"Queremos a verdade", diz irmã de homem encontrado morto em DP do Recanto

Havia outro detendo com Giovânio na cela no momento em que ele morreu. "Segundo o delegado, o outro detento diz que não viu nada. Como uma pessoa que está numa cela não vê o companheiro se matando?", indaga a irmã

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postado em 14/08/2017 17:53 / atualizado em 15/08/2017 11:47

Reprodução/Facebook
Em conversa com o Correio, uma das irmãs de Giovânio Alves da Silva, funcionário terceirizado da gráfica do Senado Federal encontrado morto na manhã desta segunda-feira (14/8) em uma cela da 27ª Delegacia de Polícia (Recanto das Emas), diz que irmão tinha um companheiro de cela e questiona como ele pode haver cometido suicídio sem que o outro detento tenha percebido, como afirmado pelo delegado Pablo Aguiar. Ela também afirma não haver sido contatada pela delegacia no momento da morte.

“Queremos a verdade. Segundo o delegado, o outro detento diz que não viu nada. Como uma pessoa que está numa cela não vê o companheiro se matando?”, indaga Maria Rosimeire Alves da Silva, 51 anos, irmã da vítima. Carcereiros da delegacia disseram a ela que Giovânio chamou por eles durante a madrugada, chamando por ela, mas que não foram observados traços de comportamento suicida na vítima. Por volta das 4h, os gritos teriam parado, momento que coincide com o horário da morte. Para os funcionários da 27ª DP, as vozes teriam cessado porque Giovânio e o companheiro de cela estariam dormindo.
 
 
Segundo Maria Rosimeire Alves da Silva, 51 anos, irmã da vítima, os familiares foram informados no início da madrugada desta segunda-feira a respeito da detenção de Giovânio e o valor estipulado para soltá-lo. “A polícia ligou por volta da meia-noite para minha outra irmã, que vive na Bahia, Iris Maria, contando que meu irmão tinha sido abordado enquanto conduzia alcoolizado e havia sido levado para a delegacia”, diz. “Estávamos tentando nos organizar para pagar a fiança e resgatá-lo. Deixamos para fazer isso hoje de manhã, pois nos disseram que o pagamento não poderia ser feito em cheque, apenas em dinheiro. Então, eu e minhas outras irmãs iríamos nos reunir para dividir este valor”, completa. No início desta manhã, Rosimeire ligou para a delegacia para tirar dúvidas sobre como o pagamento deveria ser feito e, neste momento, foi informada da morte.

A irmã ressalta que a família nunca percebeu em Giovânio algum tipo de depressão ou atitudes que pudessem indicar que ele tiraria a própria vida. "Meu irmão gostava de beber, mas era um homem muito alegre e de bem com a vida. Nunca teve atitudes suicidas", enfatiza.
 
O Correio entrou em contato com a Divisão de Comunicação da Polícia Civil para comentar as alegações da família e aguarda retorno. Procurado pela reportagem, o delegado Pablo Aguiar, da 27ª DP, afirmou que a vítima foi presa em flagrante por estar dirigindo embriagado. O delegado confirma que Giovânio foi colocado em uma cela com outro detido. "(Giovânio) chegou tranquilo, não aparentava qualquer comportamento anormal. Ele estava com outra pessoa na cela, mas o outro detido estava dormindo e não teria notado o momento da morte", explicou.

O caso 


Giovânio Alves da Silva, 43 anos, foi detido e levado à 27ª DP por volta das 23h de domingo (13/8). Segundo informações da Polícia Civil, por volta das 5h de segunda-feira, ele foi encontrado morto em uma cela da unidade policial, "enforcado com a calça que usava", segundo nota emitida pela PDCF.

Ainda segundo o comunicado, foi solicitado imediato socorro ao Corpo de Bombeiros, mas, quando a equipe chegou ao local, não pôde fazer nada para salvá-lo. Foi instaurado procedimento para apuração dos fatos e uma perícia foi realizada pelo Instituto de Criminalística da Polícia Civil (IC/PCDF).
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