Prata da Casa: Tico de Moraes mostra devoção pelo jazz com trabalho autoral

O artista, que já tocou ao lado de diversos artistas do jazz no Brasil e no mundo, é reconhecido no cenário musical brasilienses tocando grandes sucessos e também seu trabalho autoral

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postado em 18/08/2017 11:00 / atualizado em 18/08/2017 11:06

A música sempre fez parte da vida e da rotina da família do cantor brasiliense de jazz Evaristo de Moraes, o Tico de Moraes. A mãe dele, a cantora brasiliense Muriel Tabb, cresceu ouvindo boas melodias em casa e o jazz foi uma influência inegável na formação musical, que acabou conquistando o filho, hoje violonista profissional. Sozinho ou com outros artistas, Tico de Moraes mostra a dedicação e a sensibilidade ao estilo musical a tocar grandes clássicos do jazz, além de composições autorais.
 
Apesar de toda a influência musical dentro de casa, o cantor de 37 anos confessa que o início da jornada foi difícil, dividindo o tempo entre o trabalho em um restaurante e a busca por reconhecimento por meio de seu maior talento. A sorte dele mudou exatamente lá, quando o restaurante  organizou uma promoção de vinhos, lembra o músico à reportagem do Correio. "Eles estavam fazendo uma promoção de vinhos com jazz e sabiam que eu tocava alguma coisa. Então perguntaram se eu queria tocar", relembra. A experiência foi o primeiro passo para que ele percebesse o futuro que realmente queria. "Eu tive que estudar a noite inteira pra essa apresentação no restaurante, mas quando toquei, reparei que era aquilo que eu gostava mesmo de fazer e ouvir."
 
Tico de Moraes começou a estudar música em 1992, com o renomado violonista Everaldo Pinheiro, que acompanhou o pianista e compositor Johnny Alf e lecionou para uma geração de músicos brasilienses – à qual Tico faz parte, juntamente com Hamilton de Holanda. Ele tem diversos artistas como inspiração, como os Beatles, e Frank Sinatra. Apesar disso, seu maior ídolo é o Chet Baker. "É a minha maior influência no jazz, mesmo não sendo o mesmo instrumento. A forma de improviso é uma coisa que me agrada muito. É uma coisa muito mais melodiosa que uma pirotecnia de notas. É tudo muito suave", afirma Tico.
 
Mesmo rodeado de familiares e amigos que tocam todo tipo de instrumentos e ritmos, Tico conta que foi "sorte" o momento em que encontrou os dois músicos com quem tem dividido os palcos em algumas apresentações. O saxofonista do grupo, o venezuelano Carlos Cardenas, de 47 anos, revela que tocar música brasileira é uma paixão. "Eu sempre tive um amor (pela música brasileira). Escutava sempre Gilberto Gil e Caetano Veloso, e acabei indo parar em Pernambuco, onde conheci o Mizael (baterista)", comenta o músico. Ele brincou que outra razão para a vinda a Brasília também foi por amor à mulher dele. "Vim parar em Brasília, basicamente, por conta de mulher. Eu morava em São Paulo, mas me cansei e me estressei, então vim para cá graças à minha esposa", explica.
 
O baterista Mizael Barros, de 42 anos, morava em Pernambuco quando conheceu o Carlos. Assim como os demais músicos, ele começou cedo no instrumento: "Eu já comecei a ter aulas pequeno, numa escolinha do bairro. Com 9 anos já sabia que ia ser músico", afirma o baterista. Então, novamente, o fator família se fez presente, e o baterista teve que se mudar para São Paulo, e então, poucos anos depois, para Brasília, também graças à sua esposa. "Eu ficava nessa ponte aérea, até que um dia me cansei", explica.
           

Trajetória 

Tico de Moraes tem um repertório marcado pelo jazz e suas músicas autorais. Já participou de programas da TV Câmara, tocou com a cantora Chude Mondlane – onde foi chamado de “um clone melhorado do Chet Baker”, por jornalistas e críticos de jazz –, e foi convidado a apresentar dois shows no Festival Internacional de Jazz de Guaramiranga (CE), em 2007.
 
O que impulsionou sua trajetória, no entanto, foi o convite que recebeu para participar como violonista em uma apresentação da cantora Chude Mondlane, em Maputo (Moçambique), que se tornou um ícone da música africana. Em 2015, o músico lançou o primeiro EP independente chamado “Just Thoughts” (em português, “Apenas pensamentos”), que está disponível em plataformas online como Spotify, Deezer e Itunes.
 
Ele lista vários artistas com os quais trabalhou junto, como Ivo Pinhongelo, Leonel Laterza, Salomão di Pádua, dentre outros. Em 2013, esteve presente na gravação do disco “The Cosmic Remedy”, idealizado por Akos Bogáti-Bokor, compositor e multi-instrumentista que reuniu músicos de países como Finlândia, Itália e, claro, o Brasil. Em 2016, o músico esteve presente em projetos como “The Chico Buarque Experience” e o show em homenagem ao Stevie Wonder – onde, desde então, segue com apresentações no cenário brasiliense.
 
*Estagiária sob supervisão de Jacqueline Saraiva

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