Paciente sofre com falta de insumos para tratamentos regulares no DF

Saúde pública do DF está sem dieta por sonda e medicamento para transplantados. Usuários relatam usar os próprios recursos para comprar remédios

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postado em 24/08/2017 22:00 / atualizado em 24/08/2017 22:28

Minervino Junior/CB/D.A Press

 

Quem recorre à rede pública de saúde do Distrito Federal sofre diariamente com a falta de insumos. Atualmente, pessoas que necessitam da dieta enteral — aquela alimentação feita por sonda —, ou do Tracrolimo (1mg) — usado após transplantes —, esperam a promessa de abastecimento dos produtos feito pelo órgão. A pasta garante que os processos para normalização do serviço estão em andamento. Porém, ainda não há uma data definida. Enquanto isso, pacientes temem as consequências da falta de um tratamento adequado.


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Curado de um câncer de garganta após uma batalha de 12 anos, o aposentado Arimatéia Martins, 52 anos, precisou ser submetido a uma traqueostomia — procedimento de abertura de um orifício na traqueia para auxiliar na respiração. Há dois anos, ele passou a usar sonda para se alimentar e falar. Enfrentando uma estenose, problema que provoca um estreitamento do canal acima da traqueia, dificultando a respiração e a ingestão de alimentos, Arimatéia necessita da dieta enteral. “Ela (dieta) é o único alimento que faço uso. Nem água eu bebo pela boca”, detalha. Segundo ele, a dieta não é repassada há quatro meses. “A Secretaria de Saúde diz que está em processo de licitação. E que a situação só será normalizada em outubro. Mas não podemos esperar mais”, cobra. 

 

Arimatéia tem mantido o tratamento a partir de dinheiro do próprio bolso enquanto a situação não se normaliza. O custo é elevado. “É caro, custa por volta de R$ 1,2 mil”, pontua. O aposentado explicou que algumas pessoas, por falta de recursos, recorreram à dieta artesanal, mas que a medida não é segura para quem usa sonda. “Existe o risco de infecção, obstrução da sonda e de consumir alimentos que podem prejudicar mais ainda a saúde de quem já está debilitado”, explica.


Transplantados   

 

Já o aposentado Rodrigo Lacombe, 59 anos, fez um transplante de fígado em abril deste ano e, desde então, precisa tomar cinco comprimidos do medicamento Tacrolimo (1mg), diariamente, para que o corpo não rejeite a cirurgia. O problema é que o remédio está em falta nas Farmárcias de Componentes Especializados da 102 Sul e de Ceilândia, onde Rodrigo costumava ir. "Eu vou lá todo mês. E hoje não tinha. Falaram que ia chegar, mas não deram previsão", relata. 

Sem data


Sobre a dieta enteral, a Secretaria de Estado de Saúde (SES/DF) informou que há processos de aquisição regulares em andamento para o Programa de Terapia de Nutrição Enteral Domiciliar. Segundo a pasta, as principais fórmulas também estão contempladas no processo de aquisição emergencial, que está em fase final. Após emissão da nota de empenho, a empresa tem o prazo de cinco dias para entregar o produto. O órgão não especificou uma data.

A SES/DF explicou também que o reabastecimento do Tacrolimo (1mg) está previsto para a próxima semana, mas ainda sem uma data específica. Ainda de acordo com a secretaria, na compra de medicamentos de alto custo, o paciente deve estar cadastrado para receber o remédio pelo Ministério da Saúde ou pela SES/DF. Se ocorre falha no abastecimento repassado, não é possível remanejá-lo, já que isso prejudicaria outro paciente que deveria ser atendido.   

 

 

 

 

 

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