Índice que mede atividade econômica do DF retrai 1,6% pelo 9º trimestre

Já o ramo da agropecuária cresceu 10,1%, mas ainda tem pouca força na capital federal

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postado em 20/06/2017 06:02

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
Pelo nono trimestre consecutivo, o Índice de Desempenho Econômico do Distrito Federal (Idecon-DF) apontou que a atividade econômica da capital retraiu 1,6% em comparação ao mesmo período de 2016. De acordo com o estudo feito pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), os setores com as maiores variações negativas foram o Industrial (-2,8%) e serviços (-1,5). Já o ramo da agropecuária cresceu 10,1%, mas ainda tem pouca força na capital federal.


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O setor de serviços é que tem mais impacto, pois representa 92,9% da economia da capital. A atividade que teve a maior queda foi o comércio, -8,2%, com os segmentos de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo. Para o presidente da Codeplan, Lúcio Rennó, esse ramo sofre mais, pois as pessoas, ultimamente, têm menos renda disponível.

"O consumo está menor e elas não vão com tanta frequência às compras e dão preferência para o que é necessário no dia a dia. Além do desemprego que, apesar de se manter estável nos últimos meses, ainda é um número alto", explica. Ele afirma que o DF é o reflexo da crise nacional, na qual demorou a entrar e deve demorar a sair dessa instabilidade. “Em relação ao último trimestre, tivemos uma pequena melhora. A expectativa é de uma tendência de recuperação. Mas ainda é tímida e não temos muito o que celebrar”, alerta.

Givanildo Aguiar, gerente de um mercado no Cruzeiro, também acredita que a insegurança do consumidor tem levado a esses dados. “Essa instabilidade gera um desconforto. Algumas não têm o que gastar e outras não esbanjam, estão retendo mais no sentido de uma eventual piora na crise”, aponta. Com o cargo que tem dentro da empresa, ele assume que, diante desse cenário, é preciso se reinventar para não cair nas ciladas da crise. “O negócio é não ficar parado e fazer acontecer”, propõe.

Desemprego

Segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego do DF (PED), a taxa de desemprego total aumentou 20,7%, em março de 2017 em relação ao mesmo mês de 2016. Mas, entre março do ano passado e março de 2017, o rendimento médio real aumentou 4,6% entre os ocupados, 11,3% entre os assalariados e 7,3%% entre os trabalhadores autônomos. A falta de colocação profissional também é um fato que faz os brasilienses comprarem menos devido à falta de renda.

A Codeplan também apresentou um estudo sobre o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no DF. Na pesquisa, a inflação subiu 0,24% segundo cálculo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A maior variação ocorreu no setor de Saúde e Cuidados pessoais 1,25%, como medicamentos e planos de saúde, por exemplo. “O impacto maior são nos produtos de farmácia, como antigripal e antialérgicos. Isso ocorre até pelo período climático que estamos, seco e frio”, informa Lúcio Rennó.

 
Alimentos

O grupo de alimentação e bebidas teve o menor aumento (0,05%). Produtos como aves e ovos (1,31%), carne (1,29%) e pescados (1,12%) apresentaram alta. Já as frutas e legumes, que por alguns meses do ano passado, foram o terror dos brasileiros na questão dos preços, apontaram baixa. O Índice Ceasa do Distrito Federal (ICDF) mostra que o mamão formosa é a fruta que teve a maior baixa (-29,75% ), seguido da laranja lima (-21,59%). A verdura que teve a maior queda no custo foi o maxixe (-41,13%) e o jiló (-36,02%). As folhas não ficaram de fora: a couve manteiga (-31,62%) e alface lisa/crespa (-20,91%) também estão mais em conta.

Mas, segundo a cabeleireira Jaqueline Medeiros, 36 anos, não dá para confiar na queda dos preços. “A gente nunca pode dizer quanto custam as coisas, pois todo dia ou semana mudam o valor. E outra: você vai a um supermercado e é uma quantia e no outro já é o dobro. Então, tem que ficar ligado”, alerta. Já a farmacêutica Marina Paes, 37, tem apostado nas promoções. “Bem barato ainda não está, mas melhorou bastante. Procuro comprar o que está mais em conta, uma semana é uma coisa na próxima já vejo outra e assim vai”, comenta.

A alternativa é procurar opções diferentes, como faz o aposentado Liberato Diniz, 71. “Por exemplo, se o mamão está caro vou procurar uma fruta que tenha o mesmo benefício que ela. Fazer trocas pode ser uma saída boa”, analisa.

Lúcio Rennó diz que o clima e a safra fazem total diferença no preço dos produtos alimentícios. “Questões climáticas afetam a produção e acaba que temos uma restrição de consumo e aumentam os preços. O que eu peço é que os consumidores possam dar privilégio para as mercadorias do próprio Distrito Federal, pois assim faz a economia girar”, aconselha.

Desempenho fraco

Índice de Desempenho Econômico do Distrito Federal (Idecon) 

Serviços
Desempenho da atividade Intermediação Financeira diminuiu 5,0%. Serviços de Informação tiveram índice negativo de -2,2%. Administração, Saúde e Educação Públicas, variação positiva de 0,5%. O grupo Outros Serviços – que engloba as atividades de transporte, armazenagem e correio; alojamento e alimentação; serviços imobiliários; educação e saúde mercantis; serviços domésticos; atividades profissionais, científicas e técnicas; administrativas e serviços complementares; e artes, cultura, esporte e recreação, além de outras atividades de serviços – contraiu 1,1%

Indústrias
Construção contraiu 3,7%. Indústria de Transformação retraiu 1,9%. O grupo Outros da Indústria, que compreende as atividades da indústria extrativa mineral e eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana, caiu 1,0% na comparação dos primeiros trimestres de 2017 e 2016.

Agropecuária

No primeiro trimestre de 2017, o setor cresceu 10,1% ante igual período de 2016. No Brasil, o setor cresceu 15,2%. A boa safra de grãos obtida pelo Brasil, no início do ano, também repercutiu no Distrito Federal.

 
 

Fonte: Codeplan.
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