Consumidores se irritam com preço da gasolina e fazem protestos em postos

Pelas redes sociais, moradores do DF combinam se reunir em determinados postos de combustível e abastecer apenas R$ 0,50

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postado em 19/08/2017 17:16 / atualizado em 19/08/2017 17:43

Luis Nova/CB/D.A Press

 
Enquanto o governo do Distrito Federal culpa a formação de cartel dos postos pela disparada no preço da gasolina, e especialistas apontam o próprio GDF como responsável, ao menos em parte, pela situação, o brasiliense se irrita com o preço cobrado nas bombas. O sentimento de indignação suscitou, inclusive, protestos inusitados. Fotografias e vídeos nas redes sociais mostram motoristas abastecendo apenas R$ 0,50 em postos.

 
Nas postagens, os manifestantes justificam que o valor pago não cobre o custo de tirar a bomba do tanque nem a emissão da nota fiscal. Apenas neste fim de semana, há relatos de protestos desse tipo pelo menos no Paranoá e em São Sebastião.
 
 

Motoristas ouvidos pelo Correio também desaprovam a disparada do preço do combustível. No entanto, há divergências quanto à eficácia da estratégia. A servidora pública Clarissa Actis, 33 anos, aprova. “Não deveríamos pagar a conta das manobras dos governos”, reclama a moradora do Sudoeste. Ao abastecer, neste sábado, Clarissa desembolsou R$ 227 para encher o tanque. Segundo ela, um mês atrás, pagava cerca de R$ 188, um aumento de 20,75%.

Entretanto, o servidor público Alberto Mattos, 54 anos, não vê tanta efetividade em abastecer o tanque com valores irrisórios. “É uma briga comprada com o dono do posto. Sabemos que o cartel de combustíveis existe no DF, mas o aumento dos preços tem a ver com o problema dos altos impostos no Brasil”, acredita. Alberto roda 40km por dia e precisou pedir às duas filhas para que diminuíssem trajetos e utilizassem aplicativos de transporte. “Precisamos fazer pequenos ajustes no orçamento”, emenda. 

No Distrito Federal, onde o preço do litro chegou a ultrapassar R$ 4 em alguns postos, o imbróglio do preço dos combustíveis envolve também o Governo do Distrito Federal. Na quarta-feira (16/8), o GDF aumentou de R$ 3,47 para R$ 3,81 o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF) por litro de gasolina. Sobre o valor, incide o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
 
Em resposta à reportagem publicada pelo Correio, neste sábado (19/8) o Buriti afirmou que “o Governo apenas define uma média do valor que já é praticado pelo mercado”.  O GDF atribui a explosão do preço da gasolina a um “cartel” de postos, que, de acordo com a nota recebida, “voltou e está mais ativo do que nunca”.

Moeda de troca

O ato de abastecer R$ 0,50 de gasolina em postos para protestar contra o preço do combustível se popularizou em 2011, ainda no primeiro ano do governo Dilma Rousseff. Informalmente, o movimento recebeu o nome de “Na Mesma Moeda”, e ocorreu em estados das cinco regiões do País.

Em julho, o reajuste do PIS-Cofins pelo governo federal fez disparar o preço da gasolina após um leve alívio ao bolso do consumidor no início do ano. Os protestos, então, retornaram aos postos. Por meio de vídeos e relatos publicados nas redes sociais, o Correio apurou que houve protestos em ao menos 10 estados e no Distrito Federal recentemente.

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José
José - 20 de Agosto às 07:48
Se o cartel dos postos voltaram mais ativos é porque eles são mais organizados que o governo e ministério público, que não tem moral e competência para combate-los.