Regularização chega ao trecho 3 de Vicente Pires neste ano

Em Vicente Pires, serão atingidos 4,1 mil lotes. No Ville de Montagne, onde a regularização já começou, moradores reclamam dos preços. O valo médio gira em torno de R$ 205,7 mil

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postado em 21/06/2017 06:00 / atualizado em 21/06/2017 06:53

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

Moradores do Condomínio Ville de Montagne questionaram o preço definido pela Agência de Desenvolvimento de Brasília (Terracap) para a venda direta dos lotes ocupados. O governo venderá os terrenos por um valor médio de R$ 205,7 mil, com desconto de 15% para pagamentos à vista. A empresa ainda vai negociar com a comunidade  e haverá uma nova avaliação da infraestrutura do parcelamento. Mas o preço final não terá variações expressivas, segundo a companhia. O Ministério Público do Distrito Federal não deve questionar a tabela de valores elaborada pela Terracap. O promotor de Defesa do Patrimônio Público Roberto Carlos Silva considerou o montante “razoável” e lembrou que preços inferiores aos estabelecidos poderiam causar prejuízos à administração pública.
 

Apesar do abatimento de mais de 50% no valor de mercado, os ocupantes do Ville de Montagne reclamaram do montante definido pela Terracap. A comunidade espera que esse valor chegue a R$ 140 mil, em média. “Acredito que boa parte do condomínio não vai concordar com essa tabela, o que pode protelar ainda mais a negociação”, contou o corretor de imóveis Felipe Oliveira, 35 anos, que mora no local há cinco anos.

Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press

Mas os moradores ainda acreditam que a batalha pode ser vencida. Eles se mostraram confiantes e otimistas de que a Terracap vai abrir novamente para as negociações. “A empresa propôs esse valor, e o pessoal ainda vai correr atrás para ajustar e buscar um preço mais interessante”, completou. Para a servidora pública Cláudia Rejani da Costa Santos, 53 anos, foi um susto o valor divulgado na última segunda-feira. Ela comprou o terreno em 1999, quando o lugar era pouco habitado, e as pistas nem sequer eram asfaltadas. “Eu mudei em 2003, na minha rua só tinha uma casa, no lote da frente, havia somente um barracão”, contou. Hoje, o cenário é diferente. Com casas de diversos tamanhos, asfalto e área de lazer, o Ville de Montagne chama a atenção pela qualidade da infraestrutura.

Por causa dessas benfeitorias construídas pela comunidade, a servidora afirma que o preço proposto é injusto. Segundo ela, o valor é bem mais alto do que os moradores esperavam. Nos próximos dias, quando as negociações forem retomadas, Cláudia presume que será possível discutir um preço mais em conta. “Eu acredito que há uma chance, porque, senão, eles (Terracap) não abririam para negociação. Espero que haja avanços”, disse.

Edilson Rodrigues/CB/D.A Press - 31/5/15

Conversa

O presidente da Associação Comunitária dos Moradores do Ville de Montagne, Jazon Lima Júnior, também está na expectativa por um desfecho positivo. “Eles não fecharam as portas ainda para poder negociar, o canal de comunicação continua aberto”, afirmou. Nos próximos dias, a ideia é conversar e trabalhar junto aos profissionais na nova negociação para tentar buscar um preço mais baixo. “Existe a falsa ilusão de que no condomínio só vive gente de classe média alta, e não é por aí. Existem moradores que têm padrão de vida bom, mas isso não reflete a totalidade dos moradores”, finaliza Jazon.

O presidente da Terracap, Júlio César Reis, considera que o valor médio de 205,7 mil para lotes de 800 metros quadrados é justo, mas garante que as portas da empresa estão abertas para novas negociações. O preço pode até ser revisto nos próximos dias, mas ele adianta que uma possível variação não deve ultrapassar o patamar de 5%. “O valor é justo porque abateu do preço de mercado todos os investimentos feitos pelos moradores na infraestrutura, além do desconto da valorização decorrente dessas obras”, explica. O cálculo foi feito com base nas regras da Resolução 543/2017 da Terracap, que estabeleceu as diretrizes da venda direta, e no decreto assinado em maio pelo governador Rodrigo Rollemberg, detalhando as normas.

O promotor de Defesa do Patrimônio Público Roberto Carlos Silva, que acompanha as tratativas sobre a regularização, considerou a tabela divulgada pela Terracap “razoável”. Para ele, um valor muito inferior “traria prejuízos à administração pública”. “O valor é bastante razoável para a realidade de Brasília, é impossível comprar um terreno naquela região do Lago Sul por menos de R$ 600 mil”, comenta. “Independentemente da irregularidade na ocupação inicial, é preciso encerrar esse processo e evitar novas grilagens”, acrescentou.

Fila

Depois da venda direta do Ville de Montagne, a Terracap quer acelerar o processo de regularização dos terrenos do Trecho 3 de Vicente Pires. Ao todo, serão regularizados 4,1 mil lotes e a expectativa da empresa é começar a venda direta dos imóveis daqui a três meses. “Estamos preparando o cadastramento dos ocupantes e, em seguida, será divulgada a avaliação dos lotes”, conta Júlio César Reis.

Na semana passada, o governo publicou o decreto de aprovação do projeto urbanístico da região. Com esse documento, será possível emitir a Certidão de Regularização Fundiária — documento que permitirá a venda direta aos ocupantes. Pelas novas regras da regularização, o procedimento de registro dos terrenos ficou mais rápido, o que permitiu ao governo a acelerar a negociação dos lotes.

Regras

Confira as condições de pagamento para a compra dos terrenos na venda direta:

» Os lotes podem ser parcelados em até 240 meses no financiamento pela Terracap
» A Terracap vai oferecer desconto de 15% para pagamento à vista
» A taxa de juros será 
de 0,4% ao mês
» Não é possível usar 
o FGTS na negociação
» Os compradores poderão 
buscar linhas de financiamento em bancos
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raimundo
raimundo - 21 de Junho às 13:29
Bando de invasores e ainda querem mais benesses???
 
raimundo
raimundo - 21 de Junho às 13:28
Bando de invasores e ainda querem mais benesses???
 
Ricardo
Ricardo - 21 de Junho às 10:20
Eu nunca invadi terra publica, nem comprei terra invadida a um preço módico para depois dar uma de joão sem braço e dizer que não sabia. Daí eu, que segui as convenções sociais de boa convivência, sou prejudicado pelos "espertos" de plantão, que ainda se acham no direito de contestar o valor. Por mim, passava um trator em cima de todas essas casas. Quando o assunto é investimento de vulto, como o imobiliário, não tem inocência: todo mundo sabe que e feito em cima do registro no cartório. Esse e nosso brasil, onde alguém sempre quer levar vantagem em cima de outrem. Ah sim, ainda moro de aluguel, mas ensino meus filhos a respeitarem o direito alheio (inclusive o coletivo).