Artista é preso durante apresentação que integra o Palco Giratório, do Sesc

O dançarino e performer paranaense Maikon K teve a apresentação, na qual fica nu, interrompida e foi levado para a delegacia por "ato obsceno"

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postado em 16/07/2017 13:37 / atualizado em 16/07/2017 15:30

Tathy Yazigi/Divulgação
 
Uma performance artística interrompida pela Polícia Militar no sábado (15/7) à tarde, em frente ao Museu Nacional da República, fazia parte da programação do evento Palco Giratório, mostra teatral promovida pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). Na ação da PM, o dançarino e performer paranaense Maikon Kempinski acabou detido e levado para a 5ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), onde precisou assinar um termo circunstanciado de ato obsceno.

O Correio falou com o artista na manhã deste domingo. Maikon K, seu nome artístico, se mostrou indignado com a situação e lamentou que seu cenário tenha sido rasgado pelos militares, mas preferiu não comentar mais sobre o caso por esperar um posicionamento da organização do Palco Giratório. O Sesc informou que só se posicionará na segunda-feira.  

Na apresentação — chamada DNA de DAN e que já passou por palcos de várias cidades do país —, o artista fica dentro de uma bolha plástica e tem aplicado sobre o corpo nu uma substância que se resseca aos poucos, até formar uma espécie de segunda pele. Para não rompê-la, o artista é obrigado a respirar cada vez menos. 

O rompimento, no entanto, é inevitável e, quando acontece, Maikon dá início a uma dança desenvolvida a partir de uma pesquisa sobre arquétipos e elementos espirituais. Em um vídeo feito sobre a apresentação, Maikon explica que sua dança é inspirada no arquétipo da serpente. 

 

Espaço público 


Reprodução/Internet
A preformance já passou por outras cidades devido ao Palco Giratório. Segundo o curador do evento, Leonardo Braga, em Belo Horizonte, Porto Alegre e Campina Grande, ela ocorreu em espaços públicos sem problema. Em Brasília, DNA de DAN foi programada para ser apresentada em frente ao Museu Nacional da República. No entanto, Maikon foi interrompido por policiais militares, que ordenaram que ele se vestisse. Depois, ele foi colocado na traseira de uma viatura e levado à delegacia.

Segundo a PM do Distrito Federal, os militares foram ao local depois de populares solicitarem a presença da polícia porque "havia um homem nu ao lado do Museu da República". Ainda segundo a PM, os policiais foram informados por um homem que ali ocorria uma exposição de arte. No entanto, "como não foi apresentada nenhuma documentação /autorização do museu tampouco da Administração de Brasília, foi determinada a paralisação da referida exposição e foi dada voz de prisão ao elemento nu", informa uma nota.
 
Nas redes sociais, muitos se mostraram indignados com a detenção de Maikon. Na página do artista no Facebook, vários comentários criticam a ação da polícia e mostram apoio ao paranaense. "A ditadura tá aí, na cara de todo mundo, só não enxerga quem não quer", escreveu uma internauta. "Já que não tem onde fazer justiça em BrasíLA, vamo prender performer, né...", protestou outra.

Comentários Os comentários não representam a opinião do jornal;
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ednilson
ednilson - 18 de Julho às 20:18
Só faltava descobrirmos que o Rollemberg desperdiçou dinheiro público com o subartista e sua subarte.
 
denise
denise - 17 de Julho às 15:18
Tá certa a PM. Aplausos para os policiais que prenderam o artista. Tem local e público certo para ficar nun e fazer arte. E o local, certamente, não é uma praça pública. Por que eu (e crianças e adolescentes e outros adultos) temos que ver gente nua? Por causa da arte? Ah, nem. Me poupe. em praça pública, não. Faça a arte nua em local apropriado e para público que quer ir apreciar. Parabéns pros policiais que fizeram a prisão.
 
denise
denise - 17 de Julho às 15:11
Tá certa a PMDF. Tem que prender mesmo. Eu tenho crianças na minha família. Não quero que eles vejam pessoas nuas em praça pública. Isso é contra a lei. Tem local e público específicos para esse tipo de apresentação. Sim, um artista pode se expressar. Pode mostrar seu nu artístico. Mas não em praça pública, á luz do dia, sem respeitar a lei brasileira. Isso é ato obsceno. Concordo com a PM. Manda prender mesmo. Pra aprender a respeitar a lei.
 
