Instrumentistas de Brasília criam manual para apreciadores de chorinho

Os músicos do DF são referência nacional do gênero musical imortalizado por Pinxinguinha

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postado em 23/08/2017 06:00 / atualizado em 23/08/2017 07:04

Clube do Choro/Divulgação
 
Desde que, há 20 anos, a Escola Brasileira de Choro inciou suas atividades, o ensinamento prático nos diversos cursos tinha por base o repertório de compositores do gênero. Os professores buscavam focalizar os elementos básicos de cada música: acordes, ritmo e melodia. Em 2014, o violonista Henrique Neto, o atual coordenador da escola, e o bandolinista Dudu Maia passaram a desenvolver estudo, tendo como base a obra de nomes consagrados, como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Radamés Gnattali, Garoto, e de temas clássicos. Aí perceberam que existia uma conexão entre composições dos mestres, separados no espaço e no tempo.

A partir daí, sistematizaram essa constatação e chegaram ao Manual do Choro, que sai em versão bilingue — português e inglês. O lançamento será no sábado, às 21h, no Espaço Cultural do Choro, com um show que reúne, além dos dois, Sérgio Moraes (flauta), Pedro Vasconcellos (bandolim) e Valério Xavier (pandeiro), além de convidados.

“O que fizemos foi organizar didaticamente o que o músico popular faz de forma intuitiva. O manual contempla todas as informações necessárias para o estudo do choro e da música popular brasileira”, afirma Henriquinho, como é chamado pelos amigos. O manual passará a ser uma disciplina do currículo da Escola de Choro.

Henrique Neto crê que, para ser um chorão, exige-se domínio formal do instrumento e, ao mesmo tempo, capacidade de produzir improvisos surpreendentes.“O desafio sobre o qual nos debruçamos foi conciliar intuição e lógica, prática e teoria, invenção e aprendizagem. Isso depois de análise profunda do legado e o estilo dos maiores criadores”, afirma.

Dudu Maia destaca que o Manual do Choro pode ser adaptado a qualquer instrumento musical. “Mas é importante que o aluno tenha noções básicas sobre formação de acordes, além de razoável domínio do instrumento. O livro é indicado para quem aprecia não apenas o choro, mas outros estilos da MPB”. O bandolonista acrescenta: “Basta observar a obra de compositores como Heitor Villa-Lobos, Tom Jobim, Nelson Cavaquinho e Luiz Gonzaga, para sentir que o choro está presente na obra de todos eles”.

Valorização

Na elaboração do método, ele e Dudu tiveram como colaborador Hamilton de Holanda. Para ele, “o Manual do Choro tem importância histórica e faz com que a linguagem musical do choro fique fácil de entender e é garantia de propagação e divulgação do nosso chorinho pelo mundo”. O consagrado bandolinista complementa: “Acima de tudo, é a valorização da cultura do Brasil.”

Segundo Henrique Lima Santos Filho, o Reco do Bandolim, presidente do Clube do Choro e um dos fundadores, a ideia da criação do manual acompanha a história da Escola Brasileira de Choro Raphael Rabello. “Sempre alimentamos o sonho de construir caminhos musicais ao mesmo tempo coerentes e delicados para sistematizar o ensino do choro, sem lhe roubar a espontaneidade”, lembra.

Reco do Bandolim diz que o Manual do Choro “pretende responder ao desafio de um guia prático para o ensino de uma das mais genuínas manifestações da nossa cultura”. No entendimento dele, “o livro funciona como um facilitador do acesso à linguagem rica e instigante do choro e ainda desenha um curioso perfil da alma musical brasileira”.

Manual do Choro 
Clube do Choro/Divulgação

» Lançamento do método, com show do violonista Henrique Neto, do bandolinista Dudu Maia e músicos convidados sábado, às 21h, no Espaço Cultural do Choro 
(Eixo Monumental, ao lado do Centro de Convenções Ulysses Guimarães. 

Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia para estudantes). 

Preço do livro: R$ 40. 
Não recomendado para menores de 14 anos. 

Informações: 3224-0599.
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