz sempre licitação e, muitas vezes, paga mais caro — continuam sendo feitas.  
 
Edílson Rodrigues/CB/D.A Press
 

Mais duas unidades

A própria Secretaria de Saúde admite que a estrutura está abaixo da necessidade. A pasta espera inaugurar uma nova unidade no Gama, distante 35km do Plano Piloto, até setembro. Essa é uma promessa de 2 de outubro de 2015. Atualmente, o local — disponibilizado pela Administração Regional do Gama — passa por reformas. 
 
No futuro, diz a Secretaria de Saúde, é avaliada a possibilidade de inaugurar uma outra unidade em Sobradinho. Esse plano é mais remoto. “Temos dificuldades de abrir novos espaços por causa das necessidades físicas. Precisamos de todo um aparato. Para se ter ideia, não conseguimos funcionar em um ambiente menor que 500 ou 700 metros quadrados. Estamos focados nas mudanças na unidade da Asa Sul e na inauguração no Gama. Depois, vamos avaliar com mais calma”, pontua Priscila. 


Veja onde funcionam as Farmácias de Alto Custo 

 
Asa Sul
Estação 102 Sul do Metrô - subsolo
 
Ceilândia 
EQNM 18/20, Bloco A e C - Praça do Cidadão
 
Horário de funcionamento
De segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 17h

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