Sérgio
Sérgio - 17 de Julho às 10:53
ATO OBSCENO Art. 233 do Código Penal- Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena %u2013 detenção, de 3 meses a 1 ano, ou multa. %u2013 ato obsceno: é o ato revestido de sexualidade e que fere o sentimento médio de pudor %u2013 ex.: exposição de órgãos sexuais, dos seios, das nádegas, prática de ato libidinoso em local público, micção voltada para a via pública com exposição do pênis, %u201Ctrottoir%u201D feito por travestis nus ou seminus nas ruas etc. %u2013 lugar público: é o local acessível a número indefinido de pessoas %u2013 ex.: ruas, praças, parques etc. %u2013 lugar aberto ao público: é o local onde qualquer pessoa pode entrar, ainda que sujeita a condições, como pagamento de ingresso %u2013 ex.: teatro, cinema, estádio de futebol etc; não haverá o crime se as pessoas pagam o ingresso justamente para ver show de sexo explícito. %u2013 lugar exposto ao público: é um local privado, mas que pode ser visto por número indeterminado de pessoas que passem pelas proximidades %u2013 ex.: janela aberta, terraço, varanda, terreno baldio aberto, interior de automóvel etc.; se o agente só pode ser visto por vizinhos, Nélson Hungria entende não haver o crime. %u2013 entende-se não haver crime se o ato é praticado em local escuro ou afastado, que não pode ser normalmente visto pelas pessoas. %u2013 é autor indireto do crime, aquele que se utiliza de um inimputável para a prática do delito %u2013 ex.: homem que treina macaco para praticar o ato. %u2013 palavras e gestos obscenos: não caracteriza este crime, mas pode configurar %u201Ccrime contra a honra%u201D ou a contravenção penal de %u201Cimportunação ofensiva ao pudor%u201D. %u2013 sujeito passivo: a coletividade (diretamente) e a pessoa que presenciou o ato (eventualmente). %u2013 o tipo não exige que o agente tenha finalidade erótica; o fato pode ter sido praticado por vingança, por brincadeira, por aposta etc. %u2013 consumação: com a prática do ato, ainda que não seja presenciado
 
Sérgio
Sérgio - 17 de Julho às 10:14
Minha nossa que absurdo é esse? o cara está pelado? que país é esse? onde no planeta isso é permitido? só aqui no Brasil, que coisa ridícula! parabéns à Polícia Militar do Distrito Federal...
 
sergio
sergio - 17 de Julho às 08:02
Se fosse no carnaval o artista seria incentivado a ficar peladão. Entretanto, os "justiceiros protetores da moral e dos bons costumes" não se furtam em denunciar, sem perceber que sua nudez está deveras exposta.
 
Luiz
Luiz - 16 de Julho às 19:01
A inguinorança astravanca o por gressio!!!
 
Sonia
Sonia - 16 de Julho às 18:40
obsceno é compra de voto, pessoas almoçando e tirando self em cima da mesa do congresso, pessoas falando em nome do povo e aprovando reforma trabalhista aos trancos. Obsceno é ver um homem carregando uma mala de dinheiro ilícito e ter prisão domiciliar, ministro envolvido em corrupção ter prisão domiciliar, ver senador e irmã de senador envolvido em empréstimo de dinheiro ilegal e assim por diante. Obsceno é um ex presidente xingar juiz, mentir deslavadamente para a população. Obsceno é ter um presidente acusado de corrupção. Um artista nu só é obsceno para uma população hipócrita e mal informada.
 
Flavio
Flavio - 16 de Julho às 17:44
Performance artística? rsrsrs Puro lixo